Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez

Waldemar Costa

Bibliografia e créditos usados nesta obra

Fotos de época dos campeões do Brasileiro Absoluto

Clique aqui: Campeonato Brasileiro Feminino

 

Introdução Histórica

O xadrez do Brasil nasceu no século XIX. O pai foi o grande pianista português Artur Napoleão (1843-1925), que se radicou no Rio de Janeiro, a então Corte do Imperador Dom Pedro II (1825-1891). Além de músico e enxadrista, ele gostava de escrever. E fazia isso também muito bem. Devido às suas narrativas, as iniciativas enxadrísticas da sua época são conhecidas nos dias de hoje. Antes, caímos numa escuridão total em relação ao xadrez. Não existe documentação sobre atividades anteriores ao século XIX. Ao que parece, a vida da nação essencialmente agrícola não permitiu ao jogo-ciência criar raízes. Há, porém, divagações hipotéticas sobre partidas realizadas em nosso território nos três primeiros séculos da existência do Brasil. Uma é interessante e até possível de ter acontecido: a partida disputada na noite do descobrimento entre Pero Vaz de Caminha (1450-1500) e Pedro Álvares Cabral (1460-1520).

A Europa de 8 de março de 1500, data que Cabral deixou Lisboa com seus navios, era fascinada pelo jogo de xadrez. Nas cortes dos reis e entre a nobreza de todos os países europeus, o xadrez era a principal diversão. O livro do espanhol Ramirez de Lucena "Repeticion de Amores y Arte de Axedrez", publicado três anos antes, era vendido pelo próprio autor. O melhor enxadrista do Continente era o boticário Damiano. Em 1500, Damiano provavelmente já estaria preparando o tratado de xadrez, que editou em Roma no ano de 1512. Pedro Alvarez Cabral pertencia à fidalguia. Assim, é provável que praticasse o xadrez. Além do mais, sabe-se que os navegantes lusitanos tinham hábito de jogar xadrez nas longas viagens marítimas. O historiador renascentista português João de Barros (1496-1570), autor de "Décadas da Ásia", deixou esse fato gravado nos seus livros.

Quanto ao escrivão Pero Vaz de Caminha não há dúvida que amava o jogo. Sua paixão era grande. Quando escreveu ao Rei de Portugal Dom Manuel (1469-1521), narrando a descoberta, fez diversas referências às peças e ao tabuleiro. Em certo trecho cita que os beiços dos selvagens, furados e ornamentados, pareciam com as torres do xadrez. Em seu livro "A Carta de Pero Vaz Caminha" o escritor Jaime Cortesão (1884-1960) supõe que o escrivão jogou xadrez antes de escrever. Por isso, serviu-se das figuras das peças do jogo para dar maior realidade ao seu relato sobre a aparência dos nativos e coisas da nova terra. Cortesão acrescenta que Caminha deve ter jogado a bordo da nau capitânia com os da sua igualha social. Essas considerações de Jaime Cortesão fizeram que o bibliófilo e enxadrista Renato Berbert de Castro (1914-1999), em artigo na revista "Xadrez Brasileiro" (setembro de 1947), especular que a primeira partida de xadrez no Brasil foi entre Caminha e Cabral.

Há possibilidades de até muitas partidas terem sido jogadas naqueles dez dias que as treze naus portuguesas estiveram ancoradas na atual Baía Cabrália. Entre os mais de mil tripulantes da frota, havia alguns de elevada categoria social, como Nicolau Coelho, Sancho de Tovar, Pedro de Ataíde, Gaspar de Lemos e outros, que poderiam ter jogado xadrez nas caravelas, segundo a premissa que os navegadores portugueses daquela época tinham o costume de jogar xadrez em seus navios. Pode ser que até nas expedições colonizadoras dos séculos XVI e XVII se jogasse xadrez nas embarcações atracadas nos portos brasileiros que iam sendo inaugurados.

Podemos especular também a existência de enxadristas na comitiva de Dom João VI (1767-1826), que desembarcou no Brasil em 1808. Cerca de quinze mil súditos o acompanharam na sua fuga de Portugal por causa de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Como a maioria era de nobres, é bem viável essa afirmativa. Ao menos o filho de Dom João VI, o futuro imperador do Brasil Dom Pedro I (1798-1834) gostava de xadrez. Há no Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro) algumas peças de rico jogo modelo chinês e um grande e artístico tabuleiro, que pertenceram ao Dom Pedro I. Aliás, Dom João trouxe de Lisboa uma quantidade enorme de livros, que formaram o acervo inicial da atual Biblioteca Nacional. Entre as obras literárias, duas são referentes ao xadrez: 'Repeticion de Amores y Arte de Axedrez", publicada em 1497 pelo enxadrista espanhol Juan Ramirez de Lucena (1465-1530); e o poema em Língua Latina de 1527 "Scacchia Ludus" do filósofo italiano Marcos Jerônimo Vida (1480-1566), que narra uma batalha de xadrez no Olímpio sob a proteção da deusa Caissa.

Em 1863, em seu "Traité Élémentaire du Jeu de Échecs", o francês Le Comte de Basterot apontou o livro de Lucena como bastante raro. Basterot afirmou naquele ano que só existiam dois exemplares no mundo: um no British Museum (Londres); e o outro, descoberto pelo diplomata Heydebrand und der Lasa, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Exatamente o livro que Dom João VI trouxe de Portugal em 1808. Em 1974, o enxadrista carioca Altair de Souza constatou a existência do famoso livro no acervo da biblioteca. Por conta própria, mandou reproduzi-lo em fac-símile e distribuiu cópias para Grandes Mestres e jornalistas, inclusive eu, que escrevia na época uma coluna diária de xadrez no Jornal dos Sports do Rio de Janeiro.

Ao fim da primeira metade do século XIX, já havia no Rio de Janeiro bom número de enxadristas. Em razão disso, o Desembargador Henrique Veloso publicou, em 1850, o primeiro livro de xadrez no Brasil: "O Perfeito Jogador de Xadrez ou Manual Completo deste Jogo". No ano seguinte, ele editou outro livro: "Aditamento ao Tratado do Jogo de Xadrez", que era a ampliação melhorada do seu trabalho inicial. Naquela época, os enxadristas eram na maioria comerciantes estrangeiros estabelecidos na capital do Império, destacando-se os ingleses Jordan Cruise, Elkin Hime e o Dr. Pennel.

No período de 1859 a 1860, o famoso enxadrista e diplomata alemão Barão Tassilo von Heydebrand und der Lasa (1818-1899) morou no Rio de Janeiro, quando exerceu missão diplomática como ministro da antiga Prússia. Como vimos antes, der Lasa teve conhecimento na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro da existência de um exemplar do livro de Ramirez de Lucena. O barão foi autor do famoso "The Handbuch", que no século XIX era a bíblia do xadrez. Além da edição inicial de Bilguer em 1840, o Handbuch teve sete edições entre os anos de 1843 a 1891, todas as quais aumentadas e aperfeiçoadas por Lasa. Na sua passagem pelo Rio de Janeiro, ele jogou xadrez com três alemães e um inglês em sua residência no Andaraí Pequeno (atualmente bairro da Tijuca).

Em meados da década de 1860, o xadrez começou seu real desenvolvimento no Brasil, com a decisão de Artur Napoleão dos Santos de radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro. Foi o impulso que faltava para o jogo criar raízes em nosso País. Napoleão nasceu na cidade do Porto (Portugal) em 6 de março de 1843, filho do músico italiano Alexandre Napoleão e da portuguesa Joaquina Amália dos Santos. O casal teve nove filhos, mas em 1911 só três estavam vivos: o próprio Artur, Alfredo e Júlio. Este último foi morar na cidade gaúcha de São Gabriel, onde ainda residem seus descendentes. Artur Napoleão, que faleceu no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1925, não teve filhos, embora tenha se casado duas vezes, com Lívia Avelar e, após a morte desta, com Rita Leão.

Duas fotos de Artur Napoleão no Rio de Janeiro. Em 1857, aos 14 anos de idade, na sua primeira visita à cidade.

A segunda foto em 1889 já radicado no Rio há mais de vinte anos.

Além da família, outras duas paixões de Artur Napoleão (gravura no Rio em 1857) estavam concentradas na partitura e no tabuleiro. A música o fez viajar por quase todo o mundo, desde muito pequeno, pois foi criança prodígio. Nas suas andanças, aproveitava os intervalos dos recitais para se dedicar ao xadrez. Em 1859, com apenas 16 anos de idade, foi apresentado ao famoso Paul Morphy (1837-1884) no New York Chess Club. O grande enxadrista norte-americano olhou para o menino português e disse: "Quero jogar uma partida com o jovem Napoleão". Apesar de derrotado, Artur Napoleão foi muito aplaudido pelos assistentes. A primeira vez que veio ao Brasil exibir suas qualidades de pianista foi em 1857, quando chamou a atenção da imprensa e da nobreza pelo virtuosismo, apesar dos seus 14 anos de idade. Voltou diversas vezes ao Rio de Janeiro até a opção por morar no Brasil. A música lhe deu mais fama do que o xadrez. Por causa dela, existem dois logradouros em duas grandes cidades em sua homenagem. No Rio de Janeiro, há a Rua Artur Napoleão na Vila Kennedy, bairro de Bangu. Em São Paulo, a rua em sua homenagem fica no Jardim da Glória, perto do Cemitério de Vila Mariana. Em 1866, além de Artur Napoleão, o melhor enxadrista da capital do Império era Carlos Pradez. Mas já havia muitos amadores, que aumentaram com a publicação, sob a direção de Napoleão, da primeira seção de xadrez do Brasil na revista Ilustração Brasileira, de propriedade do jornalista Henrique Fleiuss. A coluna inicial saiu no dia 1º de fevereiro de 1877. Porém, ela acabou dois anos depois, por motivo da extinção da revista. Entretanto, o xadrez continuou a crescer na cidade, proporcionando em 1878 a fundação de um grêmio de xadrez, anexo ao Club Polytechnico, na Rua da Constituição. A diretoria era formada por Artur Napoleão, Visconde de Pirapetinga (pai de João Caldas Viana Neto) e o escritor Machado de Assis.

Para os parâmetros da época, o movimento desse pioneiro grêmio de xadrez era grande. Sempre cercado por assistência compenetrada, Artur Napoleão jogou memoráveis partidas com o então jovem oficial da Marinha e futuro almirante, Luís Felipe Saldanha da Gama (1846-1895). Saldanha da Gama, na época já herói da Guerra do Paraguai, era excelente jogador e teve a proeza de derrotar o famoso autômato de xadrez Ajeeb na Exposição de Filadélfia (Estados Unidos) em 1876 (Ajeeb, igual ao seu precursor Turco de Maelzel, era uma máquina com figura de gente e operada por forte enxadrista escondido em seu interior).

Anos mais tarde, em 1880, na residência de Artur Napoleão, na Rua Marquês de Abrantes (bairro de Botafogo), realizou-se minitorneio, que deve ser o primeiro do Brasil. Participaram, além do anfitrião, o advogado João Caldas Viana Neto, o escritor Machado de Assis, o poeta Vitoriano José Palhares, o veterano enxadrista Carlos Pradez e Joaquim Navarro. A competição foi vencida por Napoleão. Caldas Viana chegou em segundo; e Carlos Pradez, em terceiro. Vejamos como foi a vitória de Artur Napoleão (brancas) sobre Caldas Viana, que aceitou o Gambito Evans, muito usado no século XIX:

O experiente Artur Napoleão (com 37 anos de idade) preparou uma cilada, com base no Mate Philidor. E o inexperiente Caldas Viana (com apenas 17 anos de idade) caiu. Em 1883, o Club Beethoven organizou evento um pouco maior. Artur Napoleão não participou, porque fez parte do comitê organizador. O campeão foi Caldas Viana, seguido por Carlos Pradez. No dia da solenidade de entrega dos prêmios, Caldas Viana, então com 21 anos de idade, conduziu simultânea às cegas contra dois tabuleiros, vencendo uma partida e perdendo a outra por erro de enunciado. O feito está registrado na revista francesa La Stratégie (maio de 1893, página 51). Em 1887, Artur Napoleão promoveu na sua coluna de xadrez do Jornal do Comércio o primeiro torneio de problemas do Brasil. Ele fez parte da comissão de juízes, juntamente com G. Sauerbron e J. M. Bastos Pereira. Os principais prêmios foram conferidos a Caldas Viana, Rodolfo Eichbaun, Dario Galvão, Luís Soares e Napoleão Jeolás.

O grande pianista luso-brasileiro, além do grêmio de xadrez do Club Polytechnico, fundou outros clubes de xadrez no Rio de Janeiro, com destaque para o organizado em 1880 na Rua do Ouvidor; para o Clube de Xadrez Fluminense; e para o da Rua Gonçalves Dias. A diretoria deste último era assim constituída: presidente - Artur Napoleão, vice-presidente - João Caldas Viana Neto, secretário - Teófilo Torres, tesoureiro - F. Viana Neto, comissário - Cesário Machado. Outra grande iniciativa de Artur Napoleão foi a organização, com auxílio de Caldas Viana, Teófilo Torres e A. G. Meschick, de um espetáculo de xadrez com peças vivas, no dia 9 de agosto de 1897, no Teatro São Pedro (atual Teatro João Caetano). As damas e as torres foram representadas por senhoritas da sociedade da capital federal da nova república, na época presidida por Prudente de Morais (1841-1902). Os reis, bispos e cavalos por homens ilustres. Os peões por crianças de ambos os sexos. Todos os personagens vestidos elegantemente e caracterizando as peças do jogo. A partida terminou empatada e bastante aplaudida pelos espectadores.

A participação de Artur Napoleão na imprensa enxadrística também foi intensa. Além da coluna pioneira na revista Ilustração Brasileira, ele escreveu durante dois anos (1879-1880) uma na Revista Musical e Belas Artes, de sua propriedade. Em 1884, dirigiu seção no semanário humorístico "A Distração". Em 1886, iniciou a excelente coluna no Jornal do Comércio aos domingos. Esta seção foi continuada, anos mais tarde, sob a direção de João Caldas Viana Neto. Napoleão publicou três livros de xadrez: "Primeiro Torneio de Problemas do Rio de Janeiro" (1888), "Problemas, Enigmas, Esfinges e Fantasias" (1887) e "Caissana Brasileira" (1898). Este último livro foi a sua maior obra literária. Foi impresso na gráfica do Jornal do Comércio e contém 505 diagramas de problemas de autores brasileiros, inclusive do escritor Machado de Assis, do Almirante Saldanha da Gama e do maestro Leopoldo Miguez. Há também excelente introdução histórica da participação do autor no xadrez do Rio de Janeiro, código das leis do jogo e a relação completa da sua biblioteca de xadrez.

A biblioteca de Artur Napoleão era constituída por cerca de 500 livros e algumas coleções de revistas encadernadas. Um acervo quase todo nos idiomas francês, inglês, italiano e alemão. Entre os exemplares da coleção, existiam obras que naquela época já eram consideradas raridades e relíquias. Vejamos algumas: "Il Giuco Incomparabili degli Scacchi", de Ponziani, editado em Veneza 1812; "Il Giuco degli Scacchi", de Ruy Lopes, editado em Veneza 1584; "Il Giuco degli Scacchi", de Sálvio, editado em Nápoles 1723; "Essai sur le Jeu des Échecs", de Stama, editado em Paris 1723. Philidor, por ser também músico, mereceu um destaque na biblioteca de Artur Napoleão. Além da primeira edição (1749) e a segunda (1777) do famoso livro "Analyse du Jeu de Échecs" de François-Andre Danican Philidor (1726-1795), Napoleão possuiu edições publicadas após a morte de Philidor editadas nos anos de 1821, 1844 e 1871 (esta, além do texto de Philidor, contém 68 partidas jogadas por ele). Na biblioteca existia ainda a coleção completa da revista francesa "La Stratégie", desde o primeiro número até o lançamento do livro "Caissana Brasileira", ou seja, de 1867 a 1898, encardenada em 31 volumes.

Mate em dois lances

O problema acima é de autoria de Machado de Assis. Foi publicado por Napoleão na Caissana Brasileira. Solução: 1.Bb5

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), Leopoldo Américo Miguez (1850-1902) e Antônio Carlos Gomes (1836-1896) foram os intelectuais que, que além da literatura no caso de Machado de Assis e da música no de Miguez e Carlos Gomes, praticaram o xadrez com assiduidade no tempo de Artur Napoleão. Dos três, porém, o que mais se dedicou à arte de Caissa foi o autor de Dom Casmurro. Machado de Assis participou de muitos torneios e deixou registrado coisas do xadrez em sua soberba obra literária. Podemos encontrar menção sobre o jogo em muitas das suas crônicas na revista "A Semana". E nos romances: "Esaú e Jacob" (capítulo XII), "Iaiá Garcia" (capítulo XI e XII), "Qual dos Dois" (capítulo XII), "Memorial Aires" e "História dos Quinze Dias".

João Caldas Viana Neto

O maior jogador do País do século XIX e primeiras décadas do século XX foi João Caldas Viana Neto. Informalmente, foi o primeiro mestre internacional do Brasil. Na época, não existia oficialmente o título de MI e nem a FIDE (Fédération Internationale des Échecs, que foi fundada em 20/7/1924) para homologá-lo. Mas a opinião pública ortogava-o a jogadores que se destacavam no cenário mundial. Caldas Viana fez jus ao título por sua carreira enxadrística, principalmente por ter empatado com o forte mestre alemão Richard Teichmann (1868-1925), quando da passagem deste pelo Rio de Janeiro em 1905. Também por ser Caldas Viana um problemista de renome internacional. Em 1900, o notável enxadrista brasileiro já era conhecido na Europa e Estados Unidos por produzir a bela seqüência de sacrifícios e combinações, bem ao estilo romântico da época. A partida é chamada com justiça de Imortal Brasileira. Vejamos como Caldas Viana conduziu as peças brancas contra Silvestre de Barros de pretas:

Caldas Viana também se notabilizou como grande teórico. Foi o criador da Variante Rio de Janeiro na Defesa Berlinesa da Abertura Ruy Lopes. O então campeão mundial Emanuel Lasker (1868-1941) fez excelente estudo desta variante na revista francesa La Stratégie, no ano de 1913, quando a chamou de desenvolvimento moderno e o melhor seguimento para quem optar pela Defesa Berlinesa.

João Caldas Viana Neto pertencia a uma nobre e tradicional família da cidade de Campos (RJ), onde nasceu no dia 4 de setembro de 1862. Seu avô por parte de pai, João Caldas Viana (1806-1862), foi fazendeiro, político conhecido no Império e presidente da província do Rio de Janeiro nos anos de 1843 e 1844. O pai do grande enxadrista, João Caldas Viana Filho (1837-1895), o Visconde de Pirapetinga, também foi apaixonado pelo xadrez, tendo dirigido alguns clubes com Artur Napoleão. Era um nobre da corte imperial e amigo do Imperador Dom Pedro II.

O filho do Visconde de Pirapetinga iniciou na arte da deusa Caissa nos clubes administrados pelo pai e pelas revistas especializadas que o visconde mandava vir da Europa. Além de enxadrista notável, João Caldas Viana Neto foi excelente advogado e jornalista. Trabalhou com Rui Barbosa e foi secretário da missão de Joaquim Nabuco na questão de limites do Brasil com a Guiana Inglesa. Caldas Viana Neto contraiu núpcias com a prima Maria Margarida.Ficou viúvo e tornou-se a casar com outra prima, Maria Augusta. As duas esposas eram filhas de irmão diferentes do Visconde de Pirapetinga. O enxadrista Luís Viana (1894-1970), campeão carioca de 1927 e que manteve nas décadas de 1920, 1930 e 1940 boa coluna de xadrez em O Globo chamada "Entre as Torres", também era primo de Caldas Viana Neto. Por força de matrimônios entre a família, o dois tinham outros laços de parentescos (Luís Viana era irmão da segunda esposa de Caldas Viana Neto e casou-se com a filha deste com a primeira mulher). Portanto, Luís Viana era primo, cunhado e genro de Caldas Viana Neto. A morte de João Caldas Viana Neto, em 4 de outubro de 1931, ecoou em todo o Continente. A revista argentina "El Ajedrez Americano"(nº 50 - novembro de 1931) dedicou duas páginas, com a seguinte manchete: "Há Muerto el Patriarca del Ajedrez Sudamericano". No Rio de Janeiro, foi instituída a Prova Clássica João Caldas Viana, disputada anualmente e que, por muito tempo, despertou mais interesse dos enxadristas, dos organizadores e da imprensa do que o Campeonato Brasileiro.

Um outro enxadrista contemporâneo de Artur Napoleão foi o inglês Charles Edward Corbett (1841-1895). Ele chegou ao Rio de Janeiro em 1865 aos 24 anos de idade. Na então capital do Império, esposou a brasileira Elisa March Ewbank, filha de ingleses. Logo depois, os dois foram para São Paulo. Corbett estabeleceu comércio na antiga Rua da Caixa D'Água (atual Rua Barão de Paranapiacaba), que fica ao lado da Catedral da Sé. O enxadrista inglês foi o precursor da organização do xadrez bandeirante. Depois, surgiram outros pioneiros: Conde de Itu, Antônio Joaquim de Macedo Soares, Miguel Genin, Ferreira Lobo e Maurício Levy. Corbett também inaugurou no dia 14 de fevereiro de 1885 no Diário Popular a primeira coluna de xadrez de São Paulo, a qual dirigiu até outubro de 1886. Em 1899, Maurício Levy começou a escrever uma coluna de xadrez também no Diário Popular, que a manteve por mais de cinqüenta anos até o dia da sua morte.

A vida enxadrística da romântica cidade de São Paulo no final do século XIX era praticamente no Café Guarani (uma espécie de Café La Régence de Paris). Numa cidade sossegada, com a população de cerca de 250 mil habitantes, os enxadristas bandeirantes voltavam para a casa altas horas da noite pelas ruas tranquilas e amigáveis, após o lazer frente ao tabuleiro. Justamente em um bar do Largo General Osório, em 12 de junho de 1902, foi fundado o Clube de Xadrez São Paulo. Seus fundadores eram maiorias alemães: F. C. Lichtenberger (o primeiro presidente), A. Ravache, F. Suder, C. Araújo, C. Henning, H. Muller, C. Jerosch, L. Villa Real, R. Lachanann e A. Scmidd. Logo após a fundação, antigos enxadristas da cidade aderiram a idéia: Maurício Levy, José Eduardo de Macedo Soares, Alexandre Haas e Paulo Tagliaferro. O novo clube manteve intercâmbio com enxadristas cariocas, disputando matches telegráficos com os da Capital Federal. Na década de 1920, o CXSP em diversas oportunidades recebeu em sua sede visitas de equipe do Rio de Janeiro.

Na Capital Federal, o Clube de Xadrez do Rio de Janeiro contratou em 1925 o Grande Mestre Ricardo Reti (1889-1929) para uma estada na cidade durante um mês. Reti jogou simultâneas sem ver o tabuleiro, deu aulas teóricas e conferências. Em uma das simultâneas sem ver o tabuleiro, enfrentou os doze melhores jogadores do Rio de Janeiro. Eis os resultados: venceu oito partidas (João Souza Mendes, Edmundo Gastão da Cunha, Tasso Mota, Lacerda Guimarães, A. Montenegro, L. Botelho, Eduardo Bártoli e Ricardo Ferreira), empatou três (Barbosa de Oliveira, Alberto Gama e Heitor Bastos) e perdeu para Phillip Wennestron. Em São Paulo, também em 1925, Reti estabeleceu novo recorde mundial de simultâneas às cegas. Jogou contra 29 enxadristas: venceu vinte, empatou sete e perdeu duas partidas.

Na condição de campeão mundial, o cubano Raul Capablanca (1888-1942) esteve em 1927 no Rio e em São Paulo, aproveitando a viagem para Buenos Aires, onde perderia o título para Alexander Alekhine (1892-1946). Em São Paulo, Capablanca realizou concorrida sessão de partidas simultâneas no CXSP. No Rio de Janeiro, jogou partida de consulta contra forte equipe carioca. A visita de Capablanca encerrou uma era do xadrez do Brasil, pois o ano de 1927 marcou o início da epopeia do Campeonato Brasileiro.

 

Campeonato Brasileiro 1927

Campeão: João Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Vicente Túlio Romano

Local: Rio de Janeiro (DF)

Na antiga Capital Federal, aconteceu o primeiro Campeonato Brasileiro, disputado em outubro de 1927, no Clube de Xadrez do Rio de Janeiro. Após turno inicial, que eliminou Meir Lerman do antigo Estado do Rio; o campeão do Distrito Federal, João de Souza Mendes (35 anos) venceu o campeão paulista, Vicente Túlio Romano (29 anos) por 3,5 a 1,5 (três vitórias, um empate e uma derrota). A última das seis partidas previstas não foi necessária jogar, pois Souza Mendes conquistou o título ao ganhar a quinta partida. Antigamente o ano do primeiro Campeonato Brasileiro era erradamente aceito como se fosse em 1925. A partir de 1956, por erro da revista "Xadrez", todas as publicações futuras, inclusive as minhas, incidiram no engano. Na verdade, o campeonato foi em 1927, como atestam as seções especializadas dos jornais, a revista argentina "Ajedrez Americano" e o livro "Curso Elementar de Xadrez", editado em 1928 por Francisco Vieira Agarez (1896-1947). Houve um equívoco da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) ao informar à revista "Xadrez" o ano de 1925. Foi interpretado mal a realidade que o primeiro campeonato foi realizado poucos meses após a fundação da Federação Brasileira de Xadrez (nome que tinha a CBX até 1941). A data de 6/11/1924 não é a da fundação da FBX, mas sim a data que ficou pronto seu estatuto. A primeira diretoria da FBX foi eleita em 1927 e seu primeiro presidente foi Gustavo Garnott (coluna de xadrez do Jornal de Charadas - 1927).

O campeão brasileiro de 1927, João de Souza Mendes Júnior, nasceu na Ilha dos Açores (Portugal) em 23 de junho de 1892. Veio para o Brasil muito jovem e se naturalizou brasileiro. Aprendeu a jogar xadrez em 1910, quando era estudante de Medicina. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 10 de julho de 1969. Nas últimas horas de vida no Hospital dos Servidores (RJ), recebeu a visita de Hilwan Cantanhede (presidente da federação de xadrez do Rio). Ao saber que Cantanhede iria a São Paulo levar a lista dos participantes do Rio ao Brasileiro de 1969, pediu para que o inscrevesse, pois tinha direito. Acrescentou que já estava bom e logo viajaria para São Paulo. Cantanhede chegou a São Paulo e solicitou a inscrição de Souza Mendes no campeonato. Os dirigentes paulistas ficaram assustados, pois Souza Mendes havia falecido (Cantanhede viajando nada sabia). Souza Mendes participou muitas fases finais do Campeonato Brasileiro e até no leito da morte desejou tomar parte da competição.

O vice-campeão brasileiro de 1927, Vicente Túlio Romano, nasceu em 1898 e faleceu em 1962. Começou a jogar xadrez no Automóvel Clube de São Paulo em 1919, clube que foi campeão em 1921. Foi campeão paulista em 1927. Em 1933, realizou viagem à Europa, onde jogou com Znosko-Borowski e Tartakower. Nessa excursão, disputou uma simultânea em Portugal contra 16 enxadristas (venceu oito, perdeu seis e empatou duas partidas)

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1927

Souza Mendes 1 x 0 Túlio Romano - 1a. partida

 

Túlio Romano 1 x 0 Souza Mendes - 2a. partida

 

Souza Mendes 1 x 0 Túlio Romano - 3a. partida

 

Souza Mendes 1 x 0 Túlio Romano - 5a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1928

Campeão: João Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

O segundo Campeonato Brasileiro também foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, o então Distrito Federal. A sede das partidas foi no Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, durante os meses de setembro e outubro de 1928. O jovem estudante de Medicina Walter Oswaldo Cruz, com 18 anos de idade e filho do famoso médico sanitarista e cientista Oswaldo Cruz, tornou-se o desafiante do campeão João de Souza Mendes Júnior, sem disputar esse direito com o campeão paulista Vicente Túlio Romano, que desistiu de vir ao Rio.

O match entre Souza Mendes e Walter Cruz foi em dez partidas e terminou empatado em 5 a 5. Souza Mendes, por ser o campeão, conquistou o título com o empate, de acordo com o regulamento da competição. João de Souza Mendes iniciou o match arrasador, vencendo as duas primeiras partidas e empatando a terceira. Depois, veio a sensacional reação de Walter Cruz, que ganhou a quarta, sexta e sétima e empatou a quinta. Nesse momento, o resultado parcial era favorável a Walter Cruz por 4 a 3. O experiente Souza Mendes não se perturbou e venceu a oitava. Walter Cruz triunfou na nona, passando a liderar novamente por 5 a 4. Precisava apenas do empate na décima para ser campeão. Porém, uma falha infantil lhe foi fatal (perdeu a qualidade no início do jogo). Souza Mendes aproveitou a vantagem e venceu a partida, conquistando o bicampeonato brasileiro.

Durante o match, Luís Viana - redator de xadrez do jornal "O Globo" - desafiou Walter Cruz para uma série de partidas a ser efetuada em janeiro de 1929. O prêmio seria de um conto de réis (muito dinheiro para época). Cada um teria que depositar no banco a quantia de quinhentos mil réis. Walter Cruz desistiu de disputar o match, por causa das críticas da imprensa paulista contra esse tipo de apostas no xadrez.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1928

Walter Cruz 1 x 0 Souza Mendes - 4a. partida

 

Souza Mendes 0 x 1 Walter Cruz - 7a. partida

 

Walter Cruz 0x 1 Souza Mendes - 8a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1929

Campeão: João Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

Logo após a conquista do título de 1928, João de Souza Mendes Júnior manifestou interesse em colocá-lo em jogo contra o campeão paulista Vicente Túlio Romano, mesmo sem autorização da Federação Brasileira de Xadrez. No início de 1929, os dois chegaram até marcar para março o match pelo cetro nacional. Porém, em fevereiro, Túlio Romano desistiu. Acabou vindo de São Paulo o forte enxadrista Manuel Madeira de Ley. O match entre Souza Mendes e Madeira de Ley foi realizado de 15 a 21 de março, no Rio de Janeiro, em quatro partidas. Souza Mendes venceu com facilidade por 4 a 0. Embora tenha posto o título em jogo, Mendes não deveria perdê-lo se acontecesse sua derrota, porque a FBX reiterou que a disputa não era legal.

A competição oficial, organizada e dirigida pela FBX, foi nos meses de junho e julho de 1929, na sede da entidade, na Rua Uruguaiana, Rio de Janeiro (DF), foto ao lado. O campeão Souza Mendes teve como adversário o mesmo do ano anterior: Walter Oswaldo Cruz. A primeira das dez partidas previstas (dia 20 de junho) foi vencida por Walter Cruz, dando a impressão aos assistentes que destronaria o campeão, fato que por pouco não aconteceu no Brasileiro anterior. Souza Mendes, todavia, atuou muito melhor em 1929 que no match de 1928. Com inteiro domínio sobre o adversário, ele ganhou a segunda, terceira, quinta e sétima partidas e empatou a quarta e a sexta. Após a sétima partida, com o placar favorável por 5 a 2 (quatro vitórias, dois empates e uma derrota), Souza Mendes conquistou o tricampeonato brasileiro. Não foi necessário jogar as três últimas, pois, mesmo que ele perdesse essas três últimas partidas, o título também seria seu com o empate no match por 5 a 5.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1929

Walter Cruz 1 x 0 Souza Mendes - 1a. partida

 

Souza Mendes 1 x 0 Walter Cruz - 2a. partida

(as pretas continuaram jogando, a partir do lance 28, abandonando no lance 40)

 

Walter Cruz 0 x 1 Souza Mendes - 3a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1930

Campeão: João Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: José Lacerda Guimarães (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF

Campeão: Vice-campeão: Local: ) O IV Campeonato Brasileiro foi disputado entre 14 de fevereiro a 21 de março de 1930, no mesmo palco de uma das mais efervescentes disputa política no Brasil. O match pelo título máximo do xadrez brasileiro iniciou-se quando o ambiente na cidade do Rio de Janeiro, a Capital Federal, estava tenso com a proximidade da mais turbulenta eleição presidencial da história do País. Mas também era época da maior festa popular do Rio. O carnaval daqueles tempos era bastante diferente dos de hoje. Havia batalhas de confetes quase todos os dias nas ruas da metrópole, bem antes da data oficial do tríduo de momo. O pleito eleitoral para substituir o Presidente Washington Luís foi justamente no sábado de carnaval, dia 1º de março. Getúlio Vargas obteve vitória espetacular na antiga capital da República, mas perdeu as eleições para Júlio Preste na soma geral do País. Essa derrota, afirmada por muitos com fraudulenta, aumentou as hostilidades políticas. Foi a semente para a futura revolução de outubro de 1930.

Cercados por esse clima carnavalesco e político, na sede do Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, dois enxadristas lutavam pelo título brasileiro: João de Souza Mendes Júnior, tricampeão nacional; e o desafiante José Lacerda Guimarães, campeão carioca de 1929. Souza Mendes não precisou das dez partidas previstas. Só bastou sete para impor a vitória por 5 a 2 (quatro vitórias, dois empates e uma derrota). Na terceira partida (dia 21/2/1930), o match foi suspenso por causa do carnaval, apesar de faltar uma semana para seu início oficial. A disputa só foi reiniciada dezoito dias depois (11 de março), a primeira terça-feira após os festejos momescos, com a quarta partida, na qual Souza ampliou sua vantagem, para ganhar o título na sétima.

José Lacerda Guimarães, o vice-campeão brasileiro de 1930, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 19/3/1903 e faleceu também no Rio de Janeiro (RJ) em 27/8/1984. Foi campeão carioca em 1929.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1930

Lacerda Guimarães 0 x 1 Souza Mendes - 1a. partida

 

Souza Mendes 0 x 1 Lacerda Guimarães - 2a. partida

 

Lacerda Guimarães 0 x 1 Souza Mendes - 3a. partida

 

Lacerda Guimarães 0 x 1 Souza Mendes - 7a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1932

Campeão: Orlando Roças Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Alberto Machado Gama (RJ)

Local: Rio de Janeiro (DF)

A partir do término do IV Campeonato Brasileiro em 21 de março de 1930, decorreram 34 meses para a Federação Brasileira de Xadrez dar início a quinta edição da competição em 10 de janeiro de 1933. Problemas administrativos da entidade e a impossibilidade, por motivo de força maior, do campeão João de Souza Mendes de colocar o título em jogo foram as causas principais desse longo período sem a disputa do Brasileiro. Outro fator foi a morte de João Caldas Viana Neto em outubro de 1931, razão que fez o Clube de Xadrez do Rio de Janeiro promover uma prova clássica em homenagem ao grande enxadrista falecido, que contou com os mais fortes jogadores da capital. Por tudo isso, a FBX resolveu não efetuar o Campeonato Brasileiro de 1931.

O campeonato de 1932, também por causa da Prova Caldas Viana, foi adiado para janeiro de 1933. Na nova data para o Campeonato Brasileiro de 1932, por falta de divulgação, a FBX só recebeu inscrição de dois campeões: Orlando Roças Júnior, campeão do Distrito Federal (Rio); e Alberto Machado Gama, campeão do antigo Estado do Rio de Janeiro. Souza Mendes chegou a se inscrever, mas desistiu pouco antes do início da competição. Vicente Túlio Romano, campeão paulista, esteve no Rio alguns dias do início do campeonato, mas regressou a São Paulo sem ser informado da data de início da competição. O match entre Orlando Roças e Alberto Gama foi em quatro partidas, de 10 a 22 de janeiro de 1933. Roças conquistou o título ao vencer por 3 a 1 (duas vitórias e dois empates).

O campeão brasileiro de 1932, Orlando Roças Júnior (foto), nasceu no Rio de Janeiro em 14/2/1911. Aprendeu a jogar xadrez aos 15 anos de idade no então bucólico bairro de Ipanema (Zona Sul do Rio). Foi campeão da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde colou grau de bacharel em 1931. Mesmo com a participação dos grandes jogadores da época, Roças teria condições de ganhar o título, pois apesar da pouca idade (21 anos) já possuía excelente bagagem enxadrística. Foi vice-campeão em 1931 e 1932 da difícil Prova Clássica Caldas Viana. Ganhou em grande estilo o Campeonato do Distrito Federal (Rio de Janeiro) de 1932, triunfo que lhe deu o direito de se inscrever no Brasileiro. Orlando Roças faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 9/8/1975, após três anos de sofrimento por motivo de um derrame cerebral, que o deixou na cama praticamente sem movimentos. O vice-campeão brasileiro de 1932, Alberto Machado Gama, já falecido, nasceu em 16/3/1905. Foi campeão carioca do interclubes em 1936 (Clube de Xadrez Rio de Janeiro) e 1937 (Botafogo).

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1932

Orlando Roças 0,5 x 0,5 Alberto Gama -1a. partida

 

Alberto Gama 0,5 x 0,5 Orlando Roças - 2a. partida

 

Orlando Roças 1 x 0 Alberto Gama - 3a. partida

 

Alberto Gama 0 x 1 Orlando Roças - 4a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1933

Campeão: Orlando Roças Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: João de Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Local: Local: Rio de Janeiro (DF)

Como aconteceu em 1932, o Campeonato Brasileiro de 1933 também foi adiado por motivo da Prova Clássica Caldas Viana Neto. O Brasileiro foi disputado no ano seguinte no período de 20 de fevereiro a 15 de março de 1934. Orlando Roças Júnior confirmou sua força enxadrística ao conquistar novamente o troféu, mas desta vez valorizada em um duelo contra o grande João de Souza Mendes Júnior. A luta pelo cetro nacional ficou reduzida aos dois enxadristas, pois o outro representante do Distrito Federal Caubi Pulcherio, único campeão nacional inscrito, desistiu de jogar a semifinal com Souza Mendes.

Assim, a Federação Brasileira de Xadrez programou uma série de dez partidas entre Roças e Mendes, que terminou empatada em 5 a 5, resultado que deu o bicampeonato brasileiro a Orlando Roças por ter sido o último campeão. O match foi tecnicamente fraco, com muitas falhas de ambos. Porém, bastante emocionante por causa das alternâncias no marcador. Roças triunfou na primeira partida. Mas Souza Mendes comandou o match até o início da última rodada. Esteve bem perto de recuperar o título. Após a sexta partida, Mendes vencia por 4 a 2 (vitórias na segunda, quarta e quinta partidas. Empates na terceira e sexta). Na sétima partida, perdeu pelo tempo, em uma posição que praticamente levaria a novo empate. A oitava e nona terminaram empatadas. Porém, Roças jogou bem o final da décima partida e conseguiu mais um ponto igualando o match em 5 a 5 e conquistando o título.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1933

Orlando Roças 1 x 0 Souza Mendes - 1a. partida

 

Souza Mendes 1 x 0 Orlando Roças - 4a. partida

 

Orlando Roças 1 x 0 Souza Mendes - 7a. partida

 

Souza Mendes 0 x 1 Orlando Roças - 10a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1935

Campeão: Tomás Pompeu Acioly Borges (Rio - DF)

Vice-campeão: Orlando Roças Júnior (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

No começo de 1934, era pensamento da Federação Brasileira de Xadrez atualizar a cronologia do Campeonato Brasileiro. A intenção era realizar em 1934 a competição atrasada de 1933 e do ano, ou seja, 1934. Mas a FBX só conseguiu em 1934 completar o campeonato de 1933 como vimos antes. Em janeiro de 1935, a cronologia do campeonato continuava defasada. Então, o presidente da FBX (Antônio Américo Barbosa de Oliveira) resolveu não efetuar o campeonato de 1934. Assim, no ano de 1935, foi realizada a sétima edição do Campeonato Brasileiro com data oficial de 1935. Logo após essa decisão, ainda no mês de janeiro, a FBX abriu inscrições para o Torneio Nacional de Seleção. Somente se inscreveram três enxadristas dos que tinha direito de participar: Tomás Pompeu Acioly Borges (campeão carioca de 1930), Ademar da Silva Rocha (campeão carioca de 1934) e Alberto Machado Gama (campeão do antigo Estado do Rio de 1934). Orlando Roças Júnior, o então campeão brasileiro; e João de Souza Mendes Júnior, vice-campeão brasileiro, não precisaram disputar a fase preliminar.

Mais uma vez o Campeonato Brasileiro não contava com outros campeões estaduais. A Prova Clássica Caldas Viana, promoção do Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, é que era a grande atração daqueles tempos. Muitos campeões regionais vinham ao Rio para tomar parte dela. Alguns de Estados longínquos, como foi o caso de Gilberto Câmara, campeão do Ceará. Eis a relação dos campeões da Prova Caldas Viana até 1935:

1931 - João de Souza Mendes - 42 participantes

1932 - Adolfo Berger - 36 participantes

1933 - Tomás Acioly Borges - 30 participantes

1934 - Caubi Pulchério - 15 participantes

1935 - Raul Charlier - 42 participantes

Enquanto isso, o 7º Campeonato Brasileiro começava em fevereiro de 1935 com apenas três inscritos para o Torneio Nacional de Seleção. Acioly Borges venceu os dois turnos da competição, totalizando três pontos ganhos (dois empates com Silva Rocha e duas vitória sobre Alberto Gama). Ademar Silva Rocha chegou em segundo lugar com 2,5 pontos. Alberto Machado Gama somou apenas meio ponto. Acioly Borges classificou-se para a disputa da semifinal com o então vice-campeão brasileiro João de Souza Mendes em quatro partidas. Em abril 1935, Borges venceu Mendes por 2,5 a 0,5 (duas vitórias e um empate), na maior contagem que um enxadrista havia conseguido até aquele ano sobre Souza Mendes. Com esse excelente resultado, Borges ganhou o direito de jogar um match de dez partidas com o campeão Orlando Roças.

A disputa da final de 1935 foi a mais tumultuada da história do Campeonato Brasileiro. A data de início do match foi transferida diversas vezes por Orlando Roças não concordar com o regulamento. Finalmente, começou em setembro de 1935. A primeira partida terminou empatada em 17 lances. Na segunda, novo empate em 27 lances. A terceira foi anulada pela Comissão de Juízes, que marcou nova data para ser jogada. Descontrolado e se sentido prejudicado, Orlando Roças insurgiu-se contra a diretoria da FBX e tentou agredir o árbitro principal Alcindo Caldas Viana (filho de João Caldas Viana Neto). O caos que se seguiu provocou a renúncia do presidente da FBX Antônio Américo Barbosa de Oliveira. Em 30 de setembro de 1935, foi eleito e empossado o novo presidente: Luís Felipe Burlamaqui. Com autoridade e energia, Burlamaqui cumpriu a decisão da Comissão de Juízes, determinando o dia e local para a disputa da terceira partida, que foi vencida por Acioly Borges por ausência de Orlando Roças. A quarta partida foi declarada empate, mas não se tem certeza se foi mesmo efetuada. A quinta novamente ganha por Acioly Borges por não comparecimento do adversário. Após essa quinta partida, a FBX encerrou o match com a vitória de Acioly Borges por 3,5 a 1,5. Borges, então foi proclamado o novo campeão brasileiro.

O campeão brasileiro de 1935, Tomás Pompeu Acioly Borges (foto), nasceu em Fortaleza no dia 17 de dezembro de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1986. Formou-se em Engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (Largo de São Francisco), onde foi campeão de xadrez em 1928. Conquistou diversas vezes o Campeonato Interclubes do antigo Distrito Federal (Rio de Janeiro), defendendo o Fluminense FC. Além do Campeonato Brasileiro, seu maior título foi o de vencedor da Prova Clássica Caldas Viana de 1933. Membro da Aliança Nacional Libertadora, participou ativamente da política brasileira na época da ditadura de Getúlio Vargas. Como o partido foi fechado durante o Estado Novo, Acioly manteve-se na clandestinidade, sendo preso várias vezes por motivos políticos. Foi companheiro de cela do escritor Graciliano Ramos, na Ilha Grande. Graciliano, aliás, narra no livro "Memórias do Cárcere" um feito de Acioly na prisão, que jogou simultânea sem ver o tabuleiro contra presos que estavam em outras celas. Uma verdadeira aula de xadrez no xadrez.

 

 

Campeonato Brasileiro 1938

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Vice-campeão: Otávio Trompowsky (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

A convulsão política dos anos da década de 1930 foi responsável pela não realização do Campeonato Brasileiro em 1936 e 1937, pois o então campeão Tomás Pompeu Acioly Borges esteve preso de março de 1936 até junho de 1937, por motivos políticos (era membro da Aliança Nacional Libertadora, partido antifascista fechado pelo Presidente Getúlio Vargas). No segundo semestre de 1937, mesmo em liberdade, Acioly continuava a ser perseguido, sendo condenado pelo Superior Tribunal Militar a três anos e dez meses de prisão. Antes de ser capturado novamente, ele se asilou na embaixada do Peru, seguindo para Paris. Depois, ficou exilado alguns anos na Argentina. Com o campeão fora do País, a Federação Brasileira de Xadrez resolveu reformular o regulamento do Campeonato Brasileiro. De acordo com as novas normas, a entidade abriu inscrições para o Torneio Nacional de Seleção a todos os enxadristas que já tivessem obtido o título de campeão brasileiro e campeão estadual. Além disso, a FBX teria o poder de convidar jogadores de reconhecida força, para completar o número mínimo de participantes. Os dois primeiros colocados dessa competição jogariam um match de dez partidas pelo título de campeão brasileiro. Os classificados foram Walter Cruz e Otávio Trompowsky.

O Torneio Nacional de Seleção foi realizado em janeiro e fevereiro de 1938 em dois turnos, com oito participantes (sete do antigo Distrito Federal, atual município do Rio de Janeiro): Souza Mendes (ex-campeão brasileiro), Otávio Trompowsky (campeão carioca de 1931),Joaquim de Almeida Pinto (campeão carioca de 1936), Walter Cruz e Ademar da Silva Rocha, que dividiram o título carioca de 1937. Os outros três concorrentes foram convidados pela FBX: Edvaldo Vasconcelos, Davi Ballesteros e José Ávila Goulart. Edvaldo Vasconcelos, representante do antigo Estado do Rio de Janeiro, foi o único participante fora da capital federal. Novamente, fortes enxadristas de outros Estados não se inscreveram. O ex-campeão brasileiro Orlando Roças também não quis participar, talvez por causa da briga com a diretoria da FBX no campeonato anterior.

TORNEIO NACIONAL DE SELEÇÃO - 1938

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
PG
1 - Walter Cruz - Rio-DF
2
2
1
1
1,5
2
2
11,5
2 - Otávio Trompowsky - Rio-DF
0
1,5
1,5
2
2
1
2
10,0
3 - Souza Mendes - Rio-DF
0
0,5
1
2
2
2
2
9,5
4 - Ademar Silva Rocha - Rio-DF
1
0,5
1
1
2
1,5
2
9,0
5 - Joaquim Almeida Pinto - Rio-DF
1
0
0
1
2
2
2
8,0
6 - Davi Ballestero - Rio-DF
0,5
0
0
0
0
2
1
3,5
7 - José Ávila Goulart - Rio-DF
0
1
0
0,5
0
0
2
3,5
8 - Edvaldo Vasconcelos - RJ
0
0
0
0
0
1
0
1,0

Walter Cruz venceu invicto e com maestria o Torneio Nacional de Seleção, com vantagem de um ponto e meio sobre Otávio Trompowsky, o segundo colocado. O match pelo título brasileiro, realizado em fevereiro de 1938, seria em dez partidas, mas terminou na sétima por desistência de Trompowsky. Com o triunfo por 4 a 3 (duas vitórias, quatro empates e uma derrota), Walter Cruz conquistou o título de campeão brasileiro de 1938. Walter Oswaldo Cruz (foto) nasceu em Petrópolis (RJ) no dia 23 de janeiro de 1910 e faleceu no Rio de Janeiro em 3 de janeiro de 1967. Era filho do grande médico sanitarista Oswaldo Cruz, cujo prestígio no início do século XX ultrapassou as fronteiras do Brasil. Walter Cruz também foi médico, especialista em hematologia. Trabalhou no famoso Instituto de Manguinhos (Avenida Brasil, Rio de Janeiro), que foi fundado pelo pai e hoje tem o nome de Instituto Oswaldo Cruz. Um mês após conquistar o Campeonato Brasileiro de 1938, virou notícia nas principais colunas de xadrez do mundo, porque empatou com o então campeão mundial Alexander Alekhine, no Sul-Americano de Carrasco (Montevidéu, Uruguai). Walter Cruz foi diversas vezes campeão do Interclubes-RJ pela equipe do Fluminense. Manteve boa coluna de xadrez na revista O Cruzeiro e escreveu interessante livro intitulado "Repertório de Aberturas". Participou de nove campeonatos brasileiros: ganhou seis e foi vice-campeão nos outros três.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1938

Walter Cruz 1 x 0 Otávio Trompowsky - 4a. partida

 

Otávio Trompowsky 0,5 x 0,5 Walter Cruz - 7a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1939

Campeão: Otávio Trompowsky (Rio - DF)

Vice-campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

O match pelo Campeonato Brasileiro de 1939 proporcionou novamente o duelo entre Walter Cruz e Otávio Trompowsky. Porém, ao contrário de 1938, a vitória foi de Trompowsky. Conforme as normas introduzidas desde a competição anterior pelo Presidente Joaquim de Almeida Pinto, a Federação Brasileira de Xadrez realizou o Torneio Nacional de Seleção em janeiro de 1939, a fim de escolher o desafiante do campeão Walter Cruz. O próprio presidente, como aconteceu em 1938, foi um dos dez competidores. Fora da então capital federal (Rio de Janeiro), compareceram Edvaldo Vasconcelos, do antigo Estado do Rio de Janeiro; e Jaime Moses, campeão de Minas Gerais. Oswaldo Cruz Filho, irmão de Walter Cruz, também participou. Trompowsky e Caubi Pulchério ficaram empatados na primeira colocação do Torneio de Seleção, precisando de um match para definir o vencedor do torneio. Todavia, Pulchério desistiu de jogar esse match. Então, Trompowsky ganhou o direito de desafiar o campeão.

TORNEIO NACIONAL DE SELEÇÃO - 1939

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
PG
1 - Otávio Trompwsky - Rio-DF  
0
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
1
6,5
2 - Caubi Pulcherio - Rio-DF
1
0,5
0
0,5
0,5
1
1
1
1
6,5
3 - Ademar Silva Rocha - Rio-DF
0,5
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
0,5
1
6,0
4 - Oswaldo Cruz Filho - Rio-DF
0,5
1
0
1
0
0,5
1
1
1
6,0
5 - João de Souza Mendes - Rio-DF
0
0,5
0,5
0
1
0,5
1
1
1
5,5
6 - Jaime Moses - MG
0
0,5
0,5
1
0
0
1
1
1
5,0
7 - Joaquim Almeida Pinto - Rio-DF
0,5
0
0
0,5
0,5
1
0
0,5
1
4,0
8 - Manuel Madeira de Ley - Rio-DF
0
0
0,5
0
0
0
1
1
1
3,5
9 - Edvaldo Vasconcelos - RJ
0
0
0,5
0
0
0
0,5
0
1
2,0
10 - Luiz Burlamaqui - Rio-DF
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0

O match entre Trompowsky e Walter Cruz pelo título seria em dez partidas, mas terminou na oitava com a vitória de Trompowsky por 5,5 a 2,5 (cinco vitórias, um empate e uma derrota). Walter Cruz venceu a primeira. Porém, o desafiante reagiu e ganhou cinco partidas seguidas. Com a excelente vantagem no placar e precisando apenas do empate para conquistar o título brasileiro, Trompowsky jogou diferente na sétima partida. Ele testou análises embrionárias da abertura que mais tarde receberia seu nome. Essa estréia da sua novidade teórica não foi feliz, porque Walter Cruz desmoronou toda a sua estratégia. Na oitava partida, Walter Cruz jogou Db3 no lance 40, perturbado por sua seta do relógio estar a pique de cair (venceria com a sequência: 40.Cb4 Dxd3 41.Txa6+ bxa6 42.Cc6+ Ra8 43.Txb8++. O lance das pretas 40.... Dc7 também é perdedor, pois as brancas responderiam 41.Cxa6). Trompowsky empatou a partida e conquistou o título (ver a oitava partida mais adiante).

O campeão brasileiro de 1939, Otávio Figueira Trompowsky de Almeida (foto), nasceu no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1897 e faleceu na mesma cidade em 26 de março de 1984. Rua Marechal Trompowsky, no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro), é homenagem ao seu pai, Roberto Trompowsky Leitão de Almeida, importante militar da época da monarquia e começo da República. Seu irmão, o aviador Armando Trompowsky, também é imortalizado com nome de logradouro no Rio de Janeiro: Avenida Brigadeiro Trompowsky, no Galeão (Ilha do Governador). Otávio Trompowsky foi campeão carioca em 1921, 1923 e 1931. Foi campeão carioca Interclubes pelo Fluminense (1938, 1945 e 1946), pelo Clube de Xadrez do Rio de Janeiro (1947) e pelo Olímpico Clube (1958).

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1939

Otávio Trompowsky 0 x 1 Walter Cruz - 1a. partida

 

Walter Cruz 0 x 1 Otávio Trompowsky - 4a. partida

 

Otávio Trompowsky 1 x 0 Walter Cruz - 5a. partida

 

Walter Cruz 0,5 x 0,5 Otávio Trompowsky - 8a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1940

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Vice-campeão: Otávio Trompowsky (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

O Torneio Nacional de Seleção do Campeonato Brasileiro de 1940 deveria ser realizado em São Paulo, sob a direção do Clube de Xadrez São Paulo. Porém, problema relacionado pela mudança de local da sede do clube paulista fez com que, mais uma vez, a competição fosse disputada no Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, em fevereiro e março de 1940. Walter Oswaldo Cruz venceu com certa tranquilidade o Torneio Nacional de Seleção e ganhou o direito de jogar o match de dez partidas com o campeão Otávio Trompowsky. A grande sensação do seletivo foi o então jovem Joaquim Caetano Neto (foto), que chegou em segundo lugar e foi o único que derrotou o vencedor. O Torneio Nacional de Seleção de 1940 foi em dois turnos. A ompetição só teve representantes da antiga capital federal, o Distrito Federal (Rio de Janeiro).

TORNEIO NACIONAL DE SELEÇÃO - 1940

Classificação
1
2
3
4
5
PG
1 - Walter Oswaldo Cruz
0,5
1,5
2
1,5
5,5
2 - Joaquim Caetano Neto
1,5
1,5
0,5
0,5
4,0
3 - João Souza Mendes
0,5
0,5
1
2
4,0
4 - Oswaldo Cruz Filho
0
1,5
1
1
3,5
5 - Manuel Madeira de Ley
0,5
1,5
0
1
3,0

O match pelo Campeonato Brasileiro de 1940, realizado entre os dias 15 a 29 de abril de 1940, não precisou das dez partidas regulamentares. Bastou sete para Walter Cruz vencer por 5,5 a 1,5 (cinco vitórias, um empate e uma derrota) e recuperar o título. O terceiro match consecutivo Walter Cruz -Trompowsky despertou bastante interesse do público que presenciou as partidas. Era o grande desafio dos dois que disputaram entre si os matches dos campeonatos anteriores. A luta do campeão brasileiro de 1938 contra o de 1939. Além do mais, eles vinham de recentes empates com o então campeão mundial Alexander Alekhine. Walter Cruz no Sul-Americano de 1938. Trompowsky nas Olimpíadas de Buenos Aires em 1939. Walter Cruz levou a melhor na primeira partida (a menor do match, com apenas 23 lances). Otávio Trompowsky empatou a série, vencendo a segunda. A partir daí, Walter Cruz dominou completamente o adversário: venceu a terceira, empatou a quarta e ganhou seguidamente a quinta (a mais longa, com 85 lances e dez horas de jogo), a sexta (considerada pelo próprio Walter Cruz como seu melhor desempenho no match) e a sétima.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1940

Walter Cruz 1 x 0 Otávio Trompowsky - 1a. partida

 

Walter Cruz 1 x 0 Otávio Trompowsky - 3a. partida

 

Otávio Trompowsky 0 x 1 Walter Cruz - 6a. partida

 

Walter Cruz 1 x 0 Otávio Trompowsky - 7a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1941

Campeão: Ademar Silva Rocha (Rio - DF)

Vice-campeão: Arnaldo Parisot (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (DF)

O Campeonato Brasileiro de 1941 na verdade nunca foi realizado. Ademar Silva de Oliveira Rocha venceu a Prova de Honra Presidente Vargas e conseguiu anos mais tarde (1953) junto da diretoria da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) a homologação do título de campeão brasileiro de 1941 em razão da sua vitória no torneio em homenagem a Getúlio Vargas. A Prova de Honra Presidente Vargas, a primeira competição após a mudança da entidade nacional de Federação Brasileira de Xadrez para Confederação Brasileira de Xadrez, fez parte de tantas outras atividades esportivas, sociais e cívicas para festejar o quinquagésimo oitavo aniversário de Getúlio Vargas. A sessão inaugural da competição, no dia 17 de abril de 1941, no Ginástico Português, foi presidida pelo ministro da Viação e Obras Públicas, João de Mendonça Lima; e filmada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o mais poderoso órgão do Estado Novo.

A Prova Presidente Vargas, aberta a todos enxadristas do Brasil, estabeleceu novo recorde da América do Sul para torneios do gênero: 236 participantes. As rodadas foram disputadas nas sedes de 13 clubes do Rio de Janeiro: Ginástico Português, Central, Automóvel Clube, Clube Naval, Clube Militar, Olímpico Clube, Inapiários, Sul-America, Cocotá, Clube Municipal, Corpo Cooperador (da revista Xadrez Brasileiro), Flamengo e Sociedade Sul-Riograndense. O Esporte Clube Cocotá (Ilha do Governador) ganhou o setor de equipes do evento. Silva Rocha, ao vencer Arnaldo Parisot por 2 a 1, no match final, conquistou o torneio individual. Esse resultado fez com que doze anos mais tarde conseguisse da CBX o título de campeão brasileiro. A revista "Xadrez", editada em São Paulo por Márcio Elísio de Freitas, em seu número 6 (janeiro 1956), publicou uma relação de campeões brasileiros, sem constar o nome de Silva Rocha. Rocha escreveu para a revista reclamando do fato. A reclamação saiu no número 8 da revista. Em certo trecho da sua carta, Silva Rocha narra o seguinte: "O meu título de campeão brasileiro de 1941, foi oficialmente reconhecido pela Confederação Brasileira de Xadrez, conforme cópia da certidão anexa. Poderei enviar-lhe cópia fotostática da certidão, devidamente legalizada, se desejarem. Solicito a fineza de retificar essa notícia no próximo número da revista "Xadrez", envio-lhes as minhas saudações enxadrísticas". A seguir o texto da resposta da revista: "Aqui estamos para esclarecer o fato, e somente não o fizemos em nosso número anterior porque a carta de nosso estimado amigo Silva Rocha chegou tardiamente à nossa redação. Ocorre no caso, apenas uma questão de interpretação. A relação por nós publicada diz respeito aos campeonatos realizados, isto é, disputados em torneio. Assim, jamais pretendemos colocar em dúvida o título de campeão brasileiro de 1941, outorgado merecidamente a Ademar Silva Rocha pela Confederação Brasileira de Xadrez. A certidão aludida pelo distinto missivista é a seguinte:"

Confederação Brasileira de Xadrez
Certidão

Em atendimento ao requerido pelos Sr. Adhemar Silva de Oliveira Rocha, em sua carta de 21 de agosto de 1953, levada ao conhecimento e aprovada pela Diretoria em sua sessão de 9 de setembro de 1953, certifico que do livro de atas da Diretoria consta a fls. 20 e 20v o seguinte: ofício do Sr. Adhemar da Silva Rocha, solicitando o reconhecimento do título de campeão brasileiro de xadrez em virtude de ter participado de um torneio público realizado sob o patrocínio da CBX e haver recebido, em solenidade oficial, uma medalha alusiva ao feito, incluído no expediente da reunião de Diretoria de 12 de agosto de 1949; constando a fls. 20v e 21 que: "submetida à apreciação da Mesa o pedido do renomado enxadrista Silva Rocha foi o mesmo atendido, tendo o Sr. Presidente autorizado o Secretário a oficiar a respeito do assunto ao interessado", tendo a ata da referida reunião sido assinada por José Adail (secretário), Almeida Soares, Pompeu Acioly Borges, Lauro Braga e Sabino Ribeiro Júnior. Certifico ainda que a fls. 53v consta a transcrição do seguinte ofício: "1 - Rio de Janeiro, agosto 31, 1949 - Ilmo. Sr. Dr. Adhemar da Silva Rocha. Tenho o prazer de comunicar que, em fase da vossa solicitação, relativa a homologação do título que conquistastes em Torneio Aberto realizado em 1941, a Diretoria desta Confederação reunida em sessão plenária, reconhecendo os relevantes serviços que vindes prestando ao enxadrismo nacional e os reconhecidos méritos de que sois possuidor, resolveu reconhecer o vosso direito à conquista da honrosa láurea de Campeão Brasileiro de Xadrez do referido ano. Certo de que sabereis fazer jus a tão magna credencial, ilustrando com a vossa presença os certames realizados sob os auspícios desta entidade e emprestando o brilho de vossa inteligência à causa da arte de Caissa no Brasil, escuso-me de acentuar o caráter estritamente excepcional da decisão emanada dos atuais responsáveis pelos destinos do órgão supremo do enxadrismo pátrio. Limitado ao assunto, subscrevo-me com elevada e incontrastável consideração, José Adail Catunda Gondin, secretário". Nada mais havendo a consignar, encerro a presente certidão. Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1953, (ass.) Fernando de Almeida Vasconcelos, secretario (firma reconhecida no Tabelião José da Cunha Ribeiro do 21º Ofício de Notas do Rio de Janeiro).

Ademar Silva de Oliveira Rocha (foto), oficialmente o campeão brasileiro de 1941, nasceu em Valença (RJ) em 2 de julho de 1908. Faleceu em 14 de novembro de 1975, vítima de colapso cardíaco, quando caminhava pelo Centro do Rio de Janeiro. Foi campeão carioca em 1934, 1935 e 1937.

Com o título outorgado pela CBX a Silva Rocha, podemos considerar Arnaldo Parisot o vice-campeão brasileiro de 1941, pois Parisot foi o segundo colocado na Prova de Honra Getúlio Vargas. Arnaldo Parisot nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 10/10/1914. Faleceu também no Rio em 22/10/1975.

 

Campeonato Brasileiro 1942

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio - DF)

Vice-campeão: Paulo Roberto Duarte Filho (SP)

Local: Rio de Janeiro (DF)

Paulo Roberto Duarte Filho, representante de São Paulo, venceu o Torneio Nacional de Seleção de 1942 e ganhou o direito de desafiar o campeão Walter Cruz (é bom lembrar que Walter Cruz conquistou o Brasileiro de 1940, ostentando o cetro nacional até o início do campeonato de 1942, quando o colocou em jogo. O título de 1941 de Silva Rocha não existia na época, pois a CBX só o concedeu em 1953. Silva Rocha até disputou a fase preliminar do Brasileiro de 1942). O Torneio Nacional de Seleção de 1942 foi dividido em duas partes, cada uma classificando dois enxadristas para a fase decisiva.

PRELIMINAR DE TERESÓPOLIS (RJ) - 1) Jaime Moses (MG), 6,5 pontos; 2) Paulo Duarte (SP), 6; 3) Flávio Carvalho (SP), 5,5; 4) Caetano Neto (Rio-DF), 5; 5) J. T. Mangini (Rio-DF), 4,5; 6) J. Verna (MG), 4,5; 7) Washington de Oliveira (RJ), 2; 8) Oswaldo Marques (RJ), 1,5; 9) José Carlos de Almeida Soares (Rio-DF), 0,5 ponto.

PRELIMINAR DO RIO (DF) - 1) Luiz Burlamaqui (Rio-DF), 3,5 pontos; 2) João de Souza Mendes (Rio-DF), 2,5; 3) Oswaldo Cruz Filho (Rio-DF), 1,5; 4) Ademar Silva Rocha (Rio-DF), 1,5; 5) Edmundo Gastão da Cunha (Rio-DF), 0,5 ponto.

A classificação da fase final, realizada no Automóvel Clube (Rio de Janeiro (DF), foi a seguinte: 1º) Paulo Duarte, 5 pontos; 2º) João de Souza Mendes, 4; 3º) Luiz Burlamaqui e Jaime Moses, 1 ponto.

O match pelo Brasileiro de 1942 terminou empatado em 5 a 5. Com esse resultado, Walter Cruz conservou o título. Ele venceu quatro partidas (primeira, segunda, sétima e oitava). Paulo Duarte também venceu quatro (terceira, quarta, sexta e nona). A quinta e décima terminaram empatadas. A nona partida foi bastante tumultuada. Após a oitava partida, Walter vencia por 4,5 a 3,5. Precisava apenas de um empate nas duas últimas partidas. Paulo Duarte, porém, teria que ganhar as duas.

Assim, a nona partida teve um clima de muita tensão, fazendo que ambos cometessem vários erros durante a refrega. Por lapso de Paulo Duarte, a posição repetiu três vezes após o lance 42 das brancas (ver na nona partida mais adiante que as posições após os lances das brancas 38, 40 e 42 são idênticas). De acordo com a regra da FIDE, Walter Cruz exigiu o empate ao árbitro. Houve demorada discussão, sem ninguém chegar a uma decisão. No dia seguinte, o presidente da CBX, Comandante Olavo Coutinho Marques, em nota oficial, declarou Paulo Duarte vencedor da partida.

Contrariado, Walter Cruz jogou a décima e aceitou a proposta de empate, apesar de ter uma torre a mais (ver a décima partida mais adiante). "O empate me dava o título; eu estava impaciente para terminar esta partida, após os atos antiesportivos da véspera. Naturalmente, a décima partida estava completamente ganha, como a nona estava empatada pela regra da FIDE" - declarou muito nervoso Walter Cruz.

O vice-campeão brasileiro, Paulo Roberto Duarte Filho, nasceu em São Sebastião do Paraíso (MG) em 24/6/1909 e faleceu em São Paulo (SP) em 6/3/1970.

 

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1942

Walter Cruz 1 x 0 Paulo Duarte - 1a. partida

 

Paulo Duarte 0 x 1 Walter Cruz - 8a. partida

 

Walter Cruz 0 x 1 Paulo Duarte - 9a. partida

Walter Cruz jogou o lance 42. Re1, levantou-se e pediu empate, pois a posição foi repetida três vezes (lances 38, 40 e 42). O árbitro não aceitou e a partida ficou paralizada. No dia seguinte, a CBX deu a vitória a Paulo Duarte, contrariando a regra da FIDE.

 

Paulo Duarte 0,5 x 0,5 Walter Cruz - 10a. partida

Walter Cruz está ganho, mas aceitou o empate por lhe dar o título e por estar ainda contrariado pelos fatos acontecidos na partida anterior.

 

Campeonato Brasileiro 1943

Campeão: João de Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Raul Herman Charlier (SP)

Local: São Paulo (SP)

O Campeonato Brasileiro de 1943 (décima segunda edição, sem computar o de 1941) foi o primeiro a ser realizado fora da antiga capital federal. Por gestão de Américo Porto Alegre, presidente da Federação Paulista de Xadrez, junto à CBX, o match final foi disputado no Clube de Xadrez São Paulo. Souza Mendes, com 50 anos de idade, foi novamente campeão brasileiro.

Ao assumir o cargo de presidente da CBX, o enxadrista Rui de Castro modificou o esquema do Campeonato Brasileiro. O Torneio Nacional de Seleção foi dividido em quatro setores: Distrito Federal (Rio), Estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O campeão do ano anterior, Walter Cruz, teria que disputar a eliminatória do Distrito Federal. Ainda magoado com os atos da ex-diretoria no campeonato passado, ele ficou também contrariado com a nova diretoria por ter perdido o direito adquirido de disputar o match final de 1943 sem precisar jogar torneio classificatório. Por isso, não se inscreveu na competição.

Somente o Distrito Federal realizou o seletivo, ganho por Souza Mendes. Os demais Estados escolhidos pela CBX tiveram os representantes indicados pelas federações. A Paulista alegou que não teria tempo de efetuar o torneio e designou Raul Herman Charlier para defender São Paulo. O campeão do Estado do Rio, Henrique Maia Vinagre, abdicou do direito de participar dasemifinal em favor do vice-campeão fluminense Oswaldo Marques de Oliveira. Minas Gerais foi representada pelo seu campeão José Pereira da Rocha Filho. O Ceará, naquela época, por causa do abnegado Gilberto Câmara, já possuía bom nível técnico. Porém, foi esquecido pela CBX.

A classificação do Torneio Nacional de Seleção (setor Distrito Federal) foi a seguinte: 1) João de Souza Mendes, com 8 pontos; 2º) J. T. Mangini, 6,5; 3º) Orlando Roças, 6; 4º) Ademar da Silva Rocha, 6; 5º) Joaquim Caetano Neto, 5,5; 6º) Manuel Madeira de Ley, 4; 7º) Nélson Dantas, 4; 8º) José Carlos Almeida Soares, 2,5; 9º) Arnaldo Parisot, 2,5; 10º) Francisco Farias Vaz, com zero ponto.

Os matches semifinais foram realizados em janeiro e fevereiro de 1943. No Clube de Xadrez de Teresópolis, Souza Mendes se impôs sobre Oswaldo Marques por 3,5 a 0,5 (3 vitórias e 1 empate). No Clube de Xadrez São Paulo, Raul Charlier triunfou sobre Pereira da Rocha por 3,5 a 1,5 (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota). O match final foi disputado no Clube de Xadrez São Paulo de 6/2/1943 a 5/3/1943. Souza Mendes venceu Charlier por 5,5 a 4,5 (3 vitórias, 5 empates e 2 derrotas). O campeão ganhou a segunda, quarta e quinta partidas. Charlier, a sexta e oitava. As demais partidas terminaram empatadas.

O vice-campeão brasileiro de 1943, Raul Herman Charlier, nasceu em São Paulo (SP) em 1913. Faleceu também em São Paulo (SP) em 3/5/1962

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1943

Souza Mendes 1 x 0 Raul Charlier - 2a. partida

 

Souza Mendes 1 x 0 Raul Charlier - 4a. partida

 

Raul Charlier 0 x 1 Souza Mendes - 5a. partida

 

Souza Mendes 0 x 1 Raul Charlier - 6a. partida

 

 

Campeonato Brasileiro 1944

Campeão: Orlando Roças Júnior (RJ-antigo)

Vice-campeão: Flávio de Carvalho Júnior (SP)

Local: Nova Friburgo (RJ)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
PG
1 - Orlando Roças - RJ
1
0,5
1
1
0,5
1
5,0
2 - Flávio de Carvalho - SP
0
1
1
0,5
1
1
4,5
3 - Olímpio Hartz - RS
0,5
0
0,5
1
1
1
4,0
4 - AlbertoTeófilo - Rio-DF
0
0
0,5
1
1
1
3,5
5 - Washington de Oliveira - RJ
0
0,5
0
0
1
1
2,5
6 - Heitor Ribas - Rio-DF
0,5
0
0
0
0
1
1,5
7 - Paulo Duarte Filho - SP
0
0
0
0
0
0
0

Em janeiro de 1945, a CBX ainda não havia efetuado o Campeonato Brasileiro do ano anterior. Então, programou para março de 1945 a edição atrasada de 1944. A de 1945 ficaria para o segundo semestre, mas acabou nunca sendo realizada. A edição de 1944 teve como palco o Clube de Xadrez de Nova Friburgo, no período de 25 de março a 1º de abril de 1945, com a vitória de Orlando Roças Júnior, que representou a Federação Fluminense de Xadrez. O Campeonato Brasileiro de 1944 inaugurou o esquema da disputa final pelo sistema schuring, encerrando a época romântica dos matches entre o campeão e o seu desafiante. Também foi em cidade do interior: Nova Friburgo, na região serrana do Estado do Rio. A grande ausência foi do campeão João de Souza Mendes, por motivos particulares. Com meio ponto atrás de Orlando Roças, ficou o paulista Flávio de Carvalho Júnior. O outro representante de São Paulo, Paulo Duarte Filho, que jogou muito bem o match com Walter Cruz em 1942, decepcionou completamente, ocupando a última colocação e perdendo todas suas partidas.

Durante a disputa do campeonato, à margem do tabuleiro, havia no ar do salão de jogos a profunda alegria, que tomava conta do mundo inteiro, com a proximidade do fim da Segunda Guerra Mundial. As notícias das vitórias dos Aliados (principalmente dos expedicionários brasileiro na Itália) chegavam à Nova Friburgo pelo rádio e contagiavam os participantes, dirigentes e assistentes do campeonato. Orlando Roças conquistou o título no dia 1º de abril, e um mês depois a guerra acabou na Europa (8 de maio de 1945).

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1944

Orlando Roças 1 x 0 Flávio de Carvalho

 

Paulo Duarte 0 x 1 Orlando Roças

 

Washington Oliveira 0,5 x 0,5 Flávio de Carvalho

 

 

Campeonato Brasileiro 1947

Campeão: Márcio Elísio de Freitas (SP)

Vice-campeão: Arrigo Prosdocimi (RS)

Local: Porto Alegre (RS)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - Márcio Elísio Freitas - SP
0,5
0,5
1
1
1
1
0
05
1
1
1
1
1
10,5
2 - Arrigo Prosdocimi - RS
0,5
0
0,5
1
1
0
1
1
1
1
1
1
1
10,0
3 - Souza Mendes - Rio-DF
0,5
1
0,5
1
0
1
1
1
1
1
0
0,5
1
9,5
4 - Flávio de Carvalho - SP
0
0,5
0,5
0
0,5
1
1
0,5
1
1
1
1
1
9,0
5 - Salomão Saidenberg - RS
0
0
0
1
1
1
0
1
1
0
1
1
1
8,0
6 - Carlos Peixoto - RS
0
0
1
0,5
0
0,5
1
0,5
0
0,5
1
1
1
7,0
7 - Sabino Ribeiro - Rio-DF
0
1
0
0
0
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
7,0
8 -Washington Oliveira - RJ
1
0
0
0
1
0
0,5
0,5
0,5
0
1
0,5
0,5
5,5
9 - Almeida Soares - RJ
0,5
0
0
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0
1
0,5
0
1
5,0
10 - Heitor Ribas - RJ
0
0
0
0
0
1
0
0,5
1
1
0,5
1
0
5,0
11 - José Adail Gondim - CE
0
0
0
0
1
0,5
0
1
0
0
1
1
0
4,5
12 - Gastão da Cunha Rio-DF
0
0
1
0
0
0
0,5
0
0,5
0.5
0
1
1
4,5
13 - Olímpio Hartz - RS
0
0
0,5
0
0
0
0
0,5
1
0
0
0
1
3,0
14 - David Ballesteros Rio-DF
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0
1
1
0
0
2,5

Conforme explicamos anteriormente, o Campeonato Brasileiro de 1944 (décima terceira edição, sem contar o campeonato de 1941) foi realizado em 1945. O décimo quarto deveria ser também em 1945, mas acabou sendo disputado no ano de 1947 em Porto Alegre em um concorrido sistema schuring de 14 participantes. Assim, em 1945 e 1946 não houve edições do Brasileiro.

Uma das causas da décima quarta edição do Brasileiro (sempre é bom lembrar que o campeonato de 1941, vencido por Silva Rocha, não existia na época, pois foi outorgado a Silva Rocha em 1953 pela CBX), não ter acontecido em 1946 foi a grande movimentação enxadrística com o GM Miguel Najdorf, promovida naquele ano pelo presidente da CBX Rui de Castro, com a colaboração dos presidentes das Federações Metropolitana (Rio) e Paulista, respectivamente, Lauro Demoro e Américo Porto Alegre. Najdorf, polonês de nascimento e radicado na Argentina, fora convidado a participar do famoso Torneio Gronigen (Holanda) de 1946, a primeira competição magistral após o fim da Segunda Guerra Mundial, que reuniu os maiores enxadristas da época (Najdorf ficou em quarto lugar, junto com o húngaro Szabo e atrás de Botvinnik (campeão), Max Euwe e Smyslov). Na ida e volta da Europa, Najdorf passou pelo Brasil e participou de diversos eventos, inclusive torneios internacionais, que contaram também com o GM Erich Eliskases (radicado no Rio) e o MI Ludwig Engels (residente em São Paulo). Assim, em 1946, não houve tempo para o Brasileiro.

O Campeonato Brasileiro de 1947 foi muito bem organizado pela diretoria da Federação Sul-Rio-Grandense de Xadrez (atual Federação Gaúcha de Xadrez), presidida por Waldemar Cavalcanti. As partidas foram nas sedes do Renner Xadrez Clube e Metrópole Xadrez Clube, no período de 18 a 30 de junho de 1947. A direção-geral foi do veterano Luís Vianna, que naquele ano já estava radicado em Porto Alegre, após longa vida enxadrística no Rio e passagem pelo Paraná. O vencedor Márcio Elísio de Freitas só perdeu para o campeão do Estado do Rio de Janeiro Washington de Oliveira. Um fato interessante de dois militares históricos do xadrez do País: o General Edmundo Gastão da Cunha (futuro presidente da CBX) ainda era tenente-coronel; e o Brigadeiro Sabino Ribeiro Júnior, major.

O campeão brasileiro de 1947, Márcio Elísio de Freitas, nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 26 de novembro de 1925 e faleceu na cidade de São Paulo em 4 de janeiro de 1988. Sua vida enxadrística começou em Campo Grande (MS), mas floresceu e amadureceu em São Paulo, onde foi campeão estadual em 1945 e 1950. Ocupou também o cargo de presidente do Clube de Xadrez São Paulo e da Federação Paulista. Em 1956, assumiu o lugar de Flávio Carvalho Júnior na direção da excelente revista "Xadrez". Em 1966, na sede do Clube Militar (Rio), foi eleito para presidência da Confederação Brasileira de Xadrez, em substituição ao General Edmundo Gastão da Cunha.

O vice-campeão brasileiro de 1947, Arrigo Prosdocimi, nasceu no Rio Grande do Sul. Faleceu em Porto Alegre (RS) em 12/7/1960, vítima de derrame cerebral. Foi campeão paulista em 1956. Campeão gaúcho em 1958.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1947

Olímpio Hartz 0 x 1 Márcio Elísio de Freitas

 

Márcio Elísio de Freitas 1 x 0 Heitor Ribas

 

Sabino Ribeiro 0 x 1 Márcio Elísio de Freitas

 

Márcio Elísio de Freitas 1 x 0 Salomão Saidenberg

 

 

Campeonato Brasileiro 1948

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio-DF)

Vice-campeão: Oswaldo Cruz Filho (Rio-DF)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

 

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - Walter Cruz - Rio-DF
0,5
1
0
1
1
1
1
1
0,5
1
1
1
1
11,0
2 - Oswaldo Cruz Filho - Rio-DF
0,5
0,5
0,5
1
05
1
0,5
0,5
1
0,5
1
1
1
9,5
3 - Flávio de Carvalho - SP
0
0,5
0,5
0,5
1
1
1
0,5
0,5
1
1
0,5
1
9,0
4 - João Souza Mendes - Rio-DF
1
0,5
0,5
0
0
1
1
1
0
0
05
1
1
7,5
5 - J. T. Mangini - Rio-DF
0
0
0,5
1
1
0,5
0
0
1
1
1
1
0,5
7,5
6 - Ari Camargo - Rio-DF
0
0,5
0
1
0
1
1
0
0,5
1
1
0,5
0
6,5
7 - José Adail Gondim - CE
0
0
0
0
0,5
0
1
1
1
0
1
1
1
6,5
8 - Jayme Moses - MG
0
0,5
0
0
1
0
0
0,5
1
1
1
1
0
6,0
9 - Sabino Ribeiro - Rio-DF
0
0,5
0,5
0
1
1
0
0,5
0,5
0
0
0,5
1
5,5
10 - Lourenço Cordioli - SP
0,5
0
0,5
1
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
5,5
11 - Washington de Oliveira - RJ
0
0,5
0
1
0
0
1
0
1
0,5
0
0,5
1
5,5
12 - Henrique Laynes - PR
0
0
0
0,5
0
0
0
0
1
0,5
1
0
1
4,0
13-Fernando Vasconcelos-Rio-DF
0
0
0,5
0
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
1
0
3,5
14 - Almeida Soares - RJ
0
0
0
0
0,5
1
0
1
0
0
0
0
1
3,5

 

O Campeonato Brasileiro voltou em 1948 a ser realizado no Rio de Janeiro. As partidas foram jogadas na sede do Olímpico Clube, no período de 1º a 17 de dezembro de 1948. O fato interessante foi que dois enxadristas veteranos e irmãos (filhos do famoso cientista Oswaldo Cruz) ocuparam as duas primeiras colocações: Walter Cruz, campeão com 38 anos de idade; e Oswaldo Cruz Filho, vice-campeão com 45 anos de idade. Oswaldo Cruz foi o único invicto da competição, apresentando o melhor desempenho da sua carreira enxadrística. Walter Cruz reapareceu com seu jogo sólido e criativo, sempre com a preocupação na vitória. Perdeu apenas para seu tradicional adversário João de Souza Mendes.

O campeonato foi iniciado com o total de 16 participantes, mas ficou reduzido para 14 jogadores. Heitor Moutinho Ribas e Joaquim Caetano Neto foram obrigados a abandonar a competição, após a terceira rodada e seus pontos não foram computados. Heitor Ribas por motivo do falecimento da sua mãe, depois de perder para Caetano Neto, empatar com Jaime Moses e vencer Mangini. Caetano Neto, por ter sido nomeado para a secretaria das Nações Unidas, depois de vencer Ribas e perder para Fernando Vasconcelos e Walter Cruz.

A competição foi muito bem organizada pelos dirigentes do Olímpico Clube. A direção geral foi do novo presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, o então Tenente-Coronel Edmundo Gastão da Cunha; que foi auxiliado pelo presidente da Federação Metropolitana de Xadrez (Rio-DF), Lauro Demoro. Os desempates nas colocações foram pelo sonneborn-berger.

O vice-campeão de 1949, Oswaldo Cruz Filho, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 27/7/1903 e faleceu em 6/3/1977.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1948

Flávio de Carvalho 0 x 1 Walter Cruz

.

 

Souza Mendes 1 x 0 Walter Cruz

 

Oswaldo Cruz Filho 1 x 0 Henrique Laynes

 

J. T. Mangini 1 x 0 Lourenço Cordioli

 

 

Campeonato Brasileiro 1949

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio-DF)

Vice-campeão: Márcio Elísio de Freitas (SP)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
PG
1 -Walter Cruz
1
1
1
0
1
1
1
0,5
0,5
0
1
1
1
0,5
1
1
1
0,5
1
1
1
17,0
2 - Márcio Elísio Freitas
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
1
1
1
0,5
1
1
1
1
1
1
15,5
3 -Ronald Câmara
0
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
0
0,5
0
1
1
0,5
1
1
1
1
1
1
14,0
4 -Eugênio German
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
1
1
1
1
0
1
1
1
14,0
5 - Luiz Tavares
1
0,5
1
0,5
0
0,5
0,5
1
0
0
0,5
0
1
1
1
1
1
0,5
1
0,5
1
13,5
6 - Flávio Carvalho
0
0,5
0,5
0,5
1
0
0
0,5
0
1
1
1
1
1
0
1
1
1
0,5
1
1
13,5
7 - João Souza Mendes
0
1
0
0,5
0,5
1
0,5
0
1
1
0,5
1
0,5
0
1
0
1
1
1
1
1
13,5
8 -Luiz Gentil
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
0
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
13,5
9 -Lourenço Cordioli
0,5
0
0
1
0
0,5
1
0
0
1
0,5
0,5
1
0
1
1
1
1
1
1
0,5
12,5
10 - J. T. Mangini
0,5
0,5
0
0,5
1
1
0
1
1
0
0,5
1
0
1
1
0,5
0,5
0
0
1
1
12,0
11 -Teotônio Vasconcelos
1
0
1
0
1
0
0
0,5
0
1
0
0,5
0
0
0
1
0,5
0,5
1
1
1
10,0
12 - Oswaldo Cruz Filho
0
0
0,5
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0
0
1
0,5
1
1
1
0
10,0
13 - Washington Oliveira
0
0
1
0
1
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
0
0,5
1
9,5
14 - Nélson Dantas
0
0
0
0
0
0
0,5
0
0
1
1
0,5
0,5
1
1
1
0
0,5
1
0,5
1
9,5
15 - Jayme Moses
0,5
0
0
0
0
0
1
0
1
0
1
1
0,5
0
0,5
0
0
1
1
1
1
9,5
16 - Manuel Madeira Ley
0
0,5
0,5
0
0
1
0
0,5
0
0
1
1
0,5
0
0,5
0
0,5
1
1
0,5
0
8,5
17 -José Adail Gondim
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0,5
0
0
0
0
1
1
1
1
1
1
1
8,5
18 - Fernando Vasconcelos
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
0
1
0,5
0,5
0,5
7,5
19 - José Jardim Pozzo
0,5
0
0
1
0,5
0
0
0,5
0
1
0,5
0
0
0,5
0
0
0
0
0
1
1
6,5
20 - Sabino Ribeiro
0
0
0
0
0
0,5
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0,5
1
1
1
6,0
21 - Almeida Soares
0
0
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0
0,5
0
0
1
3,5
22 - Heitor Ribas
0
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0
0
1
0
0
0
1
0
0,5
0
0
0
3,0

Com quinze vitórias, quatro empates e duas derrotas e boa vantagem de pontos sobre os colocados seguintes, Walter Oswaldo Cruz venceu o Campeonato Brasileiro de 1949, realizado no Clube de Xadrez do Rio de Janeiro, em agosto e setembro de 1949. Com esse título, ele se tornou bicampeão da competição, pois fora vencedor em 1948.

O Campeonato Brasileiro de 1949 foi bastante criticado na época por causa do grande número de participantes (22 jogadores pelo sistema schuring). Porém, esse campeonato ficou na história pela quantidade de enxadristas de alto nível técnico e formadores teóricos do nosso xadrez. Três jogadores já tinham conquistado o título de campeão brasileiro: João de Souza Mendes, Walter Oswaldo Cruz e Márcio Elísio de Freitas. Além deles, os dois árbitros da competição (Orlando Roças e Acioly Borges) também eram ex-campeões brasileiros. Outros cinco participantes iriam mais tarde obter o título: José Thiago Mangini, Eugênio German, Flávio Carvalho Júnior, Luiz Tavares da Silva e Ronald Câmara. Oswaldo Cruz Filho era vice-campeão do ano anterior. Luiz Campelo Gentil e Nélson Dantas seriam vice-campeões brasileiros anos depois. Os demais participantes também possuíam boa bagagem enxadrística.

Márcio Elísio de Freitas ratificou o título de 1947. A conquista do vice-campeonato, no meio de tantos talentos, foi excelente. Ronald Câmara (então com 22 anos de idade) e Eugênio German (18 anos de idade), empatados na terceira colocação, foram as revelações do torneio.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1949

Walter Cruz 1 x 0 Ameida Soares

 

Oswaldo Cruz Filho 0 x 1 Walter Cruz

 

Walter Cruz 1 x 0 Ronald Câmara

 

Luiz Tavares 1 x 0 Walter Cruz

 

 

Campeonato Brasileiro 1950

Campeão: José Thiago Mangini (Rio-DF)

Vice-campeão: Eduardo Asfora (PE)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
PG
1 - J. T. Mangini - Rio-DF
0,5
0,5
1
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
8,5
2 - Eduardo Asfora - PE
0,5
0
0
0
0,5
1
1
1
1
1
1
1
8,0
3 - Nélson Dantas - Rio-DF
0,5
1
1
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
7,5
4 - Fernando Vasconcellos - Rio-DF
0
1
0
1
0,5
1
1
0,5
0,5
1
1
7,5
5 - João Souza Mendes - Rio-DF
0
0,5
0,5
0
1
0,5
1
1
1
0,5
1
7,0
6 - Eugênio German - MG
0,5
0
0,5
0,5
0
1
1
1
0,5
1
1
7,0
7 - Arrigo Prosdocimi - RS
0,5
0
1
0
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
6,0
8 - Manuel Madeira de Ley - Rio-DF
0,5
0
0,5
0
0
0
0,5
0
1
1
1
4,5
9 - Sabino Ribeiro - Rio-DF
0
0
0
0,5
0
0
0
1
0,
0,5
1
1
4,0
10 - Oswaldo Cruz Filho - Rio-DF
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0
0,5
0
0
1
3,5
11 - Hugo Kamisetzer - Rio-DF
0
0
0
0
0,5
0
0
0
0
1
1
2,5
12 - Ary Camargo Rio-DF
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0

Com atuação muito segura, o carioca José Thiago Mangini conquistou invicto o Campeonato Brasileiro de 1950. A partir da introdução de uma fase final pelo sistema schuring, somente Orlando Roças conseguira ser campeão invicto. Mas esse Campeonato Brasileiro de 1944 só teve sete participantes. Em grandes torneios, a façanha de J. T. Mangini foi a primeira. Lembramos que em 1947 Márcio Elísio de Freitas perdeu para Washington de Oliveira. Em 1948, Walter Cruz foi derrotado por João de Souza Mendes. Em 1949, Walter Cruz deitou o rei duas vezes: para Luiz Tavares e para Teotônio de Vasconcelos.

O Campeonato Brasileiro de 1950 foi realizado na sede do Olímpico Clube, no período de 25 de setembro a 11 de outubro de 1950, com rápida paralisação no seu transcurso por causa das eleições para presidente do Brasil. Durante o evento, as ruas da antiga capital federal estavam agitadas com as campanhas de Getúlio Vargas e Brigadeiro Eduardo Gomes. Na véspera e no dia das eleições (terça-feira, 3 de outubro), não houve rodada do Campeonato Brasileiro. Os enxadristas também foram votar. Após o pleito, o campeonato continuou. E as notícias das apurações, que apontavam a esmagadora vitória de Getúlio Vargas, chegavam à sala de jogos do Olímpico Clube, misturando-se aos comentários das análises intricadas dos tabuleiros.

A princípio, a relação para o Campeonato Brasileiro de 1950 era de 16 inscritos. Porém, Riad Salamuni (Paraná) e Lourenço Cordioli (São Paulo) não compareceram ao sorteio, sendo excluídos. O ex-campeão brasileiro Otávio Trompowsky abandonou a prova, após a terceira rodada. Trompowsky, que perdera para Nélson Dantas e empatara com Fernando Vasconcelos, tinha uma partida suspensa muito difícil com Manuel Madeira de Ley. Trompowsky não concordou com a hora marcada para o prosseguimento da suspensa e desistiu de continuar no campeonato. O mineiro Mário Bawden também deixou a competição na quinta rodada, por motivos particulares, quando estava com apenas um ponto em cinco possíveis. Assim, o torneio ficou reduzido a doze participantes.

Além dos pontos computados, Mangini ganhou o eliminado Mário Bawden. A sua vitória mais importante foi sobre Souza Mendes, na antepenúltima rodada. O vice-campeão foi o pernambucano Eduardo Asfora, a grande revelação do torneio. Na última rodada, Fernando Vasconcelos empatou com Sabino Ribeiro, mas se vencesse seria vice-campeão. Sabino e Hugo Kammsetzer representaram as Forças Armadas.

O campeão brasileiro de 1950, José Thiago Mangini, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4/1/1920 e faleceu também no Rio de Janeiro em 10/2/1984. Aprendeu a jogar xadrez na década de 1930 com o irmão Henrique Mangini, militar e forte enxadrista carioca. J.T. Mangini foi campeão universitário do Rio de Janeiro em 1941/1942/1943. Conquistou a posse definitiva da Taça Caldas Viana ao vencer a competição três vezes. Ele possui um recorde que dificilmente deverá ser superado: onze vezes campeão carioca. Foi presidente da Federação Metropolitana de Xadrez (antiga entidade do Rio) de 1964 a 1966 e da FEXERJ de 1977 a 1979. Escreveu excelente coluna de xadrez no jornal O Globo de 4/4/1955 a 6/2/1984 (quatro dias antes da sua morte). Mangini também foi campeão brasileiro em 1956.

O vice-campeão brasileiro de 1950, Eduardo Asfora, nasceu em Recife(PE) 5/8/1924. Faleceu também em Recife em 8/11/1989. Foi também vice-campeão brasileiro em 1962, quando deixou de dar xeque-mate em Olício Gadia, deixando escapulir o título de campeão nacional.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1950

Oswaldo Cruz Filho 0 x 1 J. T. Mangini

 

J.T. Mangini 1 x 0 Fernando Vasconcelos

 

J.T. Mangini 1 x 0 Souza Mendes

 

Souza Mendes 1 x 0 Oswaldo Cruz Filho

 

 

Campeonato Brasileiro 1951

Campeão: Eugênio Maciel German (MG)

Vice-campeão: Luís Campelo Gentil (CE)

Local: Fortaleza (CE)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
PG
1 - Eugênio German -MG
0,5
0
0,5
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
15,0
2 - Luis Gentil -CE
0,5
1
0,5
0
1
1
1
0,5
1
0,5
1
0,5
1
1
1
1
1
13,5
3 - J. T. Mangini -Rio-DF
1
0
0,5
1
1
0
0,5
1
1
0,5
1
1
1
1
1
1
1
13,5
4 - Márcio Elisio -SP
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
1
1
1
0,5
1
12,5
5 - Flávio Carvalho -SP
0
1
0
0,5
0
0,5
1
1
1
0,5
0
1
1
1
0,5
1
1
11,0
6 - José Adail -Rio-DF
0
0
0
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
1
1
10,0
7 - Souza Mendes -Rio-DF
0
0
1
0,5
0,5
0,5
1
1
0
0,5
1
1
0,5
1
1
0
0
9,5
8- F. Vasconcelos -Rio-DF
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
8,5
9 - Jorge Lemos -Rio-DF
0
0,5
0
0,5
0
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
0,5
7,0
10 - Riad Salamuni - PR
0
0
0
0
0
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
0
0,5
0,5
1
0,5
0,5
7,0
11 - Laércio Maragliano - SP
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0
1
1
0,5
0
0,5
0
0
6,5
12 - Nilde Garrido - RS
0
0
0
0
1
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
0,5
0
1
6,5
13 - Washington Oliveira-RJ
0
0,5
0
0
0
0,5
0
0,5
0
1
0
0,5
0,5
1
0
1
0,5
6,0
14 -Sabino Ribeiro - Rio-DF
0
0
0
0
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0
0,5
1
0
0,5
1
5,5
15 - Luciano Belém - CE
0
0
0
0
0
0,5
0
0
0,5
0,5
1
0,5
0
0
0,5
1
1
5,5
16 - Luiz Basto Lima - PE
0
0
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0,5
0,5
1
1
0,5
0,5
1
5,5
17 - Aloísio Siqueira - CE
0
0
0
0,5
0
0
1
0
0
0,5
1
1
0
0,5
0
0,5
0
5,0
18 - Sérgio Guimarães - BA
0
0
0
0
0
0
1
0
1
0,5
1
0
0,5
0
0
0
1
5,0

O Campeonato Brasileiro de 1951 foi realizado no Clube dos Diários do Ceará, sob o patrocínio da Prefeitura de Fortaleza, no período de 5 a 24 de julho de 1951. O mineiro Eugênio German conquistou o título com vantagem de um ponto e meio sobre o segundo colocado, o cearense Luiz Gentil. O desempenho de German foi muito bom: obteve quatorze vitórias e dois empates. Somente perdeu uma partida para o campeão do ano anterior, o carioca José Thiago Mangini, na primeira rodada.

A organização foi excelente, com muitos eventos paralelos. Pela primeira vez no Brasil, foi posto em prática o modelo da estrutura dos torneios internacionais. Essa iniciativa contou como principal mentor o então presidente da Federação Cearense de Xadrez, Gilberto Câmara. Em 1950, ele estivera na Europa na residência de Max Euwe, para assistir ao Torneio Internacional de Amsterdã. Gilberto Câmara (1897-1953) colocou a experiência adquirida no Velho Mundo em proveito do Campeonato Brasileiro de 1951. Durante a competição houve outras atrações, como a simultânea do mestre mexicano René Pratt e o torneio no balneário do Ideal Clube, vencido por José Carlos de Almeida Soares (1917-1990), que era diretor técnico da CBX.

J.T. Mangini ficou em terceiro lugar. Ele terminou o torneio empatado com Luiz Gentil na pontuação, mas perdeu a chance de ser vice-campeão pelo sistema sonneborn-berger. O representante de São Paulo Márcio Elísio de Freitas (quarto colocado) foi o único invicto, com oito vitórias e nove empates. João de Souza Mendes fez campanha bastante irregular, perdendo pontos preciosos nas derrotas para os dois últimos colocados. Sabino Ribeiro mais uma vez representou as Forças Armadas.

O campeão brasileiro de 1951, Eugênio Maciel German, nasceu em Ubá (MG) em 24/10/1930. Faleceu em Belo Horizonte (MG) em 1/4/2001. Aprendeu a jogar xadrez aos oito anos de idade com seu irmão Henrique. Foi o primeiro brasileiro a conseguir o título de Mestre Internacional, quando somou a performance de 68% de aproveitamento no primeiro tabuleiro da equipe brasileira nas Olimpíadas Mundiais de 1952, em Helsinqui (Finlândia). Em 1962, após se classificar em terceiro no Zonal Sul-Americano, participou do Interzonal de Estocolmo. Nesse torneio, apesar de ter se colocado em décimo nono em total de 23 concorrentes, obteve sensacionais resultados individuas: empates com Geller, Korchnoi e Stein e vitória sobre o húngaro Lajos Portisch (esse Interzonal foi ganho por Bobby Fischer). Em 1959, German conquistou o Torneio Cidade de Vitória (ES), onde venceu todos os adversários, inclusive o MI Ludwig Engels. Em 1972, em Blumenau (SC), conquistou novamente o Campeonato Brasileiro.

O vice-campeão brasileiro de 1951, Luiz Campelo Gentil, nasceu em Fortaleza (CE) em 9/4/1922. Foi presidente da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) de 1970 a 1976. Também foi vice-campeão brasileiro em 1960, em Fortaleza (CE). Foi o terceiro colocado no Torneio Internacional Cidade de Recife (julho 1947), atrás do campeão GM Erich Eliskases (Áustria) e do vice-campeão MI Ludwig Engels (Alemanha), que residiam na época no Brasil.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1951

Souza Mendes 0 x 1 Eugênio German

 

Eugênio German 1 x 0 Washington Oliveira

 

Eugênio German 0 x 1 J.T. Mangini

 

Jorge Lemos 1 x 0 Washington Oliveira

 

 

Campeonato Brasileiro 1952

Campeão: Flávio de Carvalho Júnior (RJ)

Vice-campeões: Eugênio German (MG) e Luciano Belém (CE)

Local:São Paulo (SP)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - Flávio de Carvalho - SP
0,5
0,5
1
1
1
0,5
1
1
1
1
0,5
1
1
11,0
2 - Eugenio German - MG
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
1
1
0,5
1
10,0
3 - Luciano Belém - CE
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
1
1
1
10,0
4 - Márcio Elisio de Freitas - SP
0
0,5
0,5
1
1
0
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
8,5
5-Fernando Vasconcelos -Rio-DF
0
0,5
0,5
0
1
0,5
1
0,5
0
0,5
1
1
1
7,5
6 - Omar Paiva - CE
0
0
0,5
0
0
1
1
1
1
1
1
1
0
7,5
7 - Arrigo Prosdocimi - RS
0,5
0
0
1
0,5
0
0,5
1
0,5
0,5
1
1
0,5
7,0
8 - Lourenco Cordioli - SP
0
0,5
0
0,5
0
0
0,5
0
1
0
1
1
1
5,5
9-Manuel Madeira de Ley -Rio-DF
0
0
0,5
0
0,5
0
0
1
0,5
1
0
0,5
1
5,0
10 - Ernâni Santiago - PR
0
0
0
0,5
1
0
0,5
0
0,5
0,5
0
0,5
1
4,5
11-José Carlos Monteiro- BA
0
0
0
0,5
0,5
0
0,5
1
0
0,5
1
0
0
4,0
12-Luiz Tavares da Silva - PE
0,5
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
1
0,5
4,0
13 - Edmundo Lima - PA
0
0,5
0
0
0
0
0
0
0,5
0,5
1
0
1
3,5
14-Luiz de Castro Souza- MG
0
0
0
0
0
1
0,5
0
0
0
1
0,5
0
3.0

O Campeonato Brasileiro de 1952 foi realizado no quarto andar número 250 da Rua Vinte e Quatro de Maio, antiga sede do Clube de Xadrez São Paulo. O então presidente da agremiação era Vicente Túlio Romano, tradicional e histórico enxadrista paulista. Em 1943, na sede anterior, o CXSP também organizara com a Federação Paulista o match final entre João Souza Mendes e Raul Herman Charlier. Mas, a partir da introdução do sistema schuring na fase final do campeonato, a edição de 1952 foi a primeira que a cidade de São Paulo sediou a competição.

Flávio de Carvalho foi campeão invicto, com nove vitórias e quatro empates. Desde 1944, quando foi vice-campeão do Brasil, perseguia o título nacional, com boas atuações em todos os campeonatos em que participara. O mineiro Eugênio German e o cearense Luciano Humberto Belém, que dividiram a segunda colocação (não houve desempate), também terminaram invictos, com sete vitórias e seis empates. O pernambucano Luiz Tavares da Silva não repetiu as boas campanhas anteriores e ocupou um modesto décimo segundo lugar.

O campeão brasileiro de 1952, Flávio de Carvalho Júnior, nasceu em São Paulo (SP) em 4/11/1916 e faleceu também em São Paulo em 4/6/1990. Aprendeu xadrez aos 14 anos de idade. Nessa época, era proibido de jogar pelo seu pai, pois faltava muito às aulas no Colégio Paulistano para ir ao Clube de Xadrez São Paulo. A partir de então, dedicou parte da sua vida ao clube. Em 1955, lançou a revista "Xadrez", que editou e dirigiu com seu amigo Márcio Elísio de Freitas.

O vice-campeão brasileiro de 1952, Luciano Humberto de Mendonça Belém (foi vice junto com o mineiro Eugênio German), nasceu em Milagres (CE) em 28/11/1929. Radicou-se no final da década de 1950 no Rio de Janeiro. Faleceu de câncer em 4/7/2001 no Rio de Janeiro.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1952

Flávio de Carvalho 1 x 0 Edmundo Lima

 

Flávio de Carvalho 1 x 0 Luiz Castro Souza

 

Fernando Vasconcelos 0 x 1 Flávio de Carvalho

 

Luciano Belém 1 x 0 Lourenço Cordioli

 

 

Campeonato Brasileiro 1953

Campeão: Walter Oswaldo Cruz (Rio-DF)

Vice-campeão: João de Souza Mendes Júnior (Rio-DF)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - Walter Oswaldo Cruz - Rio-DF
1
0,5
0,5
1
0,5
1
1
1
0,5
1
1
1
1
11,0
2 - Joao Souza Mendes - Rio-DF
0
0
1
1
1
0,5
1
1
1
0,5
0,5
1
1
9,5
3 - J. T. Mangini - Rio-DF
0,5
1
1
0
0,5
0
1
0,5
0,5
1
1
1
1
9,0
4 - Nélson Dantas - Rio-DF
0,5
0
0
0,5
1
1
0,5
0,5
1
1
1
1
0
8,0
5 - Flávio de Carvalho - SP
0
0
1
0,5
1
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
1
8,0
6 - Fernando Vasconcellos-Rio-DF
0,5
0
0,5
0
0
1
1
1
1
0,5
1
1
0,5
1
8,0
7 - Luiz Campelo Gentil - CE
0
0,5
1
0
0,5
0
0
1
1
1
1
1
0
7,0
8 - Darcy Fragoso - SP
0
0
0
0,5
0,5
0
1
0,5
0
1
1
1
1
6,5
9 - Fernando Kruel - RS
0
0
0,5
0,5
0,5
0
0
0,5
1
0
1
1
1
6,0
10 - Luciano Belém - CE
0,5
0
0,5
0
0,5
0,5
0
1
0
0,5
0
0,5
1
5,0
11 - Omar Paiva - CE
0
0,5
0
0
0,5
0
0
0
1
0,5
0
1
1
4,5
12 - Arrigo Prosdocimi - RS
0
0,5
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
1
3,5
13 - Mauricio Berenzon - SP
0
0
0
0
0
0,5
0
0
0
0,5
0
1
1
3,0
14 - Haroldo Vannier - Rio-DF
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
2,0

O Campeonato Brasileiro de 1953 foi realizado na sede do Olímpico Clube (Rio de Janeiro), nos meses de setembro e outubro de 1953. O diretor geral da competição foi Francisco de Assis Rosa e Silva Neto, na época presidente da Federação Metropolitana de Xadrez (antiga entidade do Rio de Janeiro, o então Distrito Federal). O campeão invicto foi Walter Oswaldo Cruz, com onze pontos (nove vitórias e quatro empates), seguido pelo seu tradicional rival João de Souza Mendes Júnior.

O presidente da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), Coronel Edmundo Gastão da Cunha, resolveu inovar e dividir o Brasil em três regiões para selecionar enxadrista para o turno final: Zonal Sul (realizado em Porto Alegre), Zonal Centro (no Rio de Janeiro) e Zonal Norte (em Fortaleza). Essa primeira experiência com zonais seletivos não aprovou completamente. Apenas o Zonal Sul, com doze participantes, realmente funcionou. Os vitoriosos nesse Zonal foram: Darci Fragoso, Fernando Kruel e Maurício Berenzon. No Zonal Norte, somente o Estado do Ceará apresentou concorrentes, classificando Luiz Gentil, Ronald Câmara e Nilton Bastos. Os dois últimos desistiram de participar e foram substituídos por Luciano Belém e Omar Paiva, que também tinham vagas pelo ranking nacional. No Zonal Centro, classificaram os três enxadristas inscritos: J. T. Mangini, Nélson Dantas e Haroldo Vanier, todos da federação do Rio. Walter Cruz, Souza Mendes e Flávio de Carvalho Júnior participaram por já terem conquistado o título de campeão brasileiro. Fernando Vasconcelos e Arrigo Prosdocimi preencheram as vagas surgidas no ranking nacional.

Walter Cruz conquistou o título de 1953 por antecipação ao vencer Luiz Gentil, na penúltima rodada. Na última, já campeão ganhou Darcy Fragoso e terminou a competição invicto. Antes do jogo com Fragoso, ao entrar no salão do Olímpico Clube, foi recebido com uma salva de palmas pelos participantes e assistentes. Uma justa homenagem ao grande ídolo do passado na sua despedida da prova máxima nacional, pois ele não voltaria a disputar o Campeonato Brasileiro, no qual foi campeão seis vezes.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1953

Walter Cruz 1 x 0 Fernando Kruel

 

Walter Cruz 1 x 0 Souza Mendes

 

Walter Cruz 0,5 x 0,5 Fernando Vasconcelos

 

Souza Mendes 0 x 1 J.T. Mangini

 

 

Campeonato Brasileiro 1954

Campeão: João de Souza Mendes (Rio-DF)

Vice-campeão: Nélson Dantas (Rio-DF)

Local: São Paulo (SP)

Classificação
1a.
2a.
3a.
4a.
5a.
6a.
7a.
8a.
9a.
PG
1 - Joao de Souza Mendes - Rio-DF
+12
+16
+7
=2
+11
+3
+8
+4
+5
8,5
2 - Nelson Dantas - Rio-DF
+8
=6
+5
=1
=3
+11
-4
+7
+9
6,5
3 - Jose Adail Gondim - Rio-DF
-7
+4
+9
+14
=2
-1
+11
+6
+10
6,5
4 - Hilwan Cantanhede - RJ
-5
-3
+12
+16
+9
+13
+2
-1
+8
6,0
5 - Arrigo Prosdocimi - SP
+4
=7
-2
-13
+16
+14
=6
+11
-1
5,0
6 - Darcy Fragoso - SP
=13
=2
-11
+7
=8
+15
=5
-3
+14
5,0
7 - Fernando Kruel - RS
+3
=5
-1
-6
+10
-8
+12
-2
+15
4,5
8 - Rui Martins Lisboa - SP
-2
+13
+15
-11
=6
+7
-1
=9
-4
4,0
9 - Márcio Elisio de Freitas - SP
-16
+12
-3
+15
-4
=10
+13
=8
-2
4,0
10 - J. T. Mangini - Rio-DF
=15
-11
-13
+12
-7
=9
+14
+16
-3
4,0
11 - Henrique Bastos - SP
=14
+10
+6
+8
-1
-2
-3
-5
-16
3,5
12 - Hélder Camara - CE
-1
-9
-4
-10
+15
+16
-7
+14
+13
3,5
13 - Waldemar Santa Cruz - PE
=6
-8
+10
+5
=14
-4
-9
-15
-12
3,0
14 - Bo Gustavson Detthow - SP
=11
=15
+16
-3
=13
-5
-10
=12
-6
3,0
15 - João Ribeiro Neto - SC
=10
=14
-8
-9
-12
-6
+16
+13
-7
3,0
16 - Henrique Laynes - PR
+9
-1
-14
-4
-5
-12
-15
-10
+11
2,0

O Campeonato Brasileiro de 1954 foi promovido pela Federação Paulista de Xadrez e realizado na sede do Clube de Xadrez São Paulo, no período de 27 de novembro a 6 de dezembro de 1954. A exceção foi a sétima rodada, dia 4 de dezembro (sábado), disputado na cidade de Campinas. A competição fez parte da programação comemorativa do quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo. A FPX e o CXSP, naquele ano festivo, promoveram o chamado Festival Nacional de Xadrez. O acontecimento, além do Campeonato Brasileiro, contou com concorrido torneio aberto e um evento internacional de composições de problemas de xadrez.

O Campeonato Brasileiro de 1954 foi o primeiro a ser efetuado pelo sistema suíço, na época praticamente desconhecido dos brasileiros, apesar de ter sido introduzido na Europa há mais de 50 anos (1895) pelo suíço Julius Muller. O alemão radicado em São Paulo Klaus Ulrich Heilbrunn, árbitro do campeonato, foi o introdutor do sistema no Brasil. O Brasileiro 1954 foi em nove rodadas, com 16 participantes. O número tinha que ser obrigatoriamente par, pois, naquela época, as normas do sistema suíço ainda eram rudimentares e não admitia o bye. Por isso, quando o paulista Henrique de Moraes Bastos abandonou a competição, após a quinta rodada, continuou a ser emparceirado nas quatro rodadas restantes.

Henrique de Moraes Bastos afastou-se do campeonato por motivo de doença, após perder para Souza Mendes na quinta rodada (Mendes venceu de pretas, com a Defesa Francesa em 65 lances). Os dois eram os líderes ao encerrar a quarta, com 3,5 pontos. Henrique Bastos continuou a ser emparceirado. Os adversários que o ganharam por wo (walk-over) foram: Nélson Dantas, José Adail Gondim, Prosdocimi e Laines.

A campanha de Souza Mendes (foto) aos 62 anos de idade foi excelente, talvez a melhor atuação dele em campeonatos brasileiros. Totalizou 95% de aproveitamento, com 8,5 pontos em 9 possíveis. Seu único empate foi na quarta rodada com o vice-campeão Nélson Dantas. Souza Mendes conquistou o título por antecipação ao vencer na penúltima rodada Hilwan Cantanhede, representante do antigo Estado do Rio. Na última rodada, também ganhou de Arrigo Prosdocimi e terminou a competição invicto. Os três primeiros colocados foram da então capital federal, o Rio de Janeiro. O quarto do antigo Estado do Rio de Janeiro, atualmente interior do novo Estado.

O vice-campeão brasileiro de 1954, Nélson Dantas, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 29/12/1908 e faleceu também no Rio de Janeiro em 26/10/1987.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1954

Souza Mendes 1 x 0 Hélder Câmara

 

Souza Mendes 1 x 0 Henrique Laynes

 

José Adail Gondim 0 x 1 Souza Mendes

 

José Adail Gondim 1 x 0 Márcio Elísio de Freitas

 

 

Campeonato Brasileiro 1956

Campeão: José Thiago Mangini (Rio-DF)

Vice-campeão: Luis Tavares da Silva (PE)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - J. T. Mangini - Rio-DF
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
0,5
1
1
1
1
1
11,0
2 - Luiz Tavares da Silva - PE
0,5
1
1
0,5
1
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
9,5
3 - Nélson Dantas - Rio-DF
0
0
1
0,5
0,5
1
1
0,5
0,5
1
0,5
1
1
8,5
4- Manoel Madeira de Ley-SP
0,5
0
0
1
0
0,5
0,5
0,5
1
1
1
0,5
1
7,5
5 - Eduardo Asfora - PE
0,5
0,5
0,5
0
0,5
0
1
0
0,5
0,5
1
1
1
7,0
6 - Haroldo Vannier - Rio-DF
0
0
0,5
1
0,5
1
0
1
0,5
0,5
0
1
0,5
6,5
7 - Carlos Peixoto RS
0
0,5
0
0,5
1
0
0,5
1
0
0,5
0,5
1
1
6,5
8 - Edgar Nadra Ary - CE
0
0
0
0,5
0
1
0,5
1
0,5
0
1
0,5
1
6,0
9 - Mauro Athayde - PR
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0
0
0
0,5
0,5
0,5
1
0
5,5
10 - Arrigo Prosdocimi - SP
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0
5,5
11 - Mauricio Berenzon - SP
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
0
1
5,5
12 - Olício Gadia - Rio-DF
0
0
0,5
0
0
1
0,5
0
0,5
0,5
0,5
1
1
5,5
13 - Sabino Ribeiro - Rio-DF
0
0,5
0
0,5
0
0
0
0,5
0
0,5
1
0
1
4,0
14 - Almeida Soares - RJ
0
0
0
0
0
0,5
0
0
1
1
0
0
0
2,5

O Campeonato Brasileiro de 1956 foi disputado no Clube Naval (Avenida Rio Branco, 180), no período de 16 a 30 de outubro de 1956. O árbitro principal foi Agnaldo Josetti. A realização da prova máxima do País pulou de 1954 para 1956 por motivo de ordens administrativas, pois a CBX, presidida pelo então Coronel Edmundo Gastão da Cunha, não conseguira efetuá-la no ano de 1955. Com isso, aconteceu a primeira lacuna na programação do Brasileiro desde 1947. O Clube Naval (gestão do Presidente Antônio Maria de Carvalho) iniciava a série de três promoções do Campeonato Brasileiro, já que seria a sede nos anos de 1957 e 1958.

O campeonato de 1956 apresentou desde o início a excelente forma do pernambucano Luiz Tavares da Silva. Na quarta rodada, ele era o líder absoluto, com quatro pontos ganhos. Na quinta, J. T. Mangini assumiu a liderança e manteve até o fim. Mangini foi campeão por antecipação ao empatar com o próprio Luiz Tavares, na penúltima rodada. Na última, Mangini também empatou com Manuel Madeira de Ley e conquistou o título invicto. O vice-campeão, Luiz Tavares, igualmente terminou a competição invicto. O campeão de 1954, João de Souza Mendes, abandonou a prova após a primeira rodada por motivo de saúde. Nessa rodada, muito adoentado, perdeu para o cearense Edgard Ari, que jogou muito bem (ver a partida mais adiante). O campeão Mangini recebeu medalha de ouro da CBX e a Taça Santos Dumont, instituída pela Federação Metropolitana de Xadrez (FMX) em homenagem ao campeão brasileiro do ano comemorativo do cinquentenário do primeiro voo de Santos Dumont com o aparelho mais pesado do que o ar.

Na época da conquista do título de 1956, J. T. Mangini encontrava-se no clímax da sua carreira enxadrística. Vinha de longa série de títulos cariocas do então Distrito Federal, iniciada em 1947. Pentacampeão carioca de 1950 a 1954 e campeão de 1956. Só não foi heptacampeão da antiga capital federal, porque José Adail Catunda Gondim fora o vencedor do campeonato de 1955 (Mangini, meio ponto a menos na segunda colocação). Como acontecera no Brasileiro em 1950, Mangini também foi invicto em 1956.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1956

J.T. Mangini 1 x 0 Olício Gadia

 

Arrigo Prosdocimi 0 x 1 J.T. Mangini

 

Eduardo Asfora 0 x 1 Manuel Madeira de Ley

 

Arrigo Prosdocimi 0 x 1 Almeida Soares

 

 

Campeonato Brasileiro 1957

Campeão: Luis Tavares da Silva (PE)

Vice-campeão: Carlos Peixoto (RS)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
PG
1 - Luiz Tavares da Silva - PE
1
1
0,5
1
1
1
0
1
0,5
0,5
1
8,5
2 - Carlos Peixoto - RS
0
0
1
1
0,5
1
0,5
1
0,5
1
1
7,5
3 - Jose Adail Gondim - RJ
0
1
0,5
0
1
0
1
1
1
0,5
1
7,0
4 - J. T. Mangini - Rio-DF
0,5
0
0,5
0,5
0,5
1
1
0
1
1
1
7,0
5 - Joao Souza Mendes - Rio-DF
0
0
1
0,5
0
1
1
1
0,5
1
1
7,0
6 - Olício Gadia - Rio-DF
0
0,5
0
0,5
1
0,5
1
0
1
1
1
6,5
7 - Teotônio Vasconcellos- Rio-DF
0
0
1
0
0
0,5
1
1
0
1
1
5,5
8 - Nélson Dantas - Rio-DF
1
0,5
0
0
0
0
0
0,5
1
1
1
5,0
9 - Francisco Alves - CE
0,5
0,5
0
0
0,5
0
1
0
0
1
1
4,5
10 - Eduardo Asfora - PE
0
0
0
1
0
1
0
0,5
1
0
1
4,5
11 - Almeida Soares - RJ
0,5
0
0,5
0
0
0
0
0
0
1
0,5
2,5
12 - Rodolfo Abel Barros - PA
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0,5

Apesar do grande número de eventos enxadrísticos promovidos no ano, a Confederação Brasileira de Xadrez não deixou de realizar o Campeonato Brasileiro de 1957, vencido pelo pernambucano Luiz Tavares da Silva. As duas competições mais importantes de 1957 foram os Zonais Sul-Americanos masculino e feminino, provas seletivas para o Campeonato Mundial, realizadas no Clube Militar (Rio de Janeiro). O vencedor do zonal masculino foi o GM da Argentina Oscar Panno. No feminino, a argentina Soledad Huguet foi a vencedora. No ano de 1957, também foi disputado o primeiro Campeonato Brasileiro Feminino, com a vitória da paulista Dora de Castro Rúbio.

O Campeonato Brasileiro ficou para o final do ano. Foi realizado no período de 9 a 20 de dezembro de 1957, no Clube Naval (exceção da primeira rodada, disputada na antiga subsede do Olímpico Clube, na Rua Álvaro Alvim - Centro do Rio). O campeonato contou com a participação de doze enxadristas de cinco Estados e do Distrito Federal (Rio). A grande ausência foi de enxadristas do Estado de São Paulo. A Federação Paulista alegou que o comunicado da CBX sobre a competição chegou a São Paulo na véspera do início da mesma. O paulista Olício Gadia na época já estava radicado no Rio de Janeiro, inclusive era o campeão carioca de 1957.

Mangini, campeão do ano anterior; e Souza Mendes, que ostentava na sua carreira seis títulos brasileiros, eram os grandes favoritos. Mas foram derrotados logo na primeira rodada. Mangini para o gaúcho Carlos Peixoto e Souza Mendes para Luiz Tavares. A partir daí, a corrida para o título tornou-se sensacional. Souza Mendes reagiu e manteve a segunda colocação durante cinco rodadas, apenas meio ponto atrás de Tavares e Peixoto, que lutavam com muita garra para segurar a primeira colocação. Na sétima rodada, Souza Mendes somou cinco pontos e alcançou os dois na liderança. Na oitava, Peixoto caiu do primeiro lugar ao perder para Tavares. Souza Mendes continuou líder junto com o pernambucano ao vencer Almeida Soares. Após a nona rodada, os dois ainda eram os ponteiros, com sete pontos. Porém, Souza Mendes sucumbiu nas duas últimas rodadas (décima e décima primeira), perdendo para Peixoto e Gadia, respectivamente. Luiz Tavares venceu Gadia e empatou com Francisco Alves (última rodada) conquistando o título de campeão brasileiro de 1957.

O campeão brasileiro de 1957, Luiz Tavares da Silva, nasceu em Recife (PE) em 13/4/1916. Faleceu também em Recife em 29/6/1994. A sua fibra e energia foram fantásticas. Com elas, conseguiu conciliar a profissão de cardiologista com o xadrez, tomando parte em vários campeonatos brasileiros, torneio abertos, competições estaduais e internacionais, a partir da década de 1930. Em 1991, com 75 anos de idade, conquistou o título de campeão brasileiro de veteranos e participou do primeiro campeonato mundial da categoria em Bad Worishofen (Alemanha). Tavares ficou na sétima colocação entre 111 concorrentes (o campeão foi o GM russo Vassily Smyslov). O vínculo de Luiz Tavares com o xadrez também foi na parte administrativa. Ele foi diversas vezes presidente da Federação Pernambucana de Xadrez. Ocupou a presidência da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) em dois períodos: 1968 a 1970 e 1986 a 1988.

O vice-campeão brasileiro de 1957, Carlos Rodrigues Peixoto, nasceu em Pelotas (RS) em 5/5/1924. Faleceu também em Pelotas (RS) em 24/7/2014. Foi campeão gaúcho em 1953, 1956, 1957 e 1963.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1957

Luiz Tavares 1 x 0 José Adail Gondim

 

J.T. Mangini 0,5 x 0,5 Luiz Tavares

 

Eduardo Asfora 0 x 1 Almeida Soares

 

Souza Mendes 0 x 1 Luiz Tavares

"Tive que apelar para posições táticas, pois me considerava perdido. Acabei vencendo com ajuda dos bispos" - Luiz Tavares em 27/2/1992.

 

Campeonato Brasileiro 1958

Campeão: João de Souza Mendes Júnior (Rio - DF)

Vice-campeão: Sílvio Teixeira Mendes (Rio - DF)

Local: Rio de Janeiro (Rio-DF)

Classificação
1a.
2a.
3a.
4a.
5a.
6a.
7a,
8a.
PG
1 - João Souza Mendes - Rio-DF
=13
=7
+9
+5
=4
+11
=2
+5
6,0
2 - Sílvio Mendes - Rio-DF
+19
+17
+16
=4
+7
=5
=1
-3
5,5
3 - J. T. Mangini - Rio-DF
-8
-12
+20
+17
=6
+15
+5
+2
5,5
4 - Arrigo Prosdocimi - RS
+20
+8
+5
=2
=1
=9
-3
=6
5,0
5 - Olício Gadia - SP
+15
+10
-4
+13
+18
=2
=9
-1
5,0
6 - Nélson Dantas - Rio-DF
+9
-16
+13
-1
=3
+18
+8
=4
5,0
7 - Mauro de Athayde - PR
=17
=1
+12
+16
-2
=8
+10
=9
5,0
8 - Hélder Câmara - Rio-DF
+3
-4
=10
=11
+15
=7
-5
+17
4,5
9 - Lindolfo Gaya - Rio-DF
-6
+19
-1
+12
+16
=4
=5
=7
4,5
10 - Jorge Lemos - Rio-DF
+12
-5
=8
-18
+14
+16
-7
=15
4,0
11 - Sabino Ribeiro - Rio-DF
=14
-18
+17
=8
+13
-1
-12
+16
4,0
12 - Francisco Alves - CE
-10
+3
-7
-9
+20
=17
+11
=14
4,0
13 - Manoel Madeira de Ley - SP
=1
+14
-6
-5
-11
+19
=15
+20
4,0
14 - Tancredo Madeira de Ley Rio-DF
=11
-13
+19
-15
-10
+20
+18
=12
4,0
15 - Eduardo Asfora - PE
-5
+20
=18
+14
-8
-3
=13
=10
3,5
16 - José Adail Gondim - RJ
+18
+6
-2
-7
-9
-10
+19
-11
3,0
17 - Carlos Peixoto - RS
=7
-2
-11
-3
+19
=12
+20
-8
3,0
18 - Antônio Pacini - Rio-DF
-16
+11
=15
+10
-5
-6
-14
=19
3,0
19 - Herbert Caspary - Rio-DF
-2
-9
-14
=20
-17
-13
-16
=18
1,0
20 - Fábio Carvalho - RJ
-4
-15
-3
=19
-12
-14
-17
-13
0,5

O Campeonato Brasileiro de 1958 foi o último que o Rio de Janeiro realizou na condição de capital da República. Em 1959, o Rio ainda era Distrito Federal, mas o campeonato foi realizado em São Paulo. Em 21 de abril de 1960, a capital federal foi transferida para Brasília. Em julho desse ano, os enxadristas do Rio foram à Fortaleza disputar o Brasileiro, mas como representantes do Estado da Guanabara.

O campeonato de 1958 foi realizado na sede do Clube Naval, no período de 1º a 9 de dezembro de 1958. Pela segunda vez na história da competição, foi usado o sistema suíço de emparceiramento, que teve oito rodadas. O árbitro principal foi Klaus Ulrich Heilbrunn, alemão radicado em São Paulo, que também tinha sido o árbitro do primeiro suíço em campeonato brasileiro no ano de 1954. A direção geral do presidente da CBX, General Edmundo Gastão da Cunha, auxiliado pelo General Liguori Teixeira, Almeida Soares, Lauro Demoro e Washington de Oliveira.

O Brasileiro de 1958 também encerrou a série de três Brasileiros consecutivos efetuados no salão do Clube Naval, na Avenida Rio Branco, número 180. O clube ocupa atualmente o mesmo prédio daquela época, sendo um dos poucos imóveis remanescentes da arquitetura original da avenida. Quase não existem nos arredores do Clube Naval as construções da era romântica dos tempos do Campeonato Brasileiro de 1958. Arranha-céus substituíram prédios tradicionais como a Galeria Cruzeiro do Hotel Avenida (hoje Edifício Shopping Avenida Central), que ficava praticamente ao lado do Clube Naval.

O campeonato contou com vinte participantes, entre os quais os irmãos Tancredo e Manuel Madeira de Ley. Tancredo Madeira de Ley era redator da excelente coluna de xadrez do jornal carioca "Correio da Manhã". Sabino Ribeiro e Herbert Gaspari representaram as Forças Armadas. João de Souza Mendes conquistou o campeonato invicto, com quatro vitórias e quatro empates. Aos 66 anos de idade, ele conseguia o sétimo título no Brasileiro. A competição só foi decidida na última rodada. Sílvio Mendes liderou a prova da primeira à penúltima rodada. Após a quarta rodada, ele estava em primeiro juntamente com Prosdocimi, com 3,5 pontos, seguidos por Souza Mendes, Gadia e Ataíde, com 3 pontos. Na quinta, Sílvio Mendes isolou-se na ponta do campeonato, com 4,5. Continuou líder até o início da última rodada, quando precisava vencer Mangini (mas perdeu). Souza Mendes ganhou de Olício Gadia e, beneficiado com a vitória de Mangini sobre Sílvio Mendes, arrebatou o título da competição. J. T. Mangini ficou empatado na tabela de colocações com Sílvio Mendes, mas perdeu o vice no critério de desempate.

O vice-campeão brasileiro de 1958, Sílvio Teixeira Mendes, nasceu em Fortaleza (CE) em 1/8/1937. Faleceu em Itamonte (MG) em 10/10/2013. Foi campeão do antigo Estado do Rio de Janeiro (atualmente interior do novo Estado) em 1971, 1973 e 1974. Aprendeu a jogar xadrez na cidade do Rio de Janeiro, onde veio morar com a família ainda menino.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1958

Nélson Dantas 0 x 1 Souza Mendes

 

Souza Mendes 1 x 0 Lindolfo Gaya

 

Souza Mendes 1 x 0 Olício Gadia

 

Sílvio Mendes 0 x 1 J.T. Mangini

 

 

Campeonato Brasileiro 1959

Campeão: Olício Gadia (SP)

Vice-campeão: José Thiago Mangini (Rio-DF)

Local: São Paulo (SP)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
PG
1 - Olicio Gadia - SP
1
0,5
1
1
0
1
0,5
0
1
1
1
1
1
1
11,0
2 - J. T. Mangini - Rio-DF
0
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
0,5
1
1
1
1
11,0
3 - Maurício Berenzon - SP
0,5
0
0
0,5
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
11,0
4 - Joao Souza Mendes - Rio-DF
0
0,5
1
0
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
1
1
10,0
5 - Jair de Freitas - SP
0
0,5
0,5
1
0
0,5
1
1
0,5
0,5
0
1
1
1
8,5
6 - Pio Fiori Azevedo - RS
1
0,5
0
0
1
0
0
1
1
1
0,5
0
1
1
8,0
7 - Francisco Alves - CE
0
0
0
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0
1
0,5
1
1
1
7,5
8 -Tancredo Madeira de Ley - Rio-DF
0,5
0
0
0,5
0
1
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
0
1
7,0
9 - Rui Nogueira - PR
1
0
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0
1
6,0
10 - Luis Roberto Borges-SP
0
0
0
0
0,5
0
1
0,5
0,5
0
1
1
1
0
5,5
11- Hindenburgo Coelho -Rio-DF
0
0,5
0
0
0,5
0
0
0,5
0,5
1
0
0,5
1
0,5
5,0
12 - José Adail Gondim - RJ
0
0
0
0
1
0,5
0,5
0
0
0
1
0,5
0
1
4,5
13 - Antônio Canabrava- MG
0
0
0
0
0
1
0
0
0,5
0
0,5
0,5
1
1
4,5
14 - Washington Oliveira - RJ
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0
0
1
0
1
4,0
15 - Frederico Pimentel - ES
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0,5
0
0
0
1,5

O Campeonato Brasileiro de 1959 foi organizado pela Federação Paulista de Xadrez (gestão do Presidente Filastolfo de Almeida), no período de 13 a 29 de julho de 1959. A inauguração e o sorteio do emparceiramento aconteceram no auditório da Biblioteca Municipal de São Paulo. Por motivos financeiros, a competição foi realizada em diversos locais: Xadrez Claridge Clube, Clube de Xadrez São Paulo, Sociedade Paulista de Trote, União dos Ex-Alunos do Colégio Dom Bosco, Jockey Clube, todos na cidade de São Paulo; e uma rodada no Clube de Xadrez de Santos.

O campeão foi o paulista Olício Gadia, que ostentava na época o título de bicampeão (1958-1959) do interior de São Paulo, representando a cidade de Marília. Gadia empatou na primeira colocação com o carioca José Thiago Mangini e outro paulista, Maurício Berezon, todos com 11 pontos. Mas, Gadia foi beneficiado pelo melhor sonneborn-berger, primeiro critério desempate. Mangini ficou com o vice-campeonato; e Berezon, em terceiro.

Após o campeonato, J. T. Mangini fez severa campanha contra o emprego do sistema sonneborn-berger para definir o campeão, em sua coluna em O Globo. Também condenou o mineiro Canabrava por ter abandonado a competição nas últimas rodadas. Mangini venceu Canabrava no tabuleiro e sentiu-se prejudicado, pois o mineiro perdeu por não comparecimento para Gadia e Berezon.

Márcio Elísio de Freitas, na época presidente do Clube de Xadrez São Paulo, iria participar da competição. Chegou a ser sorteado e deveria jogar, na primeira rodada, com Tancredo Madeira de Ley (redator de xadrez do extinto jornal carioca Correio da Manhã). Porém, Márcio Elísio foi obrigado a desistir do campeonato por motivo de doença. O representante das Forças Armadas foi o então Major Hindemburgo Coelho Araújo. O participante Jair de Oliveira Freitas era irmão de Márcio Elísio.

O campeão brasileiro de 1959, Olício Gadia, nasceu em Marília (SP) em 8/7/1928. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1/5/1988. No início da década de 1960, exerceu o cargo de presidente da Federação Metropolitana de Xadrez (antiga entidade oficial do xadrez da cidade do Rio de Janeiro). Conquistou o título de campeão carioca nos anos de 1957 e 1962. Também foi campeão brasileiro em 1962. Representou o Brasileiro em diversas competições internacionais, onde ganhou a amizade do ex-campeão mundial Boris Spassky.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1959

Olício Gadia 1 x 0 Hindemburgo Coelho

 

Tancredo Madeira de Ley 0,5 x 0,5 Olício Gadia

 

Antonio Canabrava 0 x 1 J. T. Mangini

 

Maurício Berezon 0 x 1 J. T. Mangini

 

 

Campeonato Brasileiro 1960

Campeão: : Ronald Câmara (CE)

Vice-campeão: Luiz Campelo Gentil (CE)

Local: Fortaleza (CE)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
PG
1 - Ronald Câmara - CE
0,5
1
1
1
1
1
0,5
0,5
1
1
1
0
0,5
1
11,0
2 - Luiz Gentil - CE
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
0,5
1
0,5
0,5
1
1
0,5
10,0
3 - Eduardo Asfora - PE
0
0,5
0
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
1
1
1
0,5
9,5
4 - Sílvio Mendes - RJ
0
0,5
1
0,5
0
0,5
0,5
1
0
1
0,5
1
0,5
1
8,0
5 - Semi Ammar - SP
0
0
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
1
0,5
0
0,5
0,5
1
7,5
6 - Erbo Stenzel - PR
0
0
0
1
0,5
1
1
1
0
0,5
0
1
0,5
1
7,5
7 - João Souza Mendes - GB
0
0,5
0,5
0,5
0
0
1
0
0,5
1
0,5
1
0,5
1
7,0
8 - Carlos Benevides-CE
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0
0
0,5
1
0,5
1
0,5
0
1
6,5
9 - Hélder Camara - GB
0,5
0,5
0
0
0
0
1
0,5
0
0,5
1
1
0,5
1
6,5
10 - Cláudio Ary - CE
0
0
0
1
0
1
0,5
0
1
1
0,5
0
0,5
1
6,5
11 - Francisco Alves - CE
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0
1
1
1
1
6,5
12- Pio Fiori Azevedo- RS
0
0,5
0
0,5
1
1
0,5
0
0
0,5
0
0
1
1
6,0
13 - Peter Toth - GB
1
0
0
0
0,5
0
0
0,5
0
1
0
1
1
1
6,0
14 - Olício Gadia - SP
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0
0
0
1
5,5
15- Gratuliano Bibas - PA
0
0,5
0,5
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1,5

O Campeonato Brasileiro de 1960, patrocinado pela Federação Cearense de Xadrez e Náutico Atlético Cearense, foi realizado no período de 16 de julho a 2 de agosto de 1960. Pela primeira vez, os representantes da cidade do Rio de Janeiro defenderam o Estado da Guanabara (GB), criado com a transferência da capital federal para Brasília. Henrique Peltesohn e Mário Câmara Vieira dirigiram a competição. O árbitro geral foi Gessiner Farias. Ronald Câmara conquistou o título, seguido por Luiz Gentil.

Olício Gadia, campeão do ano anterior, foi a decepção, ocupando a penúltima colocação. Hélder Câmara liderou até a quinta rodada. Mas, depois, caiu de produção. Creso Euclides, do Espírito Santo, desistiu do campeonato após a sexta rodada por motivo justificado. Até então, ele perdera todas as partidas: Cláudio Ari, Gentil, Hélder, Ammar, Stenzel e Sílvio Mendes. Os pontos desses adversários não foram computados, pois o enxadrista capixaba não completou os 50% do total das partidas da competição. Ronald, Gentil e Asfora travaram luta empolgante pela liderança durante todo o torneio. A partir da décima primeira rodada, Ronald conservou-se firme na ponta até a obtenção do seu primeiro título de campeão do Brasil, com vantagem de um ponto para o vice-campeão.

O campeão brasileiro de 1960, Ronald Câmara, nasceu em Fortaleza (CE) em 11 de abril de 1927. Faleceu em Fortaleza (CE) em 29/6/2015. Herdou do pai Gilberto Câmara (o paladino do xadrez do Nordeste) a grande vocação para as coisas do xadrez. Na década de 1970, fez parte da administração do presidente da CBX, Luiz Gentil, quando houve muitas participações brasileiras no exterior e a boa organização do Interzonal de Petrópolis em 1973. Escreveu colunas de xadrez no Diário do Nordeste (CE) e em O Povo (coluna que durou cerca de quatro décadas). Ronald escreveu também três livros de xadrez: Peões na Sétima (1960), No Mundo dos Trebelhos (1996) e Minhas Partidas Favoritas (2006).

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1960

Ronald Câmara 1 x 0 Erbo Stenzel

 

Ronald Câmara 1 x 0 Souza Mendes

 

Eduardo Asfora 0 x 1 Ronald Câmara

 

Peter Toth 1 x 0 Ronald Câmara

 

 

Campeonato Brasileiro 1961

Campeão: Ronald Câmara (CE)

Vice-campeão: Francisco Alves (CE)

Local: Vitória (ES)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
PG
1 - Ronald Câmara - CE
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
1
12,0
2 - Francisco Alves - CE
0,5
0,5
0
1
1
0,5
1
1
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
10,5
3 - Hélder Câmara - GB
0,5
0,5
0
0,5
0,5
1
1
0,5
1
0,5
1
1
0,5
1
1
10,5
4 - Eduardo Asfora - PE
0,5
1
1
0
0,5
0
1
1
1
1
1
0
1
0
1
10,0
5 - João Souza Mendes - GB
0
0
0,5
1
0
0,5
1
1
0
0,5
1
1
1
1
1
9,5
6 - Pio Fiori Azevedo-RS
0
0
0,5
0,5
1
1
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
1
9,0
7 - Olício Gadia - SP
0
0,5
0
1
0,5
0
0,5
0,5
0
1
1
1
1
1
1
9,0
8 - Décio Lazzarini - SP
0
0
0
0
0
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
1
0,5
1
8,0
9 - Sérgio Farias - RJ
0,5
0
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0
1
1
1
1
7,5
10 - Sílvio Mendes - DF
0,5
0,5
0
0
1
0,5
1
0
0,5
0,5
0,5
0
0
1
1
7,0
11-Gilberto Michelini-ES
0
0,5
0,5
0
0,5
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0
1
6,0
12-Frederico Pimentel-ES
0
0,5
0
0
0
0,5
0
0
1
0,5
0,5
1
0
1
1
6,0
13 - Sabino Ribeiro - GB
0,5
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
1
1
1
5,5
14 - Luiz Tavares - PE
0
0
0,5
0
0
0,5
0
0
0
1
0,5
1
0
1
1
5,5
15 - Sérgio Nasser - ES
0
0,5
0
1
0
0
0
0,5
0
0
1
0
0
0
0,5
3,5
16 - César Gianordoli -ES
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0,5

A então tranquila cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, na época com apenas noventa mil habitantes, sediou o Campeonato Brasileiro de 1961 no período de 13 a 28 de outubro de 1961. A competição foi organizada pelo Clube de Xadrez Capixaba e realizada no Edifício Palácio do Café, na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes. O cearense Ronald Câmara repetiu o feito do ano anterior e conquistou o bicampeonato brasileiro.

O enxadrista vitoriense Gilberto Michelini, importante executivo do comércio e exportação do café, foi o principal mentor financeiro para que o campeonato pudesse ser efetuado em Vitória. Michelini também participou da competição e foi destaque no grupo de menor força. A direção do torneio esteve a cargo de Érico Machado. O árbitro principal foi o General Edmundo Gastão da Cunha, que era o presidente da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) e representante da FIDE para a Zona Sul-Americana.

Pela primeira vez, um ano e meio após sua fundação, Brasília (DF) mandou um representante: Sílvio Teixeira Mendes. O xadrez de Brasília estava ainda engatinhando. Sob a direção de José Gentil (irmão de Luiz Gentil), Brasília realizou em 1961 o seu primeiro campeonato, vencido por Sílvio Mendes, seguido por Geraldo Seabra.

O Campeonato Brasileiro de 1961 contou com a participação de três ex-campeões brasileiros: João de Souza Mendes Júnior, Olício Gadia e Luiz Tavares da Silva. Entre eles, Souza Mendes fez a melhor campanha, com o quinto lugar. O campeão de 1959, Olício Gadia, fez torneio apenas razoável, mas não tão ruim como no campeonato anterior, quando ocupou a penúltima colocação. O campeão de 1957, Luiz Tavares, não foi bem, ocupando modesto décimo quarto lugar. O bicampeão Ronald Câmara ganhou dos três. Os desempates foram pelo sistema sonneborn-berger. Empregando esse critério, Francisco Alves foi o vice-campeão; e Hélder Câmara, o terceiro colocado.

O vice-campeão brasileiro de 1961, Francisco Alves do Santos (o Chico Alves do xadrez), nasceu em Fortaleza em 20/10/1930. Faleceu também em Fortaleza em 19/10/1988. Conquistou o título de campeão cearense nove vezes: 1957-1958-1959 (tricampeão), 1961, 1964-1965 (bicampeão), 1968-1969-1970 (tricampeão).

A campanha do bicampeonato de Ronald Câmara foi excelente e melhor do que a do ano anterior. Em 1960, perdeu uma partida para Peter Toth. Em 1961, conquistou o título invicto (nove vitórias e seis empates). Sua vantagem sobre os enxadristas que ocuparam a segunda colocação (Francisco Alves e Hélder Câmara) foi de um ponto e meio. Totalizou 80 por cento de aproveitamento.

Sérgio Farias representou o antigo Estado do Rio. Ele garantiu esse direito ao vencer o Campeonato Fluminense de 1961, em Macaé. O vice foi Washington de Oliveira, que no ano anterior havia sido campeão, com Sérgio Farias em segundo.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1961

Pio Fiori Azevedo 0 x 1 Ronald Câmara

 

Ronald Câmara 1 x 0 Souza Mendes

 

Ronald Câmara 1 x 0 Gilberto Michelini

 

Souza Mendes 0 x 1 Sílvio Mendes

(prêmio de beleza do Brasileiro 1961 - Se 21 Te1 tentando ganhar a dama, Sílvio responde 21 .... Bc5+, 22 Rh1 0-0 23 Txe5 Tf1 xeque-mate. Como se fosse um toque de mágica, o rei preto sai do centro e decide a partida).

 

Campeonato Brasileiro 1962

Campeão: Olício Gadia (GB)

Vice-campeão: Eduardo Asfora (PE)

Local: Campinas (SP)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
PG
1 - Olício Gadia - GB
1
0,5
0,5
1
1
1
0
1
1
0
1
1
1
1
1
1
1
14,0
2 - Eduardo Asfora - PE
0
1
0,5
0
0
1
1
1
0,5
1
1
1
1
1
1
1
1
13,0
3 - Teotônio Vasconcellos - GB
0,5
0
1
1
0
0
0
0,5
0,5
1
1
1
1
1
1
1
1
11,5
4 - J. T. Mangini - GB
0,5
0,5
0
0,5
1
0
0
0,5
1
1
1
0,5
1
1
1
1
1
11,5
5 - Pedro Joly - SP
0
1
0
0,5
1
0,5
0,5
0,5
0
0
1
0,5
1
1
1
1
1
10,5
6 - Francisco Alves- CE
0
1
1
0
0
1
0,5
1
0,5
1
0,5
1
0
1
0
0,5
1
10,0
7 - Humberto Sales- SP
0
0
1
1
0,5
0
0,5
0
0,5
1
0
1
0
1
1
1
1
9,5
8 - Beresford Moreira ES
1
0
1
1
0,5
0,5
0,5
0
0
1
0
0
0
1
1
0,5
1
9,0
9 - Fernando Kruel - RS
0
0
0,5
0,5
0,5
0
1
1
0
0
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
9,0
10 - Sérgio Farias - RJ
0
0,5
0,5
0
1
0,5
0,5
1
1
1
0,5
0
0
0
0
1
1
8,5
11 - Erbo Stenzel - PR
1
0
0
0
1
0
0
0
1
0
1
1
0,5
0
1
1
1
8,5
12 - Bo Gustav Detow - SP
0
0
0
0
0
0,5
1
1
0,5
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
1
8.5
13 - José Hollmann- SP
0
0
0
0,5
0,5
0
0
1
0,5
1
0
0,5
0,5
1
1
0,5
1
8,0
14 - Lacerda Guimarães SP
0
0
0
0
0
1
1
1
0,5
1
0,5
0
0,5
0,5
0,5
0
1
7,5
15 - César Parreiras-BA
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
0,5
0
0,5
1
1
1
6,0
16 - Luiz Tavares - PE
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0,5
0
1
0,5
4,0
17- Ernesto Jeusus Martins-DF
0
0
0
0
0
0,5
0
0,5
0
0
0
0
0,5
1
0
0
1
3,5
18 - Geraldo Seabra -DF
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0,5
0
0,5

O Campeonato Brasileiro de 1962 foi realizado em Campinas (SP) no período de 14 de outubro a 4 de novembro de 1962. As rodadas aconteceram no Clube Semanal de Cultura Artística de Campinas, com exceção da quarta no Tênis Clube de Campinas e a do dia 27/10/1962 (sábado), a única disputada fora de Campinas, na sede do Clube de Xadrez São Paulo. O campeão foi o paulista Olício Gadia, que naquele ano estava radicado na cidade do Rio de Janeiro e defendeu o Estado da Guanabara. O árbitro geral foi o General Edmundo Gastão da Cunha, presidente da CBX e árbitro internacional. Ele foi auxiliado pelos campineiros Armando Rizzoni e Luís Alberto Pires. A grande surpresa da competição coube ao campeão de Campinas Pedro Juarez Joly, que fez campanha destacada com merecida quinta colocação. Outro que sobressaiu foi Humberto Sales Fernandes, campeão paulista do interior de 1962.

O campeonato foi bastante criticado pela imprensa especializada por causa do grande número de convidados da CBX, que não participaram das fases classificatórias: Humberto Sales, Pedro Joly, José Holmann, Lacerda Guimarães e Ernesto Jesus Martins. O enxadrista Bo Gustav Detow, terceiro colocado no Campeonato Paulista de 1962, representou São Paulo em substituição ao campeão e vice-campeão paulista daquele ano, respectivamente, João Gabriel Abdala e Miroslva Taseki. Sérgio Farias, vice-campeão de 1962 do antigo Estado do Rio de Janeiro, entrou no lugar do campeão José Carlos de Almeida Soares, que não pôde participar. Os demais eram campeões estaduais ou do raking nacional. O então Coronel Teotônio Vasconcelos ganhou o direito de participar por ser o campeão das Forças Armadas.

Olício Gadia fez o seu melhor desempenho em campeonatos brasileiros. Após a conquista de 1959, que não chegou a ser brilhante, ele decepcionou em Fortaleza (CE) e Vitória (ES), ocupando colocações modestas. O ano de 1962, porém, foi o melhor da sua carreira. Primeiramente, vence merecidamente o difícil Campeonato Carioca. Depois, no Brasileiro de Campinas, jogou com bastante firmeza. Contra Eduardo Asfora, mostrou sua imperturbabilidade na competição ao ganhar a partida perdida, após o adversário não ter aproveitado o xeque-mate em três lances.

A VACILAÇÃO DE EDUARDO ASFORA

Na posição do diagrama acima, Olício Gadia, acabou de jogar 30 .... Be6? Asfora podia dar mate em três: 31.Bc6+ bxc6 32.Dxc6+ Bd7 33. Dxd7mate. Mas não deu. Jogou 31. Dc7. Gadia respondeu com 31 ... Dc4. A partida prolongou-se até o lance 53, com a vitória de Gadia. Eduardo Asfora deixou escapulir o título de campeão brasileiro de 1962. Naquele momento, era o líder absoluto. Se desse o xeque-mate, Gadia ficaria um ponto e meio atrás. Porém, com a derrota de Asfora, Gadia assumiu a liderança da competição e conquistou o título depois.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1962

Olício Gadia 1 x 0 Francisco Alves

 

Beresford Moreira 0 x 1 Olicio Gadia

 

Eduardo Asfora 1 x 0 Humberto Salles

 

Luiz Tavares 0 x 1 Teotônio Vasconcelos

 

 

Campeonato Brasileiro 1963

Campeão: Hélder Câmara (GB)

Vice-campeão: Antônio Rocha (GB)

Local: Recife (PE)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
PG
1 - Hélder Câmara - GB
0,5
0,5
0
0,5
1
1
1
1
1
1
0,5
1
1
1
1
12,0
2 - Antônio Rocha - GB
0,5
0,5
1
0,5
1
1
1
1
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
11,5
3 - Mauro Athayde - PR
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
1
0,5
0,5
1
1
1
1
1
11,5
4 - Eduardo Asfora - PE
1
0
0,5
0
0,5
1
1
0,5
1
0,5
1
0
1
1
1
10,0
5 - Belfort Matos - SP
0,5
0,5
0,5
1
0
0,5
0
1
1
0
0,5
1
1
1
1
9,5
6 - Pinto Paiva - BA
0
0
0,5
0,5
1
0
1
0
1
1
1
1
0,5
1
1
9,5
7 - J. T. Mangini - GB
0
0
0
0
0,5
1
1
1
1
0,5
0
0,5
0
1
1
7,5
8 - Luiz Tavares - PE
0
0
0
0
1
0
0
1
1
0
0,5
0,5
1
1
1
7,0
9 - Mílton Tavares - PE
0
0
0
0,5
0
1
0
0
0,5
1
1
1
0,5
0
1
6,5
10 -Teotônio Vasconcelos GB
0
0,5
0,5
0
0
0
0
0
0,5
1
1
1
0
1
1
6,5
11 - Peter Toth - GB
0
0,5
0,5
0,5
1
0
0,5
1
0
0
0
0
1
0
1
6,0
12 - Fred Saboya - CE
0,5
0,5
0
0
0,5
0
1
0,5
0
0
1
0,5
0,5
0,5
0
5,5
13 - João Souza Mendes - GB
0
0
0
1
0
0
0,5
0,5
0
0
1
0,5
1
0
1
5,5
14 - Leopoldo Maia - PE
0
0
0
0
0
0,5
1
0
0,5
1
0
0,5
0
1
1
5,5
15 - Francisco Alves - CE
0
0,5
0
0
0
0
0
0
1
0
1
0,5
1
0
0
4,0
16- Francisco Guimarães-PE
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
2,0

O Campeonato Brasileiro de 1963 foi organizado pela Federação Pernambucana de Xadrez e realizado no Clube Internacional (Recife), no período de 1º a 19 de julho de 1963. O árbitro principal foi Aluísio Cunha, substituído por Gílvan Tompson, nas quatro últimas rodadas. O campeão foi o representante do Estado da Guanabara (Rio de Janeiro) Hélder Câmara, que só perdeu uma partida para Eduardo Asfora. Antônio Rocha e Mauro Ataíde terminaram a competição invictos na segunda colocação. Rocha, entretanto, conquistou o título de vice-campeão pelo sonneborn-berger.

Hélder, Rocha e Ataíde lutaram, desde o início, pela primeira colocação da competição. Rocha foi o líder absoluto até a sétima rodada (Rocha, 6 pontos; Hélder e Paiva, 5,5; e Ataíde, 5). Na oitava, Rocha empatou com Belfort Mattos; e Hélder venceu Pinto Paiva. Hélder e Rocha, então, dividiram a liderança, com 6,5 pontos. Na nona rodada, Hélder ganhou de Souza Mendes; e Rocha empatou com Teotônio Vasconcelos. Hélder passou a líder isolado, com 7,5. Rocha e Ataíde em segundo, com 7. Paiva perdeu para Milton Tavares (segunda derrota seguida) e ficou praticamente fora da luta pelo título. Na décima rodada os três reais pretendentes ao título perderam pontos: Hélder foi derrotado por Asfora. Rocha empatou com Saboya; e Ataíde, com Peter Toth. Assim, Hélder, Rocha e Ataíde passaram a dividir a liderança, com 7,5 pontos.

Na décima primeira, os três venceram e continuaram na ponta. Na décima segunda, Rocha e Ataíde empataram entre si. Hélder venceu Francisco Alves e assumiu a liderança novamente. Na décima terceira, os três venceram e as posições não se alteraram: Hélder, 10,5 pontos; Rocha e Ataíde, 10. Na décima quarta (penúltima rodada), Rocha empatou com Peter Toth; e Ataíde, com Pinto Paiva. Hélder derrotou Milton Tavares e somou um ponto a mais que os segundos colocados. Na última rodada, Hélder empatou rapidamente com Belfort Mattos, antes das outras partidas terminarem, e foi comemorar o título de campeão brasileiro de 1963.

Os quatro primeiros colocados do Brasileiro de 1963 completaram a equipe que defendeu o Brasil no V Zonal Sul-Americano, setembro de 1963 em Fortaleza (CE). O campeão desse Zonal foi o argentino Hector Rossetto, seguido pelo seu compatriota Alberto Foguelman. Mauro Ataíde teve atuação destacada, ocupando a terceira colocação com o peruano Oscar Quiñones e o argentino Samuel Schweber. Na desempate entre os três para definir a terceira vaga da América do Sul ao Interzonal de Amsterdam (Holanda), Ataíde não foi bem. A vaga ficou com Quiñones.

O campeão brasileiro de 1963 Hélder Câmara nasceu em Fortaleza (CE) no dia 7 de fevereiro de 1937, data em que o tio, Dom Hélder Câmara, comemorava 28 anos de idade. Da mesma forma que o irmão Ronald Câmara, ele recebeu a gênese enxadrística do pai Gilberto Câmara. No final da década de 1950, Hélder se transferiu do Ceará para o Rio de Janeiro, a então Capital Federal. No Rio, foi campeão carioca em 1958, 1960 e 1961 e escreveu coluna de xadrez no Jornal dos Sports. Em 1967, foi morar em São Paulo, onde passou a dirigir a tradicional seção de xadrez do jornal O Estado de São Paulo, em substituição a Ludwig Engels (1905-1967), Mestre Internacional alemão radicado em São Paulo. Em 1968, Hélder voltou a conquistar o Campeonato Brasileiro. Também foi campeão paulista em 1968. Hélder obteve o título de Mestre Internacional no Zonal Sul-Americano de 1972, em São Paulo. Publicou em São Paulo revistas e boletins de xadrez. Quando Hélder Câmara conquistou o Campeonato Brasileiro de 1963, seus amigos da Praça da Cruz Vermelha (Rio de Janeiro, RJ), liderados por Nilton Cortes (falecido em 1996), colocaram faixas alusivas à conquista em postes em alguns pontos do Centro do Rio. Segundo os jornais da época, por causa dessas faixas, o então bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Hélder Câmara (1909-1999), recebeu inúmeros cumprimentos, antes de poder explicar que o campeão brasileiro não era ele, mas sim o seu sobrinho. Hélder Câmara faleceu em São Paulo (SP) em 20/2/2016.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1963

Hélder Câmara 1 x 0 Leopoldo Maia Filho

 

Pinto Paiva 0 x 1 Hélder Câmara

 

Hélder Câmara 1 x 0 Teotônio Vasconcelos

 

Eduardo Asfora 0 x 1 Antônio Rocha

 

 

Campeonato Brasileiro 1964

Campeão: Antônio Rocha (DF)

Vice-campeão: Hélder Câmara (GB)

Local: Brasília (DF)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
PG
1 - Antônio Rocha - DF
0,5
0,5
0
1
0,5
1
1
0,5
1
1
1
1
1
1
1
1
1
14,0
2 - Hélder Câmara - GB
0,5
1
0,5
1
1
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
0
1
1
1
1
13,5
3 - Márcio Elísio de Freitas - SP
0,5
0
1
0,5
1
0
1
0,5
0,5
1
0,5
1
1
1
1
0,5
0,5
11,5
4 - Olício Gadia - GB
1
0,5
0
0
1
0
0,5
0
1
0,5
1
1
0
1
1
1
1
10,5
5 - Luiz Tavares - PE
0
0
0,5
1
1
0
0,5
1
0
0,5
1
0
1
0,5
1
1
1
10,0
6 - Eduardo Asfora - PE
0,5
0
0
0
0
0,5
0
1
1
1
0,5
0,5
1
1
1
1
1
10,0
7 - Sérgio Farias - GB
0
0
1
1
1
0,5
0
0,5
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
1
1
1
9,0
8 - Adaucto Nóbrega - SC
0
0,5
0
0,5
0,5
1
1
0
0,5
0
0,5
1
1
0,5
0
1
1
9,0
9 - Pinto Paiva - BA
0,5
0,5
0,5
1
0
0
0,5
1
0
1
0
1
0,5
0
1
0,5
0,5
8,5
10 - João Souza Mendes - GB
0
0,5
0,5
0
1
0
0,5
0,5
1
0
0
1
0
1
1
0
1
8,0
11 - J. T. Mangini - GB
0
0
0
0,5
0,5
0
1
1
0
1
0
1
1
0
0
1
1
8,0
12 - Alberto Teófilo - PE
0
0
0,5
0
0
0,5
1
0,5
1
1
1
1
0,5
0
0
0
0,5
7,5
13 - Francisco Alves - CE
0
0
0
0
1
0,5
0,5
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
7,0
14 - Tancredo Madeira de Ley - DF
0
1
0
1
0
0
0,5
0
0,5
1
0
0,5
0
0
0
1
1
6,5
15 - Marcos Moenich - DF
0
0
0
0
0,5
0
0,5
0,5
1
0
1
1
0
1
0
1
0
6,5
16 - João Serra Azul - DF
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
1
0
1
1
0,5
1
6,5
17 - Licurgo Holzmann -PR
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0,5
1
0
1
0
0
0
0,5
1
4,5
18 - Benício Cunha - DF
0
0
0,5
0
0
0
0
0
0,5
0
0
0,5
0
0
1
0
0
2,5

Em Brasília, a nova capital federal, quatro meses após a revolução que derrubou o Presidente da República João Goulart, aconteceu o Campeonato Brasileiro de 1964. A competição foi realizada no salão principal do Hotel Nacional, no período de 7 a 26 de agosto de 1964. A direção foi de José Gentil Neto, auxiliado por Lindiner Reis. O árbitro principal foi o então Tenente-Coronel Teotônio de Vasconcelos.

O gaúcho Antônio Rocha, morador no Rio de Janeiro e treinador da equipe do Clube de Xadrez de Brasília, representou o novo Distrito Federal no evento. Rocha vinha de brilhantes vitórias no Torneio do Clube de Xadrez São Paulo sobre o GM argentino Hector Rosseto e o MI Ludwig Engels, alemão radicado em São Paulo. Como no ano anterior, Rocha manteve tenaz duelo com Hélder Câmara. O título do Brasileiro de 1964 só foi conseguido na última rodada.

Antes do início da penúltima rodada, tudo indicava que Hélder conquistaria o bicampeonato. Com meio ponto na frente de Rocha, Hélder enfrentaria dois adversários que não estavam bem na competição. Rocha, além da desvantagem na pontuação, jogaria contra parceiros que lutavam por vaga no ranking brasileiro. Porém, nessa reta final, surgiu a maior surpresa do campeonato: a derrota de Hélder para Tancredo Madeira de Ley. Rocha venceu Adaucto Nóbrega e assumiu a liderança. Na última rodada, Hélder derrotou Benício da Cunha Melo. Mas já era tarde, pois Rocha sobrepujou o veterano campeão João de Souza Mendes e conquistou o título de campeão do Brasil. Além dos enxadristas do ranking, a seleção para a fase final do campeonato foi feita por zonais (Norte, Centro e Sul), abandonando a opção direta pelos campeonatos estaduais.

O campeão brasileiro de 1964 Antônio Rocha nasceu na cidade gaúcha de Rio Grande em 15 de junho de 1944. No começo da década de 1960, veio morar no Rio de Janeiro, deixando a família e enfrentando sozinho a grande cidade. Na época, com apenas 16 anos de idade, já mostrava seu talento ao jogar simultâneas às cegas no Tijuca Tênis Clube. Conquistou o título de campeão carioca em 1965 e 1967. Embora continuasse residindo no Rio de Janeiro, jogou o Brasileiro de 1964 por Brasília; e o de 1967 pelo Rio Grande do Sul. Foi campeão gaúcho em 1966. Em 1969, radicou-se em São Paulo e conquistou o título de campeão brasileiro desse ano defendendo São Paulo. Foi campeão paulista em 1971, 1973, 1978 e 1983. Conquistou o título de Mestre Internacional em 1979 no Torneio Internacional de São Paulo, que foi vencido pelo GM Viktor Korchnoi e contou com oito GMs. Antônio Rocha está desaparecido desde o ano de 2000. É bem provável que tenha morrido, pois em 1999 e 2000 era visto embriagado e perambulando pelas ruas do Centro de São Paulo com aspecto de mendigo. Suas idas ao Paraguai, onde tinha contatos com contrabandistas, levantam a hipótese também que Rochinha ter sido assassinado. Foi um dos gênios do xadrez brasileiro.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1964

Antônio Rocha 0 x 1 Olício Gadia

 

Luiz Tavares 0 x 1 Antônio Rocha

 

Antônio Rocha 1 x 0 Marcos Moenich

 

Souza Mendes 0 x 1 J. T. Mangini

 

 

Campeonato Brasileiro 1965

Campeão: Henrique da Costa Mecking (RS)

Vice-campeão: João de Souza Mendes Júnior (RJ)

Local: Rio de Janeiro (GB)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
PG
1- Henrique Mecking - RS
0
1
1
1
0,5
1
1
0,5
0,5
1
1
1
1
1
1
1
13,5
2 - João Souza Mendes - RJ
1
0,5
0
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
1
0,5
1
1
11,0
3 - Pinto Paiva - BA
0
0,5
1
0
1
1
0,5
0,5
1
1
1
0
1
0
1
1
10,5
4 - Antônio Rocha - GB
0
1
0
0,5
0,5
0,5
1
0
1
0
1
1
0,5
1
1
1
10,0
5 - Eduardo Cotta - MG
0
0,5
1
0,5
0,5
1
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
0,5
1
0
0,5
9,5
6 - Márcio Elisio de Freitas - SP
0,5
0
0
0,5
0,5
0
1
0,5
1
0,5
1
1
1
1
0
1
9,5
7 - Hélder Câmara - GB
0
0,5
0
0,5
0
1
0
0,5
1
1
0
1
1
0,5
1
1
9,0
8 - Olício Gadia - GB
0
0,5
0,5
0
0,5
0
1
1
1
1
0,5
0
0,5
1
1
0
8,5
9 - Carlos Peixoto - RS
0,5
0
0,5
1
0
0,5
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
1
0
1
7,0
10- Márcio Miranda - MG
0,5
0,5
0
0
0,5
0
0
0
1
1
1
0
0,5
0,5
1
0,5
7,0
11 - Eduardo Asfora - PE
0
0,5
0
0
0,5
0
1
0,5
0,5
0
1
0,5
0,5
1
0,5
0
6,5
12 - Barros Moreira - GB
0
0,5
0
0
0,5
0
1
0,5
0,5
0
0
0
1
1
1
0
6,0
13 - Erbo Stenzel - PR
0
0
1
0
0
0
0
1
0,5
1
0,5
1
0
0
0
1
6,0
14 - Peter Toth - GB
0
0
0
0,5
0,5
0
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0
1
1
1
0
6,0
15 - Francisco Alves - CE
0
0,5
1
0
0
0
0,5
0
0
0,5
0
0
1
0
1
1
5,5
16 - Luiz Tavares - PE
0
0
0
0
1
1
0
0
1
0
0,5
0
1
0
0
1
5,5
17 - Fernando Vasconcelos - MG
0
0
0
0
0,5
0
0
1
0
0,5
1
1
0
1
0
0
5,0

Uma cena nunca vista no xadrez do País. O Campeonato Brasileiro de 1965 levou ao Clube de Engenharia (Avenida Rio Branco, Centro da Cidade do Rio de Janeiro) um público enorme e jornalistas de todos os órgãos da imprensa. A competição foi filmada, fotografada e documentada para o cinema, televisão, rádio e jornais. Tudo por que um menino de apenas treze anos de idade participava do maior evento do xadrez brasileiro: Henrique da Costa Mecking, o Mequinho. Todo esse aparato era por ele ter conseguido com apenas treze anos a classificação para a fase final do Brasileiro, já que ninguém acreditava que Mequinho conseguiria o título. Mas, a partir da metade do torneio mudou tudo, pois ninguém tinha mais dúvidas que ele seria o campeão brasileiro de 1965.

O Campeonato Brasileiro de 1965 foi realizado no período de 27 de junho a 17 de julho de 1965, no antigo Estado da Guanabara, com parte do festejos do IV Centenário da fundação da cidade do Rio de Janeiro. Mequinho veio da cidade de Pelotas (RS), onde residia, acompanhado do seu pai (Paulo Hugo Mecking) e do presidente da Federação Gaúcha de Xadrez (Oswaldo Schuri). O enxadrista pelotense Carlos Peixoto também fez parte da comitiva.

O campeonato começou com o total de vinte participantes. O número, porém, baixou para 17, em virtude da desistência de três competidores: J. T. Mangini, Jorge Lemos e Ronald Câmara. Mangini (presidente da Federação Metropolitana de Xadrez) somente jogou as duas rodadas iniciais (empates com Asfora e Jorge Lemos) e deixou de competir para se dedicar totalmente à organização do evento que cresceu além da previsão. Jorge Lemos também saiu na segunda rodada (derrota para Souza Mendes e empate com Magini) por deveres profissionais. Ronald Câmara abandonou por motivo de força maior. Ronald jogou cinco partidas: perdeu para Paiva, Miranda e Cotta; e empatou com Francisco Alves e Gadia. Os pontos de Mangini, Jorge Lemos e Ronald Câmara não foram computados. O Mestre Internacional Eugênio German, presente no dia da inauguração da competição, no Tijuca Tênis Clube, estava na lista de participantes, mas não respondeu à chamada feita pelo presidente da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), General Edmundo Gastão da Cunha. Eugênio German estava um pouco afastado do grupo, conversando com Tancredo Madeira de Ley (colunista de xadrez do jornal carioca Correio da Manhã) e com o autor deste livro (Waldemar Costa) e não disse uma palavra ao ser chamado pelo presidente da CBX. Não foi emparceirado.

O Brasileiro de 1965 foi dirigido pelo então presidente da Federação Metropolitana de Xadrez, José Thiago Mangini. O árbitro principal foi Lauro Demoro, auxiliado por Félix Sonnenfeld. Com exceção das duas primeiras rodadas (efetuadas no Tijuca Tênis Clube), a competição foi disputada no Clube de Engenharia, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, a partir das 15 horas. No mesmo dia, às 22 horas, na sede do Clube da Caixa Econômica, eram terminadas as partidas suspensas.

Mequinho perdeu para João de Souza Mendes na quinta rodada. Àquela altura do campeonato, ele somava três pontos ganhos e dois perdidos. Um aproveitamento apenas regular para o nível da elite da época do xadrez brasileiro. Porém, para um menino de treze anos era um fato sensacional. Ninguém, naquele momento, pensava que ele iria conquistar o Brasileiro. Como favorito até a quinta rodada, aparecia o baiano José Pinto Paiva. Líder absoluto, o representante da Bahia totalizava cinco pontos em cinco possíveis! Três das suas vitórias havia sido sobre campeões brasileiros de anos recentes: Ronald, Hélder e Rocha. Pinto Paiva, entretanto, sucumbiu nas rodadas seguintes. Perdeu para Francisco Alves (sexta rodada) e para Erbo Stenzel (sétima rodada).

Mequinho, todavia, após a derrota para Souza Mendes, se agigantou até o final da competição: só perdeu mais meio ponto no empate com Márcio Miranda. Ganhou sensacionalmente os dez adversários que faltavam! Na penúltima rodada, Olício Gadia acabara de suspender em posição inferior. Como Souza Mendes empatara um pouco antes com Márcio Miranda, Mequinho só precisava de meio ponto para ser campeão por antecipação. Gadia olhou para o menino convicto que ele não se arriscaria na sessão de partidas suspensas.

- Proponho o empate!

- Proponho que o senhor abandone !! - exclamou Mequinho.

O riso foi geral entre os assistentes. A seguir, o garoto demonstrou com presteza como ganharia o final. Gadia, muito sem jeito, abandonou na hora; e Mequinho conquistou o título por antecipação. Na última rodada, derrotou o mineiro Eduardo Cotta.

O campeão brasileiro de 1965, Henrique da Costa Mecking, nasceu em Santa Cruz (RS) em 23 de janeiro de 1952. Aprendeu a jogar xadrez aos seis anos de idade. Em 1958, seu pai foi transferido para a agência do Banco do Brasil da cidade de São Lourenço (RS). Aí desenvolveu seu jogo em um bar, onde se reuniam enxadristas locais, inclusive João Mena Barreto, delegado de polícia de São Lourenço e parceiro predileto de Mequinho. Mena Barreto foi o grande professor de Mequinho. Em 1959, com apenas sete anos, Mequinho foi vice-campeão da cidade de São Lourenço. Aos 10 anos, foi morar em Pelotas (RS). Na época, o mais forte centro enxadrístico gaúcho. Mequinho superou a força dos enxadristas pelotenses e conquistou o título de campeão da cidade. Em 1964, venceu o Campeonato Estadual do Rio Grande do Sul, feito de ampla repercussão nos meios enxadrísticos do Brasil. Por causa disso, recebeu convite da CBX para participar direto do Campeonato Brasileiro. Mas ele não aceitou. Preferiu obter a classificação no Zonal Sul, o que de fato aconteceu. Mequinho só disputou dois Brasileiros nos anos de 1960, sendo campeão em ambos: 1965 e 1967. Além desses dois, jogou os Brasileiros de 2011 e 2017, ocupando a terceira colocação em ambos..

Em 1966, aos 14 anos de idade, Mequinho conquistou o VI Zonal Sul-Americano, em Buenos Aires. Por esse triunfo, a FIDE lhe concedeu o título de Mestre Internacional em 1967. O título de Grande Mestre Internacional foi conquistado por Mequinho em janeiro de 1972 no Torneio de Hastings (Inglaterra). Ele participou de mais três Zonais Sul-Americanos: 1969 (Mar del Prata, Argentina) - 3º lugar; 1972 (São Paulo) - campeão; 1993 (Brasília) - 20º lugar (o pior desempenho da sua carreira, quando estava afastado do xadrez por motivo de doença). Porém nunca serão esquecidas as brilhantes campanhas nos interzonais de Petrópolis (1973) e de Manilla, Filipinas (1976), cujas vitórias o fez entrar na plêiade do enxadrismo mundial. Participou de outros interzonais: 1967 (Sousse, Tunísia) - 11º lugar; 1970 (Palma de Mallorca, Espanha) - 11º lugar; 1979 (Rio de Janeiro) - abandonou na segunda rodada por motivo de doença. Por causa da doença, Mequinho poucas vezes participou de eventos após 1979. Voltou no ano de 2000, demonstrando que ainda conserva o seu prestígio internacional, vencendo competições importantes.

Foto histórica do Campeonato de 1965 - Sessenta anos separam Mequinho (13 anos) de Souza Mendes (73 anos). A vitória foi do velho, o único a vencer o menino na competição. Alguns dos assistentes na foto: o então diretor-técnico da FMX, Cláudio Bandeira de Melo (terceiro à esquerda); Nilton Cortes, do Clube de Xadrez Cruz Vermelha (o quinto a partir da esquerda); o autor do livro Waldemar Costa (braços cruzados no meio); Tadeu Portela (no meio, com camisa escura de listras); Jorge Alberto Caetano (de camisa branca), Dr. Rômulo (um pouco encoberto e de terno escuro); Nélson Villaboin e atrás Luiz Tavares da Silva, na época ex-campeão brasileiro.

 

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1965

Antônio Rocha 0 x 1 Henrique Mecking

 

Hélder Câmara 0 x 1 Henrique Mecking

 

Olício Gadia 0 x 1 Henrique Mecking

 

Henrique Mecking 0 x 1 Souza Mendes

 

Hélder Câmara 0 x 1 Barros Moreira

 

 

 

Campeonato Brasileiro 1966

Campeão: José de Pinto Paiva (BA)

Vice-campeão: Hélder Câmara (GB-Rio)

Local: Belo Horizonte (MG)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
PG
1 - Pinto Paiva - BA
1
0,5
0
1
0,5
1
0,5
1
0,5
1
1
1
0,5
1
10,5
2 - Hélder Camara - GB
0
0,5
0
1
0,5
0
1
1
1
0,5
1
1
1
1
9,5
3 - Márcio Miranda - MG
0,5
0,5
0,5
0,5
1
1
1
0
1
0,5
0,5
0
1
1
9,0
4 - Eduardo Cotta - MG
1
1
0,5
0
0,5
0
0,5
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
9,0
5 - Alberto Teófilo - PE
0
0
0,5
1
0,5
0,5
1
1
0
0,5
1
1
0,5
1
8,5
6 - J. T. Mangini - GB
0,5
0,5
0
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0
1
0,5
1
1
1
8,5
7 - Luís Roberto Borges-SP
0
1
0
1
0,5
0
0
1
0
1
1
0,5
1
1
8,0
8 - João Souza Mendes - GB
0,5
0
0
0,5
0
0,5
1
0,5
0,5
1
1
1
1
0
7,5
9 - Gert Fonrobert - SP
0
0
1
0,5
0
0,5
0
0,5
1
0,5
1
1
1
0,5
7,5
10 - Herbert Caspary - GB
0,5
0
0
0
1
1
1
0,5
0
1
0,5
0
0
1
6,5
11 - Eduardo Asfora - PE
0
0,5
0,5
0,5
0,5
0
0
0
0,5
0
0,5
1
1
1
6,0
12 - Frederico Pimentel - ES
0
0
0,5
0,5
0
0,5
0
0
0
0,5
0,5
0,5
1
1
5,0
13 - Victor Adamowsky - PR
0
0
1
0
0
0
0,5
0
0
1
0
0,5
0,5
1
4,5
14 - Paulo Hiroshi - PR
0,5
0
0
0
0,5
0
0
0
0
1
0
0
0,5
1
3,5
15 - Cândido Duarte - GB
0
0
0
0
0
0
0
1
0,5
0
0
0
0
0
1,5

O Campeonato Brasileiro de 1966 foi realizado no Clube de Xadrez de Belo Horizonte , no período de 14 a 31 de agosto de 1966. A direção esteve a cargo do então presidente da Federação de Xadrez de Minas Gerais, José Antônio Fonseca Júnior; e dos diretores técnicos da CBX, Flávio de Carvalho Júnior e Félix Sonnenfeld. O campeão foi o baiano José Pinto Paiva. Paralelamente ao torneio masculino, a entidade mineira igualmente organizou o Campeonato Brasileiro Feminino, ganho também por representante da Bahia: Ruth Cardoso.

Bem antes do início da competição, em janeiro de 1966, Márcio Elísio de Freitas havia sido eleito presidente da CBX, em substituição ao General Edmundo Gastão da Cunha. O general, com exceção do biênio 1951/1952 (cujo presidente fora Robero da Gama e Silva), ocupava o cargo desde 1948. Ao assumir a presidência da CBX, Márcio Elísio reformou o regulamento do Campeonato Brasileiro. Para efeito de classificação, colocou as federações filiadas em cinco zonas (em 1966, somente 13 Estados e mais o Distrito Federal possuíam federações de xadrez). O país ficou dividido da seguinte maneira para a classificação para a fase final do Brasileiro: 1ª Zona - Pernambuco, Ceará, Pará e Alagoas; 2ª Zona - Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia; 3ª Zona - Guanabara (Rio), Estado do Rio de Janeiro e Brasília (DF); 4ª Zona - Paraná e São Paulo; 5ª Zona - Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Outra alteração fundamental no regulamento foi quanto à fórmula de organizar o ranking brasileiro. A principal mudança foi a exclusão do campeão das Forças Armadas do ranking. Desde o início da gestão do General Gastão da Cunha, em 1948, o representante das Forças Armadas tinha o direito de participar da fase final do Brasileiro. Conforme o novo regulamento, as modificações referentes ao ranking só entrariam em vigor para o campeonato de 1967. A formação do ranking para o Brasileiro 1966 obedeceria ao sistema anterior. Por isso, o Almirante Herbert Gaspari, campeão das Forças Armadas de 1966, participou do Brasileiro de 1966. Em 1967, sem direito pelo ranking, o Brigadeiro Sabino Ribeiro disputou o Brasileiro como convidado da CBX, sendo o último campeão das Forças Armadas a tomar parte da fase final do Campeonato Brasileiro.

Os campeões brasileiros de 1964 e 1965, respectivamente Antônio Rocha e Henrique Mecking, componentes do ranking nacional, não compareceram em Belo Horizonte e não foram substituídos. Pinto Paiva manteve a invencibilidade até quase o término da competição. A sua única derrota para Eduardo Cotta aconteceu na antepenúltima rodada, impedindo a conquista do título por antecipação.

O campeão brasileiro de 1966, José Pinto Paiva, nasceu em Salvador no dia 16 de julho de 1938. Seu surgimento no cenário enxadrístico nacional não foi com a pouca idade da maioria dos grandes enxadristas do Brasil. Ele tornou-se conhecido do público amante do tabuleiro em 1963, quando estreou no Campeonato Brasileiro aos 25 anos de idade. Porém, com jogo audaz e combinatório, conseguiu rapidamente entrar no rol do pequeno grupo de favoritos da década de 1960. Conquistou o título de campeão brasileiro em 1966 e 1971. Foi vice-campeão brasileiro em 1967 e 1969. Terceiro lugar em 1965, atrás de Mequinho e Souza Mendes. Disputou 13 vezes a fase final do Campeonato Brasileiro de 1963 a 1976. Nesse período, só deixou de participar do campeonato de 1974, realizado no Rio de Janeiro. Defendeu o Brasil nas Olimpíadas de Lugano (1968) e Siegen (1970). Foi diversas vezes campeão da Bahia. Também foi presidente da Federação Baiana de Xadrez.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1966

Pinto Paiva 1 x 0 Cândido Duarte

 

Pinto Paiva 1 x 0 Eduardo Asfora

 

Pinto Paiva 1 x 0 Alberto Teófilo

 

Pinto Paiva 0 x 1 Eduardo Cotta

 

 

Campeonato Brasileiro 1967

Campeão: Henrique da Costa Mecking (RS)

Vice-campeão: José Pinto Paiva (BA)

Local: São Paulo (SP)

Classificação
1a.
2a.
3a.
4a.
5a.
6a.
7a.
8a.
9a.
PG
1 - Henrique Mecking - RS
+16
+17
=2
=5
=6
+4
+11
+3
+8
7,5
2 - Pinto Paiva - BA
+18
+3
=1
+4
-5
-11
+6
+7
+12
6,5
3 - Antônio Rocha - RS
+15
-2
=7
+9
=4
+12
+5
-1
+14
6,0
4 - Olício Gadia - GB
+8
=12
+9
-2
=3
-1
+10
+5
-6
5,0
5 - Gerd Fonrobert - SP
+13
=9
+11
=1
+2
+6
-3
-4
-7
5,0
6 - Hélder Camara - SP
=11
+13
+14
+12
=1
-5
-2
-10
+4
5,0
7 - Adaucto Nóbrega - SC
-9
+16
=3
=11
=13
+14
=12
-2
+5
5,0
8 - Frederico Pimentel - ES
-4
=15
=10
-14
+16
+13
+9
+11
-1
5,0
9 - J. T. Mangini - GB
+7
=5
-4
-3
=10
+15
-8
+17
+18
5,0
10 - João Souza Mendes - RJ
=12
-11
=8
=16
=9
+18
-4
+6
+17
5,0
11 - Luiz Tavares - PE
=6
+10
-5
=7
+15
+2
-1
-8
=13
4,5
12- Eduardo Cotta - MG
=10
=4
+17
-6
+14
-3
=7
+18
-2
4,5
13 - João Borges - MG
-5
-6
=15
+18
=7
-8
+17
+16
=11
4,5
14 - Erbo Stenzel - PR
-17
+18
-6
+8
-12
-7
+16
+15
-3
4,0
15 - Fred Saboya - CE
-3
=8
=13
+17
-11
-9
+18
-14
-16
3,0
16 - Fernando Leite - RJ
-1
-7
+18
=10
-8
-17
-14
-13
+15
2,5
17- Pedro Segundo Costa - BA
+14
-1
-12
-15
=18
+16
-13
-9
-10
2,5
18 - Sabino Ribeiro - GB
-2
-14
-16
-13
=17
-10
-15
-12
-9
0,5

O Campeonato Brasileiro de 1967 foi promovido e organizado pela Federação Paulista de Xadrez e realizado na Associação Cristã de Moços, no período de 14 a 23 de julho de 1967. Pela terceira vez na história da competição, o Brasileiro foi pelo sistema suíço (as anteriores foram em 1954 e 1958). A direção geral foi do então presidente da CBX Márcio Elísio de Freitas, que, após o torneio, renunciou ao cargo, assumindo a presidência da entidade o pernambucano Luiz Tavares da Silva.

O campeão brasileiro de 1967 foi o já Mestre Internacional Henrique Mecking com a idade de 15 anos. Mequinho conquistou o título invicto, com seis vitórias e três empates. Os dirigentes paulistas organizaram um festival de xadrez. Simultaneamente com a competição principal, foram disputados o Campeonato Brasileiro Feminino e o I Torneio Nacional de Aspirantes. O Brasileiro Feminino foi vencido pela baiana Ruth Cardoso, alcançando o tetracampeonato da categoria (1963/1965/1966/1967), sendo que em 1964 não foi disputado o Feminino. Ruth também conquistaria o Brasileiro Feminino de 1968, feito que a fez possuir o título inédito até os dias de hoje de pentacampeã brasileira.

Herman Claudius van Riemsdijk, nascido na Holanda e radicado na época com a família no Rio Grande do Sul, foi o campeão do Torneio de Aspirantes. A competição, que substituiu os zonais e existiu até 1970, classificou os seis primeiros para o Brasileiro de 1968. A classificação do Torneio de Aspirantes: 1º) Herman Claudius (RS), com 7 pontos; 2º) Francisco Trois (RS), 6; 3º) Aírton Ferreira de Souza (MG), 6; 4º)Fernando Vasconcelos (MG), 6; 5º) Sílvio Mendes (SP), 6; 6º) Cândido Duarte (Rio-GB), 5; 7º) Ubirajara Ribeiro (BA), 5; 8º) Rodolfo Araújo (PE), 4,5; 9º) Eduardo Asfora (PE), 4; 10º) Nilo Sales (CE), 4; 11º) Miguel Russowsky, 4,5; 12º) José Adail Catunda Gondim (Rio-GB), 4; 13º) Neville Leone (SP), 3,5; 14º) Otto Mack (PR), 3,5; 15º) Carlos Serrão (RJ), 1; 16º) Rômulo Perrone (ES), com 1 ponto.

No Brasileiro absoluto, os três empates de Mequinho foram para Pinto Paiva (terceira rodada), Gerd Fonrobert (quarta rodada) e Hélder Câmara (quinta rodada). Gerd Wolfgang Fonrobert foi a boa surpresa da competição. Era líder absoluto após a sexta rodada, com 5 pontos, seguido de Mequinho com 4,5 pontos. Poderia até ser campeão, pois já havia empatado com Mequinho. Gerd, porém, perdeu as três partidas restantes, enquanto Mequinho ganhou as três últimas e conquistou o título.

PARTIDAS DO BRASILEIRO 1967

Henrique Mecking 0,5 x 0,5 Pinto Paiva

 

Hélder Câmara 0,5 x 0,5 Henrique Mecking

 

Henrique Mecking 1 x 0 Frederico Pimentel

 

Fernando Leite 0 x 1 Henrique Mecking

 

 

Campeonato Brasileiro 1968

Campeão: Hélder Câmara (SP)

Vice-campeão: Antônio Rocha (Rio-GB)

Local: São Bernardo do Campo (SP)

Classificação
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
PG
1 - Hélder Câmara - SP
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
9,5
2 - Antônio Rocha - GB
0,5
0,5
0,5
1
0,5
0,5
0,5
1
1
1
1
0,5
0,5
9,0
3 - Herman Claudius Riemsdijk - PR
0
0,5
0,5
1
0
1
1
0,5
1
1
0,5
0,5
1
8,5
4 - Francisco Trois - RS
0,5
0,5
0,5
0
0,5
0
1
1
1
1
1
1
0,5
8,5