O Jornal dos Sports do Meu Tempo

Waldemar Costa

Introdução

 

O Jornal dos Sports foi fundado em 13 de março de 1931 pelo Jornalista Argemiro Bulcão Miragaia. A primeira redação foi em duas lojas alugadas na Rua São José, números 77 e 79, no Centro do Rio Janeiro. Bulcão formou equipe diretiva de grandes jornalistas esportivos da época: secretário - Isaías Rosa, redator-chefe - Tenório de Albuquerque, gerente: Álvaro Nascimento. O Álvaro permaneceu no Jornal dos Sports até 1982, ano do seu falecimento. Foi um dos jornalistas do meu tempo no JS. Na equipe de redatores na fundação do JS, também havia mais um redator que chegou ao meu tempo: Arlindo Monteiro. No período que foi dono do JS, Argemiro Bulcão morou na região da Praça Seca (Rua Baronesa), com sua mãe Amélia Bulcão Miragaia, a esposa Alzira, dois filhos, duas filhas e o irmão mais novo Waldir Miragaia. Anos depois da fundação, Waldir começou a trabalhar no jornal. Foi outro que ainda estava no JS, quando eu cheguei.

Nos primeiros números, o JS não circulou todos os dias. Só começou a ser publicado diariamente a partir do número oito, dia 25 de março de 1931. Em 23 de junho de 1931, o JS mudou sua sede da Rua São José para novo imóvel alugado na Rua Rodrigo Silva, número 5 - sobrado. Em 11 de outubro de 1931, o jornalista Everardo Lopes entrou para o jornal no cargo de subsecretário (Isaías Rosa continuou como secretário). Em 6 de novembro de 1932, Everardo assumiu o cargo de secretário (Isaías Rosa foi trabalhar na equipe de redatores). Everardo Lopes foi jornalista marcante na história do JS. Foi o primeiro repórter de jornal carioca a cobrir um Campeonato Mundial: a Copa do Mundo de 1938, na França, quando o JS já pertencia a Mário Rodrigues Filho. Faleceu no dia 13 de outubro de 1965, quando estava afastado do JS por motivo da sua doença.

Em 14 de janeiro de 1933, o famoso jornalista e radialista Antônio Cordeiro foi contratado por Argemiro Bulcão para ajudar Everardo Lopes, ocupando o cargo de subsecretário. Mais tarde, Antônio Cordeiro foi para a Rádio Nacional, onde transmitiu em dupla com Jorge Curi, o jogo em que o Brasil perdeu a Copa de 1950, no Estádio do Maracanã, na derrota para o Uruguai por 2 a 1. Em 14 de abril de 1936, Argemiro Bulcão transferiu a sede do jornal da Rua Rodrigo Silva para a Avenida Rio Branco, número 129, em outro imóvel alugado.

O jornalista Mário Rodrigues Filho adquiriu o JS de Argemiro Bulcão em 1936. Ele só comprou a firma Jornal dos Sports, com ajuda de seus amigos Roberto Marinho (O Globo) e José Bastos Padilha (na época, presidente do Flamengo). Mário Filho e Bastos Padilha eram concunhados, pois estavam casados com duas irmãs: Célia e Lília, respectivamente. O imóvel continuou alugado, na Avenida Rio Branco, número 129. A primeira edição sob o comando de Mário Filho saiu no dia 17 de outubro de 1936. O secretário continuou Everaldo Lopes. Mário Filho nomeou Henrique Gigante para o cargo de gerente. O jornal permaneceu na Avenida Rio Branco nº 129 até o dia 9 de janeiro de 1940, quando foi para outro lugar maior, na mesma avenida, no número 114, quarto andar. Em 21 de abril de 1948, o JS mudou para o quinto andar do mesmo prédio. O jornal, porém, continuou a ocupar imóvel alugado.

Em março de 1940, o jornalista de O Globo Geraldo Romualdo da Silva também veio trabalhar no JS. No dia 1º de março de 1940, Romualdo viajou para Buenos Aires, como enviado especial de O Globo e o JS, a fim de cobrir o jogo pela Copa Roca do dia 5 de março de 1940, quando o Brasil perdeu para a Argentina por 6 a 1. Romualdo foi outro jornalista brilhante na história do Jornal dos Sports. Escreveu no JS a partir de março de 1940 até 31 de dezembro de 1994. Ele faleceu aos 79 anos de idade em 16 de janeiro de 1996.

No dia 20 de outubro de 1940, o jornalista Álvaro Nascimento iniciou a publicação da sua tradicional seção "Uma Pedrinha na Chuteira", assinando-a com o pseudônimo de Zé de São Januário. Álvaro, o popular Cascadura e vascaíno Grande Benemérito, publicou a coluna durante quase 42 anos até o dia 20 de março 1982, quando parou de escrever por motivo do grave estado da sua saúde. Ele faleceu aos 88 anos de idade em 28 de agosto de 1982.

Em 1952, o jornalista Luiz Bayer assumiu o cargo de secretário do JS, função que exerceu até 1960. Everardo Lopes passou a ocupar o posto de redator-chefe. Henrique Gigante continuou como gerente do jornal. Luiz Bayer entrou para o JS em 1950, quando participou da cobertura da Copa do Mundo, realizada no Brasil.

Em 1957, o Jornal dos Sports atingiu o ponto mais alto da sua história. O JS cresceu muito. A situação financeira era muito boa. Então, Mário Filho construiu enorme complexo jornalístico na Rua Tenente Possolo, número 15 a 25. O grande prédio passou a ter todos os setores do jornal: administração, publicidade, redação e gráfica. A sede própria foi inaugurada em 21 de outubro de 1957 (nesse dia, o JS não foi publicado). No dia seguinte, saiu normalmente.

Mário Rodrigues Filho faleceu no dia 17 de setembro de 1966. Sua esposa Célia Rodrigues ocupou a presidência do jornal por um pouco mais de um ano, pois morreu de mal súbito em 19 de dezembro de 1967, na sua residência no Leme. Mário Júlio Rodrigues, filho do casal, assumiu o cargo de presidente até o dia 15 de julho de 1972, quando faleceu de ataque cardíaco. Com a morte de Mário Júlio, Cacilda Fernandes de Souza, sua segunda esposa, foi presidente do JS de 1972 a 1980.

Climério Velloso, das Casas da Banha, comprou a firma Jornal dos Sports em 1980 (o prédio da Rua Tenente Possolo ficou alugado aos descendentes de Mário Filho). Climério dirigiu o jornal, com sua família, de 1980 a 1999. Em 2000, Osmar Resende adquiriu as ações do JS. Em 2001, ele transferiu a sede do jornal da Rua Tenente Possolo para Rua Pereira de Almeida, número 88, na Praça da Bandeira. O último proprietário foi Wellington Rocha, que continuou no prédio da Praça da Bandeira até transferir a sede para a Rua do Ouvidor. Ele dirigiu o JS até o dia 10 de abril de 2010, data de encerramento do jornal.

Rio de Janeiro, 3 de maio de 2016

Waldemar Costa

 

 

 

O meu tempo no JS

Eu cheguei ao Jornal dos Sports em época de grande glória para o futebol Brasileiro. O Brasil acabava de conquistar no México a Copa do Mundo de 1970 e a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Por muito tempo, os campeões mundiais continuaram a jogar futebol. Assim, no início da minha carreira de jornalista, entrevistei alguns vencedores no México, como Pelé, Tostão, Gérson e Paulo César "Caju".

Na minha chegada ao JS, o presidente era Mário Júlio Rodrigues. Equipe de diretores: Fernando Horácio da Matta, Achiles Chirol e Ênio Sérvio. Chefe do Departamento de Certames: Waldyr Bernardo. Editor-chefe: Aparício Pires, subeditor: Otávio Nane, chefe de reportagem: Ivan Lima Alves, editor de esportes amadores: Mário Paulo. Os ex-jogadores Zizinho e Vavá eram colunistas-colaboradores. Jornalistas antigos: Álvaro Nascimento (da época da fundação), Arlindo Monteiro (também da época da fundação), Luiz Bayer (desde 1950 no JS), Carlos Areas e Mílton Salles. Outros jornalistas: Mário Neto (filho de Mário Júlio e neto de Mário Filho), Nílson Damasceno, Vicente Senna, Jocelyn Brasil (o Brigadeiro, que assinou muitas matérias com o pseudônimo de Pedro Zamora), Marcelo Resende, Marilene Dabus, Carlos Silva, Hideki Takizawa, Jorge Areas, Roberto Ricão, Altair Baffa, Henrique Lago, Vítor Iório, Eliomário Valente, Luís Rivera, João Lobão, Fred Quartarolli, Maria Célia, José Carlos Araújo de Moraes (turfe), Antoninho de Paula (diagramador), Arlindo Izidro (diagramador) e Henfil (cartunista).

No arquivo, o veterano Osmar, que, após ser aposentado, foi substituído pelo Francisco (Chico). Na oficina: Othon Salles (irmão do Mílton Salles) e Vicente Bernardo. Pouco depois da minha chegada ao JS, vieram para o jornal: Armando Calvano, Tânia Dias, Rui Monte, Fábio (diagramador) e Fernando Calmon (automobilismo).

Na época do editor José Trajano (1972 e 1973) chegaram: Nélson Rodrigues (irmão do Mário Filho), Flávio Pinheiro, José Antônio Gerheim, Rogério Bitarelli, João Máximo, Roberto Porto, Álvaro Caldas, Mário Jorge Guimarães, Paulo César Pereira, Sérgio Luz, Jorge Eiras, Emygdio Felizardo Filho (Tijolinho) e Lito Cavalcanti (automobilismo).

Na época do editor Duarte Gralheiro (a partir de julho de 1973) chegaram: Geraldo Romualdo da Silva (voltou a escrever no JS, depois de longos anos afastado), Ruy Porto, José Medeiros, Max Morier, Raimundo Nonato, Heliton Bagno, Nani (cartunista), Nílton Zarani, Renato (turfe), Dalton Crispim, Raymundo Mendonça, Eucimar de Oliveira, Ronaldo Cunha Nascimento, Wilson de Carvalho, Carlos Macedo, Ivan Leal, Ricardo Prieto, José Paulino Senra, Geraldo Mainenti, Carlos Alberto Rodrigues, Paulo Roberto de Moura (automobilismo), Ricardo Carpenter, Eduardo Lacombe, Suzel Mendonça, Mara Bentes, Raul Pragana, Oscar Eurico e Paulo Ourives.

Os fotógrafos do meu tempo no JS: Sérgio Gomes, Noemi Horta, Jair Motta, Hélio Ornelas (faleceu em 1971 em desastre no seu automóvel na Avenida Brasil), Alcir Baffa, Jorge Reis, Ataíde Santos, Damião Ribeiro, Wilson Alves, Renê Faria, Juscelino Sorrentino, Luiz Felipe, Wilton de Souza e Ignácio Ferreira.

A equipe do Escolar-JS do meu tempo: Adolfo Martins (editor), Maurício Figueiredo, Benito Leboso, Paulo Fernando Figueiredo, José Antônio Batista, Marcelo Monteiro (diagramador), Eleonora Monteiro e Manoel Cordeiro.

Nos meus primeiros dias na redação do JS, fui bem recebido por todos. Destaco para o chefe de reportagem Ivan Lima Alves, que confiou em mim e me encarregou de fazer importantes reportagens externas. O Mílton Salles que foi o meu professor, pois aprendi com ele o texto jornalístico com simplicidade. Com o seu irmão Othon, conheci como era feito o jornal na oficina. O Luiz Bayer gostava de conversar comigo. Ele sempre sentou ao meu lado no nosso trabalho na redação. Enfatizo também o Arlindo Isidro, Eliomário Valente, Jair Motta e Renê Faria, que muitas vezes dei carona no meu carro no nosso retorno para a casa.

Há quarenta e cinco anos, fazer jornal era tarefa bastante difícil, mas a gente fazia. Computador e internet ninguém imaginava nem em sonhos fantásticos. A gráfica do Jornal dos Sports ainda era em linotipo. A impressão em offset veio um pouco depois. Para ilustrar, vou contar um fato no meu primeiro mês no JS. O Ivan Lima Alves atendeu ao telefone e passou para mim.

- Waldemar, atenda e anote tudo no papel.

Segurei o telefone e disse alô

. - Está com papel e caneta na mão - disse a voz do outro lado da linha.

- Estou

- Ele veste calça branca, camisa verde e usa óculos. O voo sai de São Paulo às 19 horas - desligou me deixando perplexo.

O Ivan apanhou o papel anotado da minha mão e entregou rápido ao contínuo da redação, que saiu apressado. Ao ver a minha cara espantada, o Ivan explicou tudo. O telefonema foi do fotógrafo da sucursal de São Paulo, que havia batido várias fotos de acontecimentos esportivos na capital paulista. O homem que ele identificou ao telefone era uma pessoa qualquer que ele encontrou no Aeroporto de Congonhas em viagem para o Rio de Janeiro. O fotógrafo paulista pediu ao desconhecido o favor do entregar o filme a uma pessoa no Aeroporto Santos Dumont (no caso, o contínuo do JS). O laboratório do jornal revelou o filme e algumas fotos aproveitadas na edição do dia seguinte. Como era diferente fazer o jornal há quarenta e cinco anos em comparação com a alta tecnologia dos dias de hoje.

O Carlos Areas era veterano jornalista do JS e de O Globo já aposentado, mas que continuava trabalhando. Ele fazia cobertura na Confederação Brasileira de Desportos (atual Confederação Brasileira de Futebol) e Federação Carioca de Futebol (atual Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Quase não aparecia no jornal. Mandava as notícias pelo telefone. Eu atendi muitas vezes os telefonemas dele. Nas suas férias em 1971, o Ivan Lima Alves me escolheu para cobrir a CBD e FCF. Eu também não fui ao jornal nesse período. Mandava as notícias pelo telefone, como o Areas fazia.

Foi uma ocasião muito boa para mim. Mantive contatos com dirigentes da CBD e FCF e jornalistas de outros jornais. Houve uma brincadeira divertida que não esqueço feita pelo Paulo Stein (na época, trabalhava na sucursal do Rio de Janeiro de O Estado de São Paulo e foi do JS antes de mim) e o Geraldo Pedrosa (jornal O Dia). É o seguinte; eu fumava na época (deixei de fumar em junho de 1979. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida). Utilizava uma piteira, a fim de neutralizar os efeitos da nicotina. O presidente da FCF, Otávio Pinto Guimarães, usava uma boquilha igual a minha. Parecia até a mesma. Assim, a estória começou. Toda vez que Stein e Pedrosa me encontravam, diziam para mim "a piteira do Otávio". O Paulo Stein também titulava o presidente da FCF de meu pai. Certa vez, corri para apanhar o elevador no Estádio do Maracanã. O Paulo Stein estava próximo da porta. Entrei. Com o polegar escondido pelo corpo, Stein apontou para interior do elevador e disse baixinho "olha o teu pai". Olhei e vi o Otávio Pinto Guimarães. Otávio me cumprimentou sorrindo. A brincadeira continuou outros dias com a participação de mais jornalistas. O Otávio acabou descobrindo o nosso divertimento. Uma vez, com a presença dele, alguém me chamou de "piteirinha". O presidente da FCF falou: "A minha é diferente. A minha piteira é de ouro".

Na quinta-feira, dia 5 de agosto de 1971, cheguei bastante tarde em casa. Aliás, já era outro dia, pois passava da meia-noite. A minha mãe estava dormindo. Ao abrir a porta da sala e acender a luz, vi meu terno azul todo arrumadinho na cadeira junto da mesa. Achei estranho. Fui para cozinha tomar café com leite. Minha mãe acordou, apareceu na cozinha e disse que a telefonista do Jornal dos Sports avisou para eu ir ao jornal de terno. Pensei logo que era para entrevistar o presidente da CBD João Havelange, pois ele só recebia jornalistas vestidos assim.

No dia seguinte, fui para o jornal de terno, apesar de não gostar de usar esse tipo de roupa. Ao chegar ao JS, soube que a entrevista não seria com o João Havelange, e sim com o presidente da FIFA Stanley Rous, que se encontrava no Rio de Janeiro, após inspecionar os estádios de futebol do Brasil para a Copa Independência de 1972. Seria uma entrevista coletiva à imprensa, na sede da CBD, na Rua da Alfândega.

Saí do jornal com o Luiz Bayer, que iria fazer matéria sobre o assunto para a sua coluna "Câmera". No auditório da CBD, já estavam na mesa Abílio de Almeida (diretor do Departamento de Coordenação da CBD) e Antônio do Passo (diretor de futebol da CBD). Em frente, sentados em cadeiras jornalistas de diversos jornais. Eu e o Bayer ficamos juntos com o Paulo Stein e o Raul Pragana da Rádio Jornal do Brasil. Logo, chegou o Presidente Stanley Rous, acompanhado por João Havelange. O principal tema da entrevista foi a Copa Independência em homenagem ao sesquicentenário da Independência do Brasil, que seria realizada no ano seguinte e oficializada pela FIFA.

Em 4 de novembro de 1971, começou a ser publicado no JS colunas sobre o América, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, sendo convidados a participar torcedores famosos desses clubes cariocas. As colunas: América - Lúcio Lacombe, Botafogo - Otávio de Moraes, Flamengo - Marilene Dabus, Fluminense - Carlos Leonam, Vasco - Sérgio Cabral. Em 9 de abril d 1972, Sérgio Cabral foi morar em São Paulo, sendo substituído por Abelardo Barbosa (Chacrinha). No mesmo mês de maio, Carlos Imperial entrou no lugar de Otávio de Moraes na coluna do Botafogo; e Martinho da Vila, no lugar de Chacrinha na coluna do Vasco. Essas publicações foram extintas no final de agosto de 1972.

A convite da Confederação Brasileira de Basquetebol fui o jornalista oficial da Seleção do Brasil, no Torneio Internacional de Basquetebol Masculino, realizado em São Paulo, no período de 26 a 30 de janeiro de 1972, em comemoração ao sesquicentenário da Independência do Brasil.. Na minha ida para São Paulo, viajei com o jogador Marcos Abdala Leite (Marquinhos), na época bicampeão carioca de basquete 1970-1971 pelo Fluminense e o maior destaque da Seleção Brasileira. No voo para São Paulo, falamos sobre a região da Praça Seca, pois Marquinhos morou por muito tempo na Rua Capitão Menezes, bem próximo da Rua Baronesa, onde fica a minha residência, na Praça Seca. No Aeroporto de Congonhas, nós pegamos um táxi até o Hotel San Raphael, na Avenida São João. Foi o primeiro trabalho meu para o JS em São Paulo. Depois, voltei muitas vezes à capital paulista, a fim de fazer coberturas de futebol e competições de xadrez.

O torneio foi vencido pelos Estados Unidos. A União Soviética ficou em segundo; e o Brasil, em terceiro. As colocações foram decididas pelo saldo de pontos de cestas, pois as três seleções terminaram empatadas na primeira colocação, em razão dos resultados: União Soviética 1 x 0 Estados Unidos, Brasil 1 x 0 União Soviética e Estados Unidos 1 x 0 Brasil. A Polônia, na época a campeã da Europa, perdeu as três partidas. Além de fazer a cobertura dos jogos no Ginásio do Ibirapuera, entrevistei o dirigente Alberto Curi, chefe da delegação brasileira, o técnico da seleção Édson Bispo e o famoso técnico Togo Renan Soares (Kanela), que estava em São Paulo como observador da CBB para o torneio de basquete dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique (Alemanha). Todas as manhãs, eu ia à sucursal do Jornal dos Sports em São Paulo, Rua Sete de Abril, número 125 - 1º andar, para escrever essas entrevistas, que eram enviadas pelo telex para a redação do JS, na agência dos Correios, na esquina da Avenida São João com o Vale do Anhangabaú. As matérias sobre jogos eram passadas à noite pelo telefone.

Durante a minha estada em São Paulo, o Jornalista Solon Campos, correspondente do JS em São Paulo, foi pela manhã me apanhar no Hotel San Raphael para um passeio. A excursão foi à Chácara do Rio Pequeno, local de treinamento e concentração da Portuguesa de Desportos, no Distrito de Rio Pequeno, na Zona Oeste da cidade de São Paulo. O lugar é bem afastado do Centro de São Paulo. O Solon Campos me levou de automóvel pela Rodovia Raposo Tavares. Ele foi a trabalho para o Jornal dos Sports e O Estado de São Paulo. Na Chácara do Rio Pequeno, ambiente arejante e bucólico, Solon entrevistou o técnico Rubens Minelli e o jogador Lorico.

No meu regresso à redação do JS, fiz ampla cobertura do futebol de salão (hoje futsal), nos meses de fevereiro e março de 1972. No mesmo período, também escrevi matérias sobre basquete masculino e feminino, xadrez e futebol olímpico. Em abril de 1972, o José Trajano já era o editor-chefe do JS, no lugar de Aparício Pires. O Trajano me incumbiu de fazer a cobertura do Vasco, na impossibilidade de contar com Eliomário Valente e Vítor Iório. Foi a época da chegada de Tostão a São Januário; e o início da carreira de Roberto, o futuro Dinamite. O clima no Vasco era muito bom com a contratação do campeão mundial. O meu trabalho foi tranquilo, porque toda a diretoria facilitou muito a minha tarefa: Presidente Agartino da Silva Gomes, Vice-Presidente Amadeu Siqueira, o ex-goleiro Carlos Alberto Cavalheiro (diretor de futebol). O técnico Zizinho também me ajudou muito. Entregue ao Departamento Médico, Tostão não pode jogar no dia marcado para sua estreia (29 de abril de 1972) contra o Cruzeiro, no Estádio de São Januário. A diretoria do Vasco fez suspense da sua escalação até o início da partida Nesse dia, fiz entrevista com o Tostão para o JS durante esse jogo em que o Vasco perdeu para o Cruzeiro por 1 a 0, gol de Roberto Batata.

Em maio de 1972, o José Trajano realizou diversas modificações na equipe do JS. Eu fui nomeado para a coordenação da página da Loteria Esportiva substituindo o Carlos Silva. Além disso, passei a escrever temas sobre futebol no caderno dominical "Segundo tempo". No dia 5 de maio de 1972, saiu a minha primeira página da Loteca, que durou muito anos. (a última foi no dia 31 de julho de 1990). As minhas pesquisas para o "Segundo Tempo" permaneceram todo o tempo do José Trajano como editor. Foram pesquisas sobre os jogos do Brasil na Copa Sesquicentenário da Independência do Brasil (11 de junho a 9 de julho de 1972), Fla-Flu da Lagoa de 1941 (Estádio da Gávea) e outros clássicos do futebol carioca.

No dia 15 de julho de 1972, faleceu aos 44 anos de idade de ataque cardíaco o diretor-presidente do JS Mário Júlio Rodrigues. Em testamento, ele deixou mais de cinquenta por cento das ações do Jornal dos Sports para Cacilda Fernandes de Souza, sua segunda esposa. Mário Neto, seu filho, recebeu uma parte menor das ações. Assim, Cacilda Fernandes tornou-se diretora-presidente do JS. Sua investidura no cargo, porém, demorou. Só aconteceu no dia 19 de setembro de 1972. Até a sua posse, o jornal continuou a ser dirigido por Fernando Horácio da Matta e Achiles Chirol (na administração de Cacilda, os dois foram demitidos).

Com Fernando Horácio e Achiles Chirol ainda na direção do JS, foi realizado em Reykjavík (Islândia), no período de 11 de julho a 1º de setembro de 1972, o match entre Boris Spassky (União Soviética) e Bobby Fischer (Estados Unidos) pelo Campeonato Mundial de Xadrez, considerado o maior acontecimento enxadrístico do século XX. Fiz toda a cobertura do encontro na redação do jornal, recebendo as notícias e as descrições das partidas pelas agências UPI, Associated Press e France Press. Logo no início, José Trajano me perguntou se eu podia arranjar um tabuleiro de xadrez, a fim de reproduzir as partidas e tirar fotos. A minha residência era muito longe, na Praça Seca, em Jacarepaguá. Não dava para apanhar o tabuleiro para aquela noite. Mas me lembrei de que tinha um na casa da minha irmã, bem mais perto, no Engenho Novo. Telefonei para ela. Tudo bem. O Trajano mandou um carro ao Engenho Novo; e o motorista trouxe o tabuleiro. No dia seguinte, saiu a foto do tabuleiro com uma posição da partida. O tabuleiro foi muito útil durante todo o match, principalmente para eu reproduzir as partidas e fazer meus comentários. No final, Bobby Fischer venceu Boris Spassky por 12,5 a 8,5 pontos, em 21 partidas.

No dia 24 de abril de 1973, José Trajano saiu do Jornal dos Sports. Aparício Pires voltou a ser o editor do JS, de 25 de abril a 25 de julho de 1973, quando assumiu o cargo de editor-chefe Duarte Gralheiro, que veio do jornal O Dia. Na época, eu estava em Petrópolis, fazendo a cobertura do Torneio Interzonal de Xadrez, realizado no período de 23 de julho a 17 de agosto de 1973, no Petropolitano Futebol Clube. Além do Jornal dos Sports, passei notícias para outros órgãos de imprensa como free lancer: O Jornal-RJ (fui indicado pelo jornalista Flávio Pinheiro, que trabalhou no JS), Rádio Tupi (convidado pelo Ivan Lima Alves, na ocasião chefe do Departamento de Jornalismo da rádio) e a agência de notícias Associated Press. O Grande Mestre brasileiro Henrique Mecking (Mequinho) assombrou o mundo ao conquistar o título e se classificar para o Torneio de Candidatos ao título mundial de xadrez. Na minha estadia na cidade de Petrópolis, quase um mês, Armando Calvano me substituiu na coordenação da página da Loteria Esportiva.

Na minha volta de Petrópolis, fiz parte da equipe do JS na elaboração do caderno especial sobre o Campeonato Nacional de 1973. Outro tabloide que participei foi sobre o Jogo da Gratidão ao Garrincha, que lotou o Estádio do Maracanã no 19 de dezembro de 1973. Meu trabalho nesse caderno foi escrever sobre a carreira do jogador bicampeão do mundo. A renda total da partida foi para ele. No dia da entrega do cheque, na sede da FUGAP (Maracanâzinho), eu entrevistei o Garrincha.

 

Eliomário Valente e Waldemar Costa - redação JS em 1973

 

O Pelé decidiu não participar da Copa do Mundo de 1974. Ele se despediu da Seleção Brasileira no dia 18 de julho de 1971, no Maracanã, quando o Brasil empatou com a Iugoslávia em 2 a 2. No final do ano de 1973, o editor Duarte Gralheiro iniciou campanha para Pelé ir à copa, com a equipe do JS obtendo opiniões sobre o assunto com personalidades do futebol. A manchete do jornal do dia 24 de dezembro de 1973, focalizada acima, foi tirada da minha entrevista pelo telefone com o árbitro Armando Marques.

A entrevista foi feita no domingo, dia 23 de dezembro de 1973. Naquele dia, bem tarde da noite eu ainda estava na redação, após adiantar a página da Loteria para sair na quarta-feira, pois tinha de entregar tudo na manhã do dia seguinte, pois o jornal não abriria na terça-feira, dia de Natal. O Vicente Senna era o único redator presente. O Duarte estava sentado na sua mesa no fundo da redação. O Vicente disse para mim que só faltavam duas páginas para fechar a edição, a primeira e a terceira páginas. A terceira (a da campanha para o Pelé ir à Copa) tinha ainda espaço para uma entrevista.

Levantei e fui apanhar o caderno de telefones. Voltei, sentei ao lado do Vicente. Na primeira folha, encontrei o número do telefone do Armando Marques. Fiquei em dúvida para telefonar aquela hora da noite. Vicente Senna, com o polegar, fez sinal para eu ligar. Qual foi minha surpresa ao Armando Marques atender. Identifiquei-me e fiz a pergunta. O Armando respondeu que era árbitro da FIFA e não podia dar entrevista e muito menos opinião. Depois, porém, ficou mais cordial e começou a falar sobre o Pelé. Eu ia repetindo tudo que ele dizia, a fim do Vicente anotar, pois a matéria já estava bastante atrasada para ir para a oficina. "Pelé foi uma coisa do outro mundo. Apitei várias partidas dele no Campeonato Paulista e sei que é ainda o maior jogador do mundo. Quem tem Pelé, a bomba atômica, não vai de revolver". O Pelé não participou da Copa do Mundo de 1974.

No dia 3 de janeiro de 1974, comecei a escrever uma coluna de xadrez diária, a pedido do Duarte Gralheiro. Ela durou sete anos diariamente até 1980. Em 1984, foi publicada uma vez por semana, aos domingos. A coluna divulgava notícias de todo o Brasil, principalmente do Campeonato Brasileiro, com a descrição das partidas conseguidas pelo telefone.

Postal enviado para mim pelo Carlos Silva, durante a Copa do Mundo de 1974

Durante a Copa do Mundo de 1974, o Carlos Silva enviou para mim o bonito postal do Lago de Hannover (Alemanha), em 26 de junho de 1974, com um abraço do Gerheim. Enviados especiais do Jornal dos Sports na Copa: Ênio Sérvio, José Antônio Gerheim, Carlos Silva, Mário Neto e Luiz Bayer. Fotógrafo: Sérgio Gomes.

Em 1975, a Academia de Xadrez Capablanca (São Paulo) elegeu a coluna de xadrez do Jornal dos Sports como importante veículo diário de informação do jogo no Brasil. Eu fui a São Paulo receber o prêmio no dia 23 de abril de 1975, na sede da academia, na Rua Augusta, número 1182. Ainda em 1975, recebi da Federação Gaúcha de Xadrez convite e passagem de avião para fazer cobertura do Campeonato Brasileiro de Xadrez, em Caxias do Sul (RS), em julho de 1975. O José Medeiros era o editor-chefe do JS, em virtude do Duarte Gralheiro ter assumido o cargo de diretor-secretário do jornal. Falei com o Medeiros sobre o convite. Ele me autorizou a viajar como enviado especial, acrescentando que faria a página da Loteca na minha ausência. Passei uma semana com um frio intenso em Caxias do Sul, mandando notícias da competição pelo telefone e telex. O vencedor do campeonato foi o carioca Eduardo Gouveia.

Na quinta-feira, dia 26 de agosto de 1976, cheguei cedo ao jornal, bem antes das 11 horas da manhã. Não havia ninguém na redação. Nem o contínuo. O telefone tocou. Atendi e fiquei estarrecido com a notícia: o meia do Flamengo Geraldo de apenas 20 anos de idade acabava de falecer na Clínica Rio-Cor. Fui à administração, no segundo andar, na sala do Duarte Gralheiro, diretor-secretário do JS. Ele me pediu para mandar um fotógrafo à clínica, que já ia descer para redação para tomar as providências.

Geraldo faleceu durante operação para extração das amigdalas, feita pelo cirurgião Wilson Junqueira, na presença do médico do Flamengo Célio Cotecchia. Muito novo ainda, ele era uma grande promessa para o futebol brasileiro. Jogou sete jogos pela Seleção Brasileira em 1975 e 1976, com boas atuações. Geraldo atuou pela última vez no Estádio do Maracanã, no dia 1º de agosto de 1976, no empate do Flamengo com o Fluminense em 1 a 1, pelo Campeonato Carioca.

 

GM Henrique Mecking (Mequinho) e Waldemar Costa no tabuleiro de xadrez. Foto do dia 7 de fevereiro de 1977. Foi após a entrevista que fiz com o enxadrista brasileiro, antes de ele viajar para Lucerna (Suíça), a fim de enfrentar o GM soviético Lev Polugaievsky, pelas quartas-de-final do torneio de candidatos ao título mundial. Mequinho embarcou muito confiante, pois havia vencido dois interzonais seguidos: Petrópolis (1973) e Filipinas (1976). O match de 12 partidas foi realmente muito equilibrado. Mecking perdeu por apenas um ponto de diferença: 6,5 a 5,5 (uma derrota na segunda partida e empates nas outras onze). A derrota mexeu muito com ele, que tinha o sonho de ser campeão mundial. Entrou em crise. No Interzonal do Rio de Janeiro (1979), no Copacabana Palace, onde tentaria o tri da competição, foi um Mequinho completamente diferente que se apresentou para a disputa com os grandes nomes do xadrez internacional. Eu fiz a cobertura do evento para o Jornal dos Sports. Mequinho praticamente não jogou: na primeira rodada, pois empatou de comum acordo em poucos lances com o veterano GM da Iugoslávia Borislav Ivkov. Na segunda, suspendeu com o GM da Tchecoslováquia Jan Smejkal (partida que nunca terminou). Na terceira, iria jogar com o GM da Hungria Gyula Sax. Porém, abandonou o Interzonal por motivo de doença. Uma moléstia misteriosa, que acabou com a sua brilhante carreira enxadrística. Com a ausência de Mequinho, a atração para o Brasil ficou por conta do enxadrista paranaense Jaime Sunye Neto, que chegou em quarto lugar (18 participantes) e conquistou o título de Mestre Internacional.

A entrega do prêmio ao Jornal dos Sports: Waldemar Costa (coordenador da página da Loteca do JS), Carlos Mathias (gerente de Loterias da Caixa Econômica Federal) e José Medeiros (editor-chefe do JS).

Nos anos de 1976 e 1977, a Caixa Econômica Federal instituiu concurso de palpites da Loteria Esportiva para jornais, revistas, estações de rádio e televisão de todo o País. No caso dos jornais, o quadro de prognósticos teria que ser publicado na primeira página da edição de quinta-feira. A foto é do dia 18 de maio de 1977. Focaliza a entrega do cheque ao editor do JS pelo gerente da Caixa Econômica por ter o Jornal dos Sports feito 13 pontos no Teste 334 da Loteria (o único órgão de imprensa a fazer os 13 pontos) e vencer no mês de abril de 1977 por conseguir maior número de pontos sobre os outros concorrentes. Foi a quarta vez que o JS ganhou o certame.

O Teste 334 foi no sábado (23/4/1977) e domingo (24/4/1977). No domingo, após entregar a matéria sobre o próximo concurso da Loteria para sair na edição de segunda-feira, fui ao Maracanã assistir Vasco x Flamengo, que estava no teste. O Vasco venceu por 3 a 0, mas qualquer resultado o JS acertaria, pois marquei palpite triplo (os participantes tinham direito de colocar triplo em dois jogos). Sai do Maracanã antes do jogo terminar, pois tinha compromisso para a noite daquele domingo. No caminho à minha residência na Praça Seca, fui ouvindo pelo radinho do meu automóvel o noticiário sobre futebol. Quando ouvi divulgação final dos resultados do teste, me pareceu que a gente tinha feitos os treze pontos, mas não tinha certeza. Mas que puxasse pela minha memória permanecia a minha dúvida. Pensei: tenho que telefonar para o jornal. Somente quando chegasse à minha casa. Telefone celular em 1977 nem em imaginação (ainda iria demorar vinte anos para a telefonia móvel chegar ao Rio de Janeiro). Em casa, liguei logo para o jornal. Falei com o Heliton Bagno sobre o assunto. Ele também não sabia se acertamos. Foi consultar o jornal de quinta-feira. Fiquei esperando. E veio a confirmação: o JS conseguiu os 13 pontos na Loteca.

Na madrugada de 31 de julho de 1977 (domingo), faleceu Luiz Bayer, vítima de enfisema pulmonar. Há muito tempo que ele não se sentia bem pelo efeito do cigarro que não conseguia deixar de lado. Bayer sempre sentou ao meu lado, desde que cheguei ao jornal. Conversei muito com ele. A última vez que o vi foi no sábado, dia 23 de julho de 1977, quando preparou matéria para sua coluna do dia seguinte. Depois, até o dia da sua morte, a seção foi escrita por interino. Luiz Bayer escreveu a famosa seção "Câmara", com notícias de bastidores, durante mais de 22 anos desde o dia 8 de janeiro de 1955, quando ocupava o cargo de secretário do JS, na época de Mário Filho.

Luiz Bayer comentava muito comigo que pretendia ir à Copa do Mundo de 1978 (Argentina), como aconteceu na Copa de 1974 (Alemanha). A morte impediu a sua pretensão. Mas outro grande e veterano jornalista fez parte da equipe de enviados do JS à Copa de 1978: Geraldo Romualdo da Silva. O repórter Wilson de Carvalho e o fotógrafo Jair Motta também foram à Argentina. O Duarte Gralheiro, na época diretor-secretário, ficou mais tempo na redação, em virtude do enorme trabalho que tivemos durante a realização da Copa do Mundo.

 

Redação do JS - 23/3/1978 - Waldemar Costa entrevista o dirigente e jornalista da Venezuela Lázaro Cardal.

 

No dia 3 de agosto de 1989, faleceu aos 63 anos de idade o jornalista Duarte Gralheiro vítima de ataque cardíaco em sua residência, após um dia de trabalho no Jornal dos Sports. Duarte começou a escrever no JS em 1954, época de Mário Filho. Anos depois, foi para o jornal O Dia, onde exerceu a função de editor de esportes. Regressou ao JS em 25 de julho de 1973 como editor-chefe. Assumiu o posto de Diretor-Secretário do JS no dia 1º de novembro de 1974.

 

Em 1989, Geraldo Mainenti assumiu o cargo de editor geral do JS. Ele me chamou para fazer uma página inteira da Loteria Esportiva, aproveitando a decisão da Caixa Econômica de zerar a numeração dos testes. No dia 3 de setembro de 1989 (domingo), foi realizado o Teste 976 (numeração antiga iniciada em 19 de abril de 1970, na instituição da Loteria Esportiva). O Teste 1 com a nova numeração foi no dia 10 de setembro de 1989. Eu escrevi as matérias da Loteca para sair às terças-feiras durante o período de 5 de setembro de 1989 a 31 de julho de 1990. A página reproduzida da edição do JS do dia 12 de junho de 1990 (veja acima) é do Teste 41, com partidas da Copa do Mundo (Itália-1990). Esse teste saiu do normal da Loteca, que sempre realizou em dois dias (sábado e domingo). O Teste 41 teve jogos em cinco dias: 16/6 (sábado), 17/6 (domingo), 18/6 (segunda-feira), 19/6 (terça-feira) e 20/6 (quarta-feira). Na época, o editor executivo, auxiliar do Mainenti, era Carlos Macedo.

Resultados do Teste 41 - Copa do Mundo 1990

1) Brasil 1 x 0 Costa Rica

2) Suécia 1 x 2 Escócia

3) Irlanda (Eire) 0 x 0 Egito

4) Coreia do Sul 1 x 3 Espanha

5) Argentina 1 x 1 Romênia

6) Camarões 0 x 4 União Soviética

7) Itália 2 x 0 Tchecoslováquia

8) Iugoslávia 4 x 1 Emirados Árabes

9) Áustria 0 x 1 Estados Unidos

10) Alemanha 1 x 1 Colômbia

11) Inglaterra 0 x 0 Holanda

12) Bélgica 3 x 1 Uruguai

13) Brasil 1 x 0 Escócia

Sob a direção do editor geral Geraldo Mainenti, a equipe de enviados especiais do JS à Copa de 1990 (Itália) foi a seguinte: coordenador - Washington Rope, repórteres - Carlos Alberto Rodrigues, Loureiro Neto, Sérgio Dantas e Nogueira Neto, fotógrafos - Jair Motta e Nílton Santos.

 

 

Waldemar Costa - Waldemar Sebastião da Costa. Jornalista diplomado pela UFRJ. Nasceu no Rio de Janeiro em 20/1/1937. Trabalhou no Jornal dos Sports do Rio de Janeiro de 1970 a 1990, em futebol, esportes olímpicos, página de Loteria Esportiva e coluna de xadrez. Em 1973, atuou como free lancer em O Jornal (RJ), Rádio Tupi e Associated Press, durante a cobertura do Interzonal de Xadrez em Petrópolis (RJ). Foi editor de Caissa - Revista Brasileira de Xadrez de 1978 a 1981 e do semanário Xadrez Expresso em 1984. Foi assessor de imprensa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Diretoria Regional - RJ). Membro do Sindicato dos Jornalistas-RJ e Associação de Cronistas Esportivos-RJ. Telefone: 3390-3633. Site: www.wsc.jor.br.

Livros publicados

O Vale do Marangá (1986) - Gol do Brasil (1986) - Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez (volume I - 1993) - Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez (volume II- 1994) - Imagens de Jacarepaguá (1995) - O Estigma da Cruz de Rubis (romance ambientado na região da Praça Seca - 1997) - O Paraíso Azul (romance de ficção científica - 1997) - O Ferrador (romance ambientado no Rio da época da Independência do Brasil - 1998) - Epopeia do Campeonato Brasileiro de Xadrez (1927-2008) - Editora Solis 2009) - Aventura na História de Jacarepaguá (2011) - Enciclopédia dos Nomes de Ruas de Jacarepaguá (2012) - Aventura do Xadrez no JTC (2013) - Histórico de Bento Ribeiro (2014) - A Gênese da Academia Brasileira de Letras (Editora E-Papers 2016).